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Exportação de ovos: guerra, sanidade e excesso de produção desafiam o mercado brasileiro

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A exportação de ovos e o equilíbrio entre produção e demanda estão no centro das preocupações da avicultura nacional. Durante o Congresso de Ovos da APA 2026, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, discutiu os desafios atuais do setor na palestra Mercado de ovos: cenário nacional, exportações e oportunidades futuras”, trazendo uma análise sobre produção, comércio internacional e riscos geopolíticos.

Santin destacou que o Brasil vive um momento de forte crescimento na produção de ovos.

Hoje produzimos cerca de 67 bilhões de ovos por ano, algo como 1.800 ovos por segundo no país”, afirmou, ressaltando a dimensão da cadeia produtiva e sua relevância para a segurança alimentar brasileira.

O dirigente também ressaltou a importância nutricional do produto para a população. “O povo deixou de ter medo do ovo e percebeu que o ovo é saúde já empacotada pela natureza”, disse, destacando o avanço do consumo interno ao longo dos últimos anos.

Exportação de ovos sob pressão: guerra, sanidade e excesso de produção desafiam o mercado brasileiro

Apesar do cenário positivo, Santin alertou que o crescimento da produção exige planejamento estratégico para evitar desequilíbrios no mercado. Segundo ele, a expansão do plantel e o aumento do alojamento de aves precisam considerar a dinâmica de consumo e as oportunidades de exportação. “Se fizermos sempre as mesmas coisas, vamos ter sempre os mesmos resultados”, afirmou ao defender maior disciplina produtiva no setor.

Um dos principais avanços recentes apontados pelo executivo foi o crescimento das vendas externas. O Brasil atingiu recentemente um marco histórico ao exportar mais de 1% da produção nacional de ovos.

Sempre tive o sonho de ver o setor exportando mais de 1% da produção. Agora finalmente chegamos a esse patamar”, destacou.

O aumento das exportações foi impulsionado, principalmente, pela demanda internacional diante de problemas sanitários em outros países, como os Estados Unidos. No entanto, Santin alertou que essa janela de oportunidade pode ser temporária e exige estratégia de diversificação de mercados.

Exportação de ovos sob pressão: guerra, sanidade e excesso de produção desafiam o mercado brasileiro

Atualmente, cerca de 80 países importam ovos brasileiros, e novas negociações comerciais estão em andamento. Entre as oportunidades citadas estão avanços no comércio com países asiáticos e possíveis benefícios do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Além das oportunidades, o dirigente destacou que o setor precisa monitorar atentamente os impactos da geopolítica no comércio global. Conflitos internacionais e tensões comerciais podem afetar rotas logísticas, custos e acesso a mercados.

Hoje o mundo vive uma quebra nas regras do comércio internacional, com guerras e tensões afetando rotas e mercados”, afirmou.

Outro ponto de atenção destacado durante a palestra foi a biosseguridade das granjas brasileiras diante do avanço global da influenza aviária. Para Santin, a manutenção do status sanitário do Brasil é fundamental para preservar a competitividade internacional do setor.

Exportação de ovos sob pressão: guerra, sanidade e excesso de produção desafiam o mercado brasileiro

Precisamos proteger nosso sistema produtivo e mostrar ao mundo que o Brasil é capaz de garantir segurança alimentar com responsabilidade sanitária”, disse.

Ao encerrar sua apresentação no Congresso de Ovos da APA 2026, Santin reforçou que o Brasil reúne condições únicas para consolidar sua posição como fornecedor global de proteína animal. Disponibilidade de grãos, tecnologia e eficiência produtiva colocam o país em posição estratégica no cenário internacional.

O mundo olha para o Brasil e quer que a gente produza alimentos de forma sustentável”, concluiu.

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