A influenza aviária continua sendo um dos maiores desafios sanitários para a avicultura global e exige vigilância constante no Brasil. O tema foi abordado por Daniela de Queiroz Baptista, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), durante a palestra “Influenza Aviária: a perspectiva do serviço veterinário oficial”, apresentada no Congresso de Ovos da APA 2026.
Segundo a especialista, o cenário epidemiológico da doença se tornou mais complexo nos últimos anos, com a rápida disseminação do vírus em diferentes regiões do mundo. “O mundo literalmente está pegando fogo em relação à influenza aviária”, afirmou ao apresentar dados que apontam mais de 63 mil eventos da doença registrados em cerca de 160 países.
Influenza aviária avança no mundo e coloca avicultura brasileira em alerta sanitário máximo
Além de afetar aves domésticas e silvestres, o vírus passou a ser detectado também em diversas espécies de mamíferos, aumentando as preocupações sanitárias e epidemiológicas. A influenza aviária também é considerada uma zoonose, o que significa que pode infectar humanos, ampliando o alerta das autoridades de saúde pública.
- No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em maio de 2023. Desde então, o país registrou 188 focos da doença, sendo apenas um em aves comerciais, resultado atribuído ao sistema de vigilância sanitária e às ações coordenadas entre governo e setor produtivo.
Entretanto, a dinâmica de circulação do vírus mudou. Inicialmente concentrados em aves migratórias nas regiões costeiras, os focos passaram a surgir também em áreas do interior do país, próximas de polos produtivos da avicultura. “A influenza deixou de circular apenas em aves migratórias e passou a envolver também aves residentes”, explicou Baptista.
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Essa mudança aumenta o nível de risco para o setor, já que amplia as possibilidades de introdução do vírus nas granjas. Por isso, a especialista destacou que a biosseguridade continua sendo a principal ferramenta de proteção da cadeia produtiva.
“Não existe bala de prata contra a influenza aviária. A principal defesa é a biosseguridade e a detecção precoce de suspeitas”, ressaltou.
Outro desafio apontado é a notificação rápida de casos suspeitos. Em sistemas de produção menos intensivos ou em criações de subsistência, a doença pode apresentar sinais menos evidentes, o que dificulta a identificação precoce e aumenta o risco de disseminação.
Influenza aviária avança no mundo e coloca avicultura brasileira em alerta sanitário máximo
A atuação integrada entre serviço veterinário oficial, produtores e iniciativa privada também foi destacada como fundamental para garantir a capacidade de resposta do país diante de possíveis emergências sanitárias.
Além das ações de vigilância, o Ministério da Agricultura trabalha na revisão de protocolos e no fortalecimento do plano nacional de contingência para influenza aviária. O objetivo é aumentar a capacidade de resposta em cenários mais complexos, incluindo a possibilidade de múltiplos focos simultâneos.
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Outro ponto sensível para o setor é o impacto comercial da doença. A especialista destacou que a manutenção do acesso a mercados internacionais depende diretamente da capacidade do país de controlar rapidamente eventuais ocorrências.
- Nesse contexto, estratégias como regionalização sanitária, compartimentação e renegociação de certificados internacionais vêm sendo discutidas para garantir a continuidade das exportações brasileiras de produtos avícolas.
Ao encerrar a apresentação, Daniela reforçou que o enfrentamento da influenza aviária exige trabalho conjunto e permanente entre todos os elos da cadeia.
Essa é uma crise sanitária global que exige preparação constante e cooperação entre setor público e privado”, concluiu.
