Manejo e fisiologia das aves frente o calor extremo
A avicultura de corte e postura se consolidou mundialmente como uma das mais importantes fontes de proteína animal. No Brasil, as duas cadeias possibilitaram oferecer aos consumidores fontes de proteína saudável de baixo custo, além de se destacarem quanto à produção, exportação e até mesmo nas medidas sanitárias (ABPA, 2024). Porém, apesar de todo o desenvolvimento e ascensão da indústria, reconhece-se que muitos desafios ainda a cercam.
Dá-se destaque ao estresse térmico por calor, especialmente em regiões tropicais quentes e úmidas, o qual provoca consideráveis perdas econômicas devido à queda no desempenho, produtividade e bem-estar de frangos e poedeiras (VANDANA et al., 2020; ABDEL-MONEIM et al., 2021).
- RESPOSTAS FISIOLÓGICAS E COMPORTAMENTAIS DAS AVES AO CALOR E COMO ISSO AFETA O DESEMPENHO
As aves são animais homeotérmicos, ou seja, conseguem manter a temperatura corporal interna constante diante de alterações na temperatura ambiental. No entanto, existe uma zona de conforto térmico que deve ser respeitada, em que a ave mantém essa temperatura corporal com a mínima utilização de mecanismos termorreguladores e mantem o seu desempenho otimizado.
De acordo com Charles (2002), a temperatura ideal para desempenho termoneutro está entre 19ºC – 22ºC para poedeiras, e 18ºC-22ºC para frangos de corte, ficando a umidade ideal para ambas entre 50-70%. Quando essa temperatura ambiental ultrapassa essa faixa de conforto, o estresse térmico ocorre, aumentando a temperatura corporal das aves, as quais não possuem glândulas sudoríparas para dissipá-lo (VANDANA et al., 2020).
Esse mecanismo é realizado utilizando outras respostas fisiológicas e comportamentais, como:
- A condução, em que a ave busca entrar em contato com superfícies mais frias na instalação;
- A radiação, que ocorre na superfície da pele por ondas eletromagnéticas;
- A convecção, em que abre as asas e eriça as penas para aumentar a superfície de contato com a circulação de ar, e,
- A evaporação, através do trato respiratório, aumentando a sua frequência respiratória e a ofegação (KPOMASSE et al., 2021).
Este último gera alterações metabólicas consideráveis, por promover um desequilíbrio ácido-básico (alcalose respiratória) e consequentes alterações da homeostase. Sendo assim, mudanças fisiológicas das aves ao estresse calórico envolvem uma variedade de sistemas (neuroendócrino, imunológico, circulatório e digestivo) e ainda comportamentos clássicos de estresse, como a bicagem e o canibalismo, e a prostração (VANDANA et al., 2020; WASTI et al., 2020; ABDEL-MONEIM et al., 2021).
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