A manutenção do status sanitário da avicultura brasileira é um dos pilares de sustentação da potência do setor no país, mas exige atenção redobrada em áreas historicamente desafiadas. É o caso das regiões Norte e Nordeste no monitoramento da Doença de Newcastle. Causada por um vírus do grupo paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1), a enfermidade é altamente contagiosa e afeta tanto aves domésticas quanto silvestres, representando um risco constante para a sustentabilidade da produção de proteína animal.
O Norte do Brasil carrega uma importância histórica na cronologia dessa enfermidade.
Liliane Sacramento, coordenadora de território Norte-Nordeste da unidade de Avicultura da MSD Saúde Animal
“Foi em Belém (PA), no ano de 1950, que o país registrou o primeiro surto oficial da doença. Desde então, o controle epidemiológico evoluiu drasticamente, mas as características geográficas, o trânsito de aves silvestres e a presença de múltiplos reservatórios naturais mantêm essas regiões sob vigilância ativa”, diz Liliane Sacramento, coordenadora de território Norte-Nordeste da unidade de Avicultura da MSD Saúde Animal.
Aves silvestres e sistemas extensivos ampliam o desafio regional
Um fator que diferencia epidemiologicamente o Norte e Nordeste das demais regiões do país é a proximidade com corredores de aves migratórias e a maior presença de sistemas de criação extensiva e de fundo de quintal, que funcionam como potenciais reservatórios do vírus e meios de contato entre a avifauna silvestre e os plantéis comerciais. Essa interface reforça a necessidade de biosseguridade redobrada nas granjas dessas regiões, mesmo em cenários de baixa pressão de desafio aparente.
O tamanho do risco econômico e produtivo
A preocupação do setor produtivo não é infundada. Liliane explica que o vírus ataca de forma agressiva, provocando sintomas respiratórios graves, diarreia e taxas elevadas de mortalidade nos plantéis – sinais clínicos que, por vezes, se sobrepõem aos de outras enfermidades respiratórias de importância avícola, como Influenza Aviária, Bronquite Infecciosa e Laringotraqueíte Infecciosa. Por isso, a confirmação diagnóstica por métodos laboratoriais como RT-PCR e isolamento viral, associada à notificação imediata às autoridades sanitárias, é etapa indispensável diante de qualquer suspeita clínica.
“Embora o consumo de produtos inspecionados seja totalmente seguro para os seres humanos, o impacto de um eventual foco na avicultura comercial é devastador para o mercado interno e externo”, afirma a especialista.
Casos de Newcastle geram embargos automáticos e suspensões temporárias de exportações por parte de grandes parceiros comerciais, como China, União Europeia e Japão, provocando quedas expressivas nas ações de frigoríficos, prejuízos logísticos e forte retração na receita do agronegócio. Para evitar o isolamento comercial e proteger os galpões, a estratégia da cadeia avícola baseia-se em duas frentes indissociáveis: regras rígidas de biosseguridade (como vazio sanitário, restrição de visitas e qualidade da água) e ferramentas de imunização precoce.
É nesse cenário que soluções tecnológicas, como a vacina Nobilis® ND C2 Sphereon, atuam de forma estratégica no manejo diário. Aplicada por spray ou via ocular logo no primeiro dia de vida da ave, a ND C2 estimula a Glândula de Harderiana (localizada atrás do olho da ave) a liberar rapidamente anticorpos IgA nas secreções. Essa resposta local imediata serve como uma barreira biológica crucial na mucosa traqueal, impedindo a fixação e a penetração do vírus, antes mesmo que ele possa se alastrar pelo organismo.
“A IgA atua como uma ‘primeira linha de defesa’, impedindo que o vírus de campo da Doença de Newcastle se ligue e penetre nas células da mucosa traqueal. Isso é crucial porque a proteção local acontece muito antes da imunidade sistêmica (IgG/IgM no sangue) estar totalmente formada”, detalha Liliane.
Atualmente, a Nobilis® ND C2 consolidou-se como a única vacina viva no mercado capaz de proporcionar essa imunidade local quase instantânea, funcionando como uma verdadeira barreira biológica.
“O imunizante é altamente eficiente em treinar as mucosas das aves para produzir IgA, garantindo que o vírus seja neutralizado logo no portal de entrada, uma exclusividade que nenhuma outra vacina viva de Newcastle oferece hoje no mercado”, complementa a especialista.
Tamanha a importância da Doença de Newcastle na avicultura nacional que é uma enfermidade de notificação obrigatória no Brasil, nos termos da Instrução Normativa MAPA nº 56/2007, e integra o Plano Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), com o Plano de Vigilância de Influenza Aviária e Doença de Newcastle realizado anualmente em ciclos amostrais que atestam a robustez da biosseguridade nacional. Isso justifica por que regiões com desafios históricos, como Norte e Nordeste, precisam blindar seus plantéis com o que há de mais avançado em imunidade local e de barreira, para manter o elevado status sanitário.
Sobre a MSD Saúde Animal
A MSD Saúde Animal, uma divisão da Merck & Co., Inc., Rahway, N.J., EUA, é uma unidade de negócios global de saúde animal comprometida com a Ciência para Animais mais Saudáveis. Por mais de 130 anos, temos sido pioneiros em ciência inovadora. Somos movidos pela inovação contínua para desenvolver medicamentos, vacinas e tecnologias revolucionárias. Com a experiência direta na fazenda e na clínica, atuamos lado a lado com nossos clientes em cada etapa do caminho. O foco é capacitar aqueles que cuidam dos animais, ajudando-os a gerenciar sua responsabilidade vital com confiança. Porque ninguém entende a saúde animal como nós.
Fonte: MSD Saúde Animal.
