Ícone do site aviNews Brasil, informações avicultura

A importância do cobre na saúde intestinal das aves

Escrito por: Dra. Kelen Zavarize - Gerente de Serviços Técnico Aves - Kemin Industries
PDF

A importância do cobre na saúde intestinal das aves

A integridade intestinal é crucial para o desempenho, saúde e bem-estar das aves. O intestino funcional e saudável é fundamental para a absorção ideal de nutrientes e assim, para que os animais apresentem uma conversão eficiente dos componentes da ração.

Quando a vitalidade intestinal é afetada, a digestão e a absorção de nutrientes são comprometidas, prejudicando a conversão alimentar e ocasionando perdas econômicas.

Além disso, as crescentes pressões do mercado para utilização de ingredientes alternativos, maior produtividade e mudança na produção de alimentos sem o uso de antibióticos criaram um desafio na manutenção da integridade intestinal.

O trato gastrintestinal das aves é composto por uma camada de células epiteliais unidas por junções estreitas (tight junctions). Quando as junções estreitas são enfraquecidas, patógenos conseguem passar entre as células epiteliais alcançando a corrente sanguínea, o chamado “leak gut” ou intestino permeável.

Essa condição desencadeia uma resposta imunológica que resulta em uma inflamação intestinal, prejudicando a capacidade de absorção de nutrientes e possibilitando a passagem de patógenos e toxinas para o sangue. Tal condição pode predispor a respostas imunes generalizadas, artrites, aerosaculites, entre outras.

Dentre as tecnologias utilizadas há décadas para apoiar a integridade intestinal e o desempenho das aves, uma das que mais se destaca é o emprego do micromineral cobre (Cu) em níveis além dos requerimentos nutricionais mínimos.

O Cu possui funções importantes no organismo, incluindo:

A importância do cobre na saúde intestinal das aves

Segundo Manner et al (2006), devido aos efeitos moduladores da microbiota intestinal, o Cu é comumente adicionado à ração em níveis acima das exigências nutricionais mínimas, podendo assim apresentar efeito como promotor de desempenho.

O Cu melhora a estrutura e função intestinal (Yang et al., 2011) e modula o perfil da microbiota intestinal (Di Giancamillo et al., 2018).

Os efeitos benéficos da suplementação de Cu no trato gastrintestinal foi demonstrado em diversos estudos (Xia et al 2004; Yang et al 2006; Richards et al. , 2010). No entanto, o mecanismo pelo qual altos níveis de Cu estimulam o crescimento ainda não foi determinado.

Um dos possíveis mecanismos pelos quais o Cu pode beneficiar as aves é sua influência positiva na microbiota intestinal, reduzindo assim a suscetibilidade das aves a doenças e diminuindo a inflamação (Arias e Koutsos, 2006) e, portanto, aumentando a absorção de nutrientes (Bunch et al., 1965).

A importância do cobre na saúde intestinal das aves

Gaetke e Chow (2003) mostraram que a toxicidade do Cu pode danificar as vilosidades intestinais, reduzir a proporção entre a altura das vilosidades e a profundidade das criptas e suprimir a expressão de proteínas das junções estreitas, impactando negativamente na utilização de nutrientes.

Doses elevadas de Cu na forma de sulfato (250ppm) na fase inicial, mostraram ter efeitos negativos no desempenho das aves (Karimi et al., 2011). Também, altas doses de Cu podem induzir o desenvolvimento de bactérias patogênicas resistentes ao Cu e também a antimicrobianos como glicopeptideos e macrolídeos (Agga et al., 2014; Zhang et al., 2019b, 2019c; Yazdankhah et al., 2014 ).

A importância do cobre na saúde intestinal das aves

A absorção e o acúmulo de Cu nos órgãos parecem estar altamente relacionados à solubilidade da fonte de Cu, uma vez que uma alta concentração de Cu nas dietas de frangos de corte pode levar ao aumento de Cu nas fezes ocasionando maior excreção para o ambiente.

A fonte de Cu pode afetar significativamente a concentração de Cu no fígado de frangos de corte, causando toxidade (Wang et al., 2007). Como diferentes fontes de Cu têm biodisponibilidade diferentes, elas podem afetar a microbiota intestinal de maneira diferente.

Dessa forma, é importante analisar e avaliar a fonte de Cu utilizado na ração dos animais, tal como a dose. As fontes orgânicas de minerais, usualmente possibilitam a redução de dose mantendo o mesmo efeito que maiores doses de inorgânicos.

Estudos anteriores mostraram que o a porte de 30ppm de cobre via Cu-metionina hidroxi análogo (HMTBa-CU) melhorou a resistência à ruptura ileal em comparação com sulfato de Cu e proteinato de Cu (Richards et al. , 2010), indicando que o Cu também poderia melhorar as propriedades mecânicas do intestino, provavelmente promovendo a ligação cruzada do colágeno.

O HMTBa-Cu é mais biodisponível para frangos de corte, devido as caracteristicas estruturais da molécula, levando à maior estabilidade e à sua menor atividade de ligação com outros constituintes da dieta. Além de servir como ligantes quelantes, o HMTBa presente na molécula também é absorvido e serve como fonte de metionina (Yi et al., 2007).

O trato gastrintestinal é chave do sucesso no processo de produção animal, pois é o responsável por digerir e absorver nutrientes, transformando ração em proteína animal. Portanto, a integridade intestinal tem efeito direto na produtividade, bem-estar animal, segurança alimentar e no impacto ambiental.

 

PDF
PDF
Sair da versão mobile