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Da fórmula ao peito, onde a nutrição de aves vira valor, ou custo transferido

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No painel “Retorno do Investimento na Nutrição”, especialista da Seara/JBS, Bruno Reis, defendeu que a diversidade de matérias-primas só gera retorno quando chega à fábrica, ao frango, ao frigorífico e ao produto embalado.

No painel “Retorno do Investimento na Nutrição”, especialista da Seara/JBS, Bruno Reis, defendeu que a diversidade de matérias-primas só gera retorno quando chega à fábrica, ao frango, ao frigorífico e ao produto embalado.

Da fórmula ao peito, onde a nutrição de aves vira valor, ou custo transferido

O custo de produção do frango não termina na fórmula. Na apresentação feita durante o painel “Retorno do Investimento na Nutrição”, na manhã de 13 de maio, durante a 36ª Reunião Anual do CBNA, Bruno Reis de Carvalho, da Seara/JBS, levou a discussão sobre diversidade de matérias-primas para uma conta que passa pela fábrica de ração, pelo desempenho do animal, pelo frigorífico e pelo produto embalado.

O dado ajuda a dimensionar o peso da alimentação, mas não foi usado pelo palestrante para defender uma leitura limitada ao menor custo de ração. Bruno organizou a exposição em torno da capacidade de converter decisões nutricionais em valor capturado pela companhia. Na lógica apresentada, conversão alimentar, ganho de peso, mortalidade, condenações, rendimento de carcaça, rendimento de peito e qualidade do produto final precisam entrar na mesma equação econômica.

Uma das passagens mais fortes da palestra foi a tabela de retorno sobre o investimento atribuída à Aviagen 2025. Na leitura apresentada por Bruno, 1% de peito no frigorífico poderia equivaler a cerca de 21,75 pintos, 4,89 pontos de conversão alimentar, 17,07 gramas de ganho de peso diário e 13,54 pontos de mortalidade. A comparação foi usada para mostrar que uma decisão nutricional só pode ser avaliada com precisão quando seus efeitos são traduzidos em valor relativo dentro do sistema.

Ingrediente alternativo entra na conta com fábrica, dado e risco

A diversidade de matérias-primas apareceu como oportunidade, mas também como fonte de complexidade. Bruno citou a necessidade de silos adicionais, sistemas e dosagens mais flexíveis, gestão de dados laboratoriais, fragmentação de fretes, desafios de recebimento, estocagem e controle de qualidade carga a carga, além de dependência de fornecedores de nicho e vulnerabilidade a quebras de safra ou problemas logísticos.

A variabilidade dos ingredientes foi tratada como um ponto crítico para a formulação. Ao comparar a robustez de dados disponíveis para milho e sorgo em publicações sobre energia metabolizável para frangos de corte entre 2016 e 2026, o palestrante mostrou aproximadamente 17.300 publicações envolvendo milho contra 4.320 envolvendo sorgo. A diferença foi usada como exemplo da confiança desigual disponível para diferentes matérias-primas.

No caso do sorgo, Bruno também abordou a necessidade de complementar dietas multi-ingredientes. Nos slides, o milho apareceu com 7,81% de proteína bruta e 0,36% de arginina digestível, enquanto o sorgo apresentou 8,65% de proteína bruta e 0,31% de arginina digestível. A viabilidade econômica do ingrediente, segundo a abordagem apresentada, pode depender de ajustes associados, como L-arginina, ou da revisão de outros componentes da fórmula, como adsorventes, conforme o perfil real da matéria-prima.

Quando a fábrica muda o resultado previsto na formulação

A qualidade física da ração ocupou espaço relevante na palestra. Bruno discutiu o impacto da adição de óleo via misturador e mostrou que determinados ingredientes alternativos podem melhorar a qualidade do pellet e, por consequência, consumo e conversão alimentar. O mesmo movimento, porém, pode afetar produtividade da fábrica, abertura de damper e qualidade final da ração.

O exemplo comparou inclusões de farelo de arroz, farinha de vísceras, DDGS-HP, glúten de milho e soja integral em relação ao ácido graxo de soja. A retirada de óleo do misturador pode melhorar o PDI, mas o ganho técnico previsto na formulação depende da capacidade da fábrica de produzir a dieta com estabilidade e volume. Na fala de Bruno, a execução industrial é parte da diferença entre custo e valor.

Nas conclusões, Bruno colocou matriz nutricional bem definida, análises de matéria-prima, pesquisas internas, capacidade fabril prévia e dados confiáveis de ponta a ponta como ferramentas essenciais para a tomada de decisão. A frase que sintetizou a apresentação foi direta: “o melhor aditivo não é o que melhora o desempenho do animal; é o que melhora a minha capacidade de fazer uma estratégia diferente e gerar valor para a companhia”.

Leia também: Quanto lucro se perde entre a matriz nutricional e a ração que chega ao animal?

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