Ninho influencia o comportamento de postura das matrizes
Na produção de ovos férteis, tratar o ninho como um simples equipamento é um erro conceitual que compromete decisões técnicas importantes. O ninho não deve ser avaliado apenas por critérios construtivos ou de padronização industrial, mas pelo seu impacto direto no comportamento de postura, na qualidade do ovo fértil e na dinâmica sanitária do sistema.
Estudos de preferência demonstram que matrizes pesadas não utilizam os ninhos de forma aleatória. Ao contrário, fazem escolhas consistentes e, nas condições avaliadas, apresentaram forte preferência por ninhos de madeira em comparação com outras alternativas. Em condições experimentais controladas, ninhos de madeira concentraram cerca de 69% dos ovos, indicando uma preferência clara e robusta, mesmo quando comparados a diferentes variações de ninhos plásticos (VAN DEN OEVER et al., 2020). Esse comportamento está associado a um padrão mais estável de postura, com menor necessidade de inspeções e menor inquietação antes da oviposição.
Esse ponto redefine a discussão: não é o produtor que escolhe o ninho, é a ave que valida ou não o sistema.
Higiene: o material é apenas parte da equação
Um dos argumentos mais recorrentes na escolha de materiais é a suposta superioridade sanitária de superfícies plásticas, baseada na ideia de que são menos porosas e, portanto, mais fáceis de higienizar. No entanto, essa leitura ignora aspectos físicos relevantes.
Superfícies plásticas apresentam maior tendência ao acúmulo de carga eletrostática, o que favorece a atração e retenção de partículas leves como poeira e matéria orgânica fina. Com o tempo, essa camada pode formar um filme aderido, que não é necessariamente removido com facilidade em processos convencionais de lavagem.
A madeira, por suas características físicas, pode apresentar menor tendência ao acúmulo passivo dessas partículas, embora o resultado final continue dependendo dos protocolos de limpeza e manejo adotados. Na prática, quando submetida a procedimentos adequados de lavagem e secagem entre lotes, a remoção de resíduos pode ser eficiente, sem resultar, necessariamente, em maior acúmulo residual quando comparada a outras superfícies.
Ou seja: o ponto não é apenas limpar, mas também compreender como cada material interage com o ambiente e o quanto facilita a remoção dos resíduos ao longo do ciclo produtivo.
Biofilme: culpa do material ou do manejo?
A formação de biofilme costuma ser atribuída diretamente ao material do ninho, especialmente quando se trata da madeira. No entanto, essa associação isolada não se sustenta tecnicamente.
Biofilmes se desenvolvem a partir da combinação de matéria orgânica, umidade e tempo de permanência. Fatores diretamente ligados à ambiência e ao manejo, como qualidade da cama, controle de umidade e frequência de coleta.
Em sistemas bem manejados, o risco de formação de biofilme tende a ser semelhante entre diferentes superfícies. Nesse contexto, o material deixa de ser o fator principal e passa a ser parte de um sistema maior.
Madeira dura menos? O campo mostra outra coisa
A ideia de que a madeira possui menor durabilidade é amplamente difundida, mas nem sempre confirmada na prática.
A durabilidade real de um ninho está associada à sua resistência mecânica e à sua estabilidade ao longo dos ciclos produtivos e de higienização. Materiais plásticos podem sofrer deformações, microfissuras e degradação ao longo do tempo, especialmente sob variações térmicas e exposição a determinados agentes químicos.
Estruturas em madeira tratada, por sua vez, podem apresentar excelente durabilidade quando corretamente projetadas e inseridas em um sistema com manejo adequado, mantendo sua integridade estrutural por longos períodos de utilização.
No final, é a ave que decide
Independentemente da discussão sobre material, o fator mais consistente é comportamental: as aves escolhem onde querem colocar seus ovos, e essa escolha impacta diretamente o resultado produtivo.
A redução de ovos fora do ninho está diretamente ligada à adequação do ambiente de postura. Ovos de piso apresentam maior contaminação, maior incidência de trincas e menor aproveitamento (VAN DEN OEVER et al., 2020), reforçando que o ninho é um ponto crítico dentro da produção.
Mesmo diante de maior competição e aglomeração, as aves mantêm sua preferência pelo ninho considerado mais adequado — um indicativo claro da força dessa decisão.
Se o ninho define o comportamento, ele define o resultado
Tratar o ninho como estratégia significa reconhecer que ele:
- define o padrão de postura do lote desde o início do ciclo;
- influencia diretamente a qualidade microbiológica e a incubabilidade;
- impacta a eficiência operacional;
- deve ser projetado a partir do comportamento da ave, não apenas da engenharia.
A pergunta, portanto, deixa de ser apenas “qual material é melhor?” e passa a ser:
qual solução oferece as melhores condições para que a ave escolha corretamente o ninho todos os dias, dentro da realidade de cada sistema de produção?
Nota técnica
Ao longo de décadas de atuação em diferentes mercados, a Vencomatic Group desenvolveu e forneceu soluções de ninhos em diferentes configurações e materiais, sempre considerando as necessidades de cada sistema de produção.
Em mercados onde comparações foram realizadas, a experiência prática e estudos científicos têm demonstrado resultados consistentes com ninhos de madeira, motivo pelo qual essa solução é adotada nos ninhos Van Gent, marca holandesa reconhecida mundialmente pela sua qualidade e incorporada ao Vencomatic Group desde 2020.
Embora ainda não existam estudos conclusivos conduzidos nas condições brasileiras, iniciativas de pesquisa e validação em campo são fundamentais para ampliar o conhecimento técnico e apoiar decisões cada vez mais baseadas em evidências.
Ninho influencia o comportamento de postura das matrizes
Fonte: Vencomatic Group.
