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SIAVS 2017 reflete força da avicultura brasileira

Escrito por: Priscila Beck
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SIAVS 2017 siavs 2019

O SIAVS 2017 reuniu, na solenidade de abertura, os governadores e vice-governadores de sete estados. Foto de Alf Ribeiro.jpg

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol)

Em sua quarta edição, o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS 2017), promovido pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), obteve recordes de público, número de empresas participantes e volume de recursos em negócios fechados. Trata-se de uma curva ascendente, que reflete a força da avicultura brasileira, cujo volume de embarque de carne de aves representa cerca de 40% do total do produto exportado no mundo.

Ao todo, 15,3 mil visitantes provenientes de 51 países estiveram no SIAVS 2017, superando em quase 30% o público da edição de 2015.  São produtores, presidentes e diretores de companhias do setor, gerentes de compra, técnicos e outros players da avicultura e suinocultura. Um público altamente qualificado e com grande poder de decisão.

Durante o SIAVS, 151 empresas expositoras estiveram presentes nos mais de 15 mil m² de área comercial, o que representou um crescimento de 40% na área da feira em relação a 2015.

O evento também contou com a presença de mais de 1,4 mil avicultores e suinocultores, que participaram do Projeto Produtor. Além de 1,7 mil congressistas, que se fizeram presentes à maior programação de palestras do setor produtivo.

Ricardo Santin, vice-presidente de mercados da ABPA.

 

“Durante a feira, 31 agroindústrias produtoras e processadoras de aves, suínos e ovos geraram US$ 14 milhões em negócios internacionais e projetam a viabilização de US$ 157 milhões em vendas nos próximos 12 meses”.

 

 

Brasil Unido

Principal fórum político do setor, o SIAVS 2017 reuniu, na solenidade de abertura, os governadores e vice-governadores de sete estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná. Trata-se de cinco dos maiores produtores e exportadores de frangos de corte, ou seja, 10.615 mil toneladas (80,12% da produção brasileira) e 3.975 mil toneladas (90.6% do total exportado pelo Brasil), respectivamente, segundo dados da Embrapa (2016).

Na abertura do evento, o presidente da ABPA, Francisco Turra, afirmou que “finalmente” os exportadores de carnes de frango e suína do país estão superando os impactos gerados pela Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março, que provocou diversos embargos internacionais.

“Neste ano enfrentamos a mais grave crise de imagem da história do setor e de nossos produtos. Mas posso dizer, com tranquilidade, que estamos finalmente superando esse episódio”, afirmou Turra. Segundo ele, “foram longos cinco meses” para comprovar que a carne produzida pelo Brasil é, em regra, boa. “Queremos corrigir as exceções”, afirmou. Na oportunidade, Turra conclamou toda a cadeia produtiva a ter uma visão otimista para o futuro e a seguir enfrentando os desafios.

Francisco Turra é presidente-executivo da ABPA

“Somos uma cadeia produtiva que gera mais de 4 milhões de empregos diretos e indiretos, 700 mil postos de trabalho nas indústrias. No campo são 150 mil famílias de produtores integrados, parceiros que ajudam a escrever essa história de sucesso. A avicultura e a suinocultura são exemplos de inclusão social, geração e distribuição de renda, cooperativismo. São exemplos de um Brasil novo”, comentou.

 

Cenário Nacional

Os embarques brasileiros de carne de frango ultrapassaram a marca de 400 mil toneladas no mês agosto, apresentando-se como o segundo saldo mensal positivo em 2017, desde os equívocos cometidos na divulgação da Operação Carne Fraca. O primeiro saldo positivo foi apresentado no mês de julho, quando o Brasil exportou 385 mil toneladas.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê um crescimento de 3% na produção brasileira de frango em 2018 (13,8 milhões de toneladas). O estudo de projeção da produção agropecuária brasileira para a próxima década, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Embrapa também demonstra essa tendência de crescimento.

A produção da carne de frango no Brasil, segundo o estudo do Mapa, é a que mais deverá crescer nos próximos dez anos, alcançando uma taxa de 33,4% (2,8% ao ano), ou seja, passando de 13.440 mil toneladas em 2017, para 17.930 mil toneladas em 2027.

Cenário Internacional

Diretor Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, foi o responsável pela abertura do SIAVS 2017. Segundo ele, diante de uma conjuntura econômica adversa, onde o comércio global cresce em ritmo lento, é preciso garantir condições para que a avicultura e suinocultura brasileiras consigam aproveitar “ao máximo” as oportunidades no mercado internacional.

De acordo com Azevêdo, em 2016, o crescimento do comércio internacional foi de 1,3%, ritmo mais lento registrado desde a crise financeira de 2008. Segundo o diretor da OMC, as transações comerciais mundiais devem avançar 2,4% esse ano.  Confirmado esse índice, o comércio internacional terá crescido abaixo de 3% pelo sexto ano consecutivo, uma sequência negativa sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.

Roberto Azevêdo é Diretor Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ainda assim, explicou o chanceler, a tendência é de que o mercado internacional de carnes siga demandado. Citando dados da FAO, Azevêdo projetou um crescimento do comércio internacional de carne suína em 4% e de 2,9% no de carne de frango em 2017. “Vamos ter crescimento robusto e saudável”, afirmou.

 

De acordo com Azevêdo, o aumento da demanda por alimentos, especialmente por proteína animal, nos países em desenvolvimento e a queda nos preços dos cereais utilizados na produção de ração, serão os principais indutores desse crescimento. “Por isso é importante assegurar que o Brasil se mantenha competitivo e aproveite essas oportunidades”, afirma.

Brasil Competitivo

O desafio de como alimentar o mundo foi debatido no painel que reuniu o presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, o vice-presidente Brasil da BRF e o presidente global de operações da JBS

O crescimento populacional estimado em mais 2,2 bilhões de pessoas até 2050 vai gerar um aumento de 60% no consumo de proteína animal. O desafio de como alimentar o mundo foi debatido durante o SIAVS 2017, no painel que reuniu o presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, o vice-presidente Brasil da BRF, Alexandre Moreira Martins de Almeida, e o presidente global de operações da JBS, Gilberto Tomazoni.

Já em 2015, a BRF apontava que o Brasil é muito competitivo na fase de produção, porém perde força quando se trata da agregação de valor. O vice-presidente Brasil da BRF destacou que o investimento em inovação é uma das formas encontradas pela empresa para enfrentar essa dificuldade. A BRF investe mais de R$200 milhões por ano em inovação de produtos.

A internacionalização também foi destacada como uma das estratégias da BRF, iniciada em 2014, para combater os altos custos para agregação de valor. Especificamente em relação ao mercado Halal, o CEO destacou que a BRF construiu a maior planta de processados no Oriente Médio, adquiriu distribuidores nos Emirados Árabes, Omã, Kwait e Qatar, segregou as atividades no Brasil em uma nova companhia, a Onefoods, e adquiriu a Banvit na Turquia.

Alexandre Moraes lembrou ainda que os requisitos em qualidade e segurança alimentar são cada vez mais exigidos. “Estamos investindo fortemente nesse sentido e colhendo resultados muito rápidos, o que nos permite cada vez mais melhorar os índices de atendimento ao mercado externo”, salientou.

Assim como a BRF, a JBS também possui presença em diferentes países do mundo como EUA e Inglaterra e gerencia as empresas de forma independente. O investimento em diversificação do portfólio é outra característica que também é muito forte na JBS.

Para o presidente global da empresa, alimentar o mundo com uma cadeia sustentável é o grande desafio do setor. E a existência de uma lacuna entre a realidade do setor de produção de alimentos e a percepção do consumidor é uma das barreiras a ser vencida.

O presidente da Aurora falou sobre os desafios para a produção de carne suína, elogiou a atuação do Ministro da Agricultura diante dos reflexos da Operação Carne Fraca e defendeu o envolvimento do governo na missão de ampliar o mercado para exportação da proteína animal brasileira.

 

 

 

 

José Antenor Arigoni foi um dos 1.500 participantes do Projeto Produtor. Ele veio pela Seara Forquilhinha (SC).

“A palestra do Projeto Produtor foi muito produtiva, sempre tem coisas novas a aprender. Hoje aprendi que quando o pintinho está correndo na pinteira pode ser sinal de algum problema no ambiente e não de alegria como eu acreditava”, afirma José Antenor Arigoni.

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