Brasil transforma ovos em nova fronteira de exportação e ainda projeta consumo recorde interno em 2026
O forte salto das exportações brasileiras de ovos em 2025, com alta superior a 150% em volume e 180% em receita, ocorre sem tirar produto da mesa do brasileiro e consolida uma nova frente de negócios para a avicultura de postura. Os números foram apresentados nesta quarta-feira (3/12) pelo presidente da ABPA, Ricardo Santin, em coletiva de imprensa em São Paulo, com presença da aviNews Brasil, a partir de dados da própria entidade e da Secex.
Entre janeiro e outubro, o Brasil embarcou 36,7 mil toneladas de ovos, contra 14,6 mil toneladas no mesmo período de 2024. Em valor, a receita passou de US$ 31 milhões para cerca de US$ 86,9 milhões, impulsionada principalmente pela demanda dos Estados Unidos, que responderam por mais da metade (cerca de 53%) do volume exportado no ano.
Brasil transforma ovos em nova fronteira de exportação e ainda projeta consumo recorde interno em 2026
- O movimento foi desencadeado pelos surtos de Influenza Aviária naquele país, que reduziram a oferta local e abriram espaço para o produto brasileiro. Os EUA importaram, apenas em 2025, mais de 19,5 mil toneladas de ovos do Brasil, um crescimento superior a 1.000% em relação a 2024.
Japão, México, Emirados Árabes Unidos, Angola, União Europeia e outros mercados também ampliaram compras, com variações expressivas em alguns casos, como o México, que saiu de dezenas de toneladas para mais de 2,7 mil toneladas no acumulado do ano, consolidando-se como destino relevante.
Esse avanço externo acontece em paralelo à formação do que Santin classificou como uma “cultura exportadora” de ovos. Mesmo após a aplicação da tarifa adicional pelos EUA, que praticamente zerou os embarques para aquele destino a partir de julho, o Brasil manteve média próxima de 1,7 mil toneladas por mês direcionadas a outros mercados, o que indica um patamar estruturalmente mais alto do que o registrado antes de 2025.
Do lado da produção, a ABPA projeta que o país fechará o ano com até 62,25 bilhões de unidades de ovos, frente a 57,68 bilhões em 2024 – crescimento de cerca de 7,9%. Para 2026, a estimativa é chegar a 66,5 bilhões de unidades, mantendo ritmo de expansão próximo a 6% ao ano. As exportações projetadas de 40 mil toneladas em 2025, com possibilidade de subir a 45 mil toneladas em 2026, devem representar apenas 1,5% da produção total, segundo a entidade.
Os números reforçam que o avanço externo não compromete o abastecimento doméstico. O consumo per capita, que foi de 269 ovos por habitante em 2024, deve alcançar 287 ovos em 2025 e chegar a cerca de 307 ovos por habitante em 2026, colocando o Brasil na faixa dos maiores consumidores mundiais.
“Não vai faltar ovo para o brasileiro. Hoje 98,5% do que produzimos fica no país, e mesmo assim conseguimos construir um mercado externo sólido e crescente”, afirmou Santin durante a coletiva.
Na avaliação da ABPA, o desempenho de 2025 recoloca a postura comercial brasileira em outro patamar. Com produção em alta, consumo interno recorde e exportações ainda representando uma fatia pequena do total, o setor passa a enxergar o mercado externo menos como válvula de escape pontual e mais como complemento estratégico de renda para produtores e agroindústrias.
Brasil transforma ovos em nova fronteira de exportação e ainda projeta consumo recorde interno em 2026
