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Para lideranças, Mercosul-UE abre janela à avicultura, mas crédito caro pode limitar expansão

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Lideranças da avicultura discutem acordo Mercosul-UE, crédito, Plano Safra, seguro rural e logística em painel da 1ª Feira Aves Seara.

A avicultura brasileira pode ganhar uma nova janela de acesso ao mercado europeu com o acordo Mercosul-União Europeia, mas a expansão do setor dependerá da capacidade de enfrentar entraves internos que ainda pesam sobre produtores e agroindústria. Essa foi a leitura apresentada por lideranças durante mesa-redonda da 1ª Feira Aves Seara, realizada em Arapongas (PR), com foco em cenários e perspectivas para a avicultura brasileira e mundial.

Moderado por Ivan Carlos Zechin, gerente regional de Agropecuária Aves PR/MS da Seara, o painel reuniu José Antonio Ribas Jr., diretor executivo de Agro e CIEX da Seara; Francisco Turra, conselheiro da ABPA e ex-ministro da Agricultura; Ricardo Santin, presidente da ABPA; e o deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

No debate, o acordo Mercosul-UE foi apresentado como uma oportunidade de ampliar acesso e gerar investimento, especialmente para cadeias capazes de combinar produção competitiva, padrões sanitários e atendimento a exigências de mercado. A avaliação, porém, foi de que o efeito não será imediato. O avanço depende de implementação gradual, negociação política e capacidade do setor de transformar abertura comercial em margem, previsibilidade e novos negócios.

Francisco Turra avaliou que a aproximação com a União Europeia pode criar uma nova etapa de cooperação entre mercados. Para ele, o Brasil reúne condições naturais e produtivas para crescer, enquanto empresas europeias trazem tradição, tecnologia, diversificação de produtos e canais de acesso. Ao citar operações internacionais da JBS, Turra afirmou que a Seara está em uma condição diferenciada por atuar em diferentes regiões e mercados.

“O acordo vai abrir uma janela muito interessante”, disse.

Francisco Turra, conselheiro da ABPA e ex-ministro da Agricultura

A oportunidade externa, no entanto, foi contraposta pelo cenário interno de crédito. Pedro Lupion afirmou que o modelo do Plano Safra já não acompanha a realidade da produção brasileira. Segundo ele, o sistema foi desenhado em uma época de safra única, enquanto hoje há regiões com duas, três ou até quatro safras ao ano. Na avaliação do parlamentar, o planejamento anual, a alta taxa de juros, a falta de garantias e a baixa cobertura de seguro rural encarecem o financiamento e reduzem a previsibilidade para quem precisa investir.

“O Plano Safra está completamente defasado”, afirmou Lupion. Para o presidente da FPA, a dificuldade não está apenas no volume de recursos, mas na estrutura de crédito. Sem instrumentos capazes de mitigar risco – como seguro rural eficiente, fundo garantidor e previsibilidade plurianual -, as operações se tornam mais caras e menos acessíveis.

“Quando você não tem seguro, quando você não tem fundo garantidor, quando você não tem taxa de juros segura e decente, você não tem crédito barato”, disse.

Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

A discussão também passou por logística e infraestrutura, temas diretamente ligados ao custo de produção da avicultura. Ribas Jr. relatou que, mesmo com forte presença mundial em proteínas e grãos, o Brasil ainda enfrenta uma limitação estrutural: falta de previsibilidade. O executivo citou gargalos de armazenagem, frete, estradas e infraestrutura nas propriedades como fatores que reduzem a capacidade de controlar custos e responder a oscilações de mercado.

José Antonio Ribas Jr., diretor executivo de Agro e CIEX da Seara

O painel da 1ª Feira Aves Seara também abordou o avanço do etanol de milho e seus reflexos para a cadeia de proteína animal. Turra defendeu que os biocombustíveis não devem ser vistos como concorrentes da produção de alimentos, mas como aliados na valorização do grão, na interiorização de investimentos e na geração de subprodutos que retornam à alimentação animal. Para ele, o crescimento do etanol de milho pode incentivar produtividade e oferecer novas alternativas em regiões produtoras.

Na avaliação de Ricardo Santin, a competitividade brasileira passa por manter a defesa institucional da cadeia, ampliar mercados e assegurar acesso interno à proteína. O presidente da ABPA lembrou os 10 anos da Lei de Integração e afirmou que o sistema integrado segue sendo um fator de estabilidade para produtores e agroindústrias.

“Nós não somos melhores que ninguém, mas não tem ninguém melhor que nós”, disse Santin, ao defender o nível de excelência alcançado pela produção brasileira.

Ricardo Santin, presidente da ABPA

A dimensão estadual do debate apareceu em fala breve do governador em exercício do Paraná, Darci Piana, que destacou investimentos em infraestrutura, estradas rurais e logística como instrumentos para apoiar o escoamento da produção agropecuária. A mensagem dialogou com um dos pontos centrais do painel: a avicultura brasileira tem mercado, escala e reconhecimento internacional, mas depende de condições internas para transformar oportunidade em expansão sustentável.

Ao final, a mesa da 1ª Feira Aves Seara deixou uma síntese clara: o acordo Mercosul-UE pode abrir uma nova frente para a avicultura, mas a resposta brasileira não dependerá apenas da demanda externa. Crédito, seguro, logística, custo dos grãos, previsibilidade e organização política seguirão no centro da agenda de competitividade do setor.

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