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Novo Coronavírus altera a rotina do setor avícola brasileiro

Escrito por: Priscila Beck
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coronavírus

Sete dias após a declaração, pela OMS (Organização Mundial de Saúde), da pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), todos os principais eventos brasileiros voltados para o setor avícola, que aconteceriam neste primeiro semestre de 2020, foram cancelados, ou adiados.

Até o momento, foram enviados informes de cancelamento do: XVIII Congresso de Ovos da APA (ainda sem nova data definida), 21o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (sem nova data definida), InovaAVI: chocando idéias (prorrogado para 6 a 9 de outubro de 2020); e Conferência FACTA WPSA-Brasil (prorrogada para 7 a 9 de julho de 2020).

Os cancelamentos atendem orientações de entidades oficiais de saúde pública, nacionais e internacionais, limitando viagens e conectividade física. Estas são duas das inúmeras recomendações das autoridades de saúde para impedir a propagação do COVDI-19.

Orientações às empresas do setor

Ainda na semana passada, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), enviou um informe aos seus associados recomendando ações preventivas ao novo coronavírus. Entre as iniciativas recomendadas pela entidade, que representa os setores avícola e suinícola brasileiros, estão:

“Lembramos que as aglomerações de pessoas são pontos críticos para a proliferação da enfermidade
entre humanos”, aponta a nota da ABPA.

“Notifique as autoridades de saúde pública da sua região que fornecerão orientações sobre as próximas etapas a serem tomadas’, informa a entidade.

Parceria entre os setores público e privado

No último dia 16/3, a CCI (Câmara de Comércio Internacional) e a OMS concordaram em trabalhar em estreita colaboração para garantir que as informações mais recentes e mais confiáveis, assim como orientações personalizadas, atinjam a comunidade empresarial global.

A CCI, inclusive, incentiva seus membros a apoiar os esforços de resposta nacional do país e contribuir para os esforços de resposta global, coordenados pela OMS, através do site www.covid19responsefund.org .

Logística de exportações

Segundo matéria veiculada pelo Globo Rural, muitos navios que deixaram a costa brasileira para abastecer os países asiáticos no início do ano ainda não retornaram. Com o surto do coronavírus, formou-se um congestionamento de navios em diversas províncias da China, que ainda estão à espera de liberação para descarregar as mercadorias.

O quadro tem causado pressão no setor logístico do Brasil, com uma procura maior por contêineres refrigerados. “Temos notícia de uma empresa que está colocando um navio inteiro de volta para o Brasil com contêineres vazios”, declarou ao GR, Ricardo Santin, diretor executivo da ABPA.

O Centronave (Centro Nacional de Navegação Transatlântica) também prevê uma escassez de contêineres no Brasil no fim deste mês, devido ao atraso com o retorno dos contêineres, segundo o GR.

A entidade, que representa as maiores empresas de navegação de longo curso, informou ao GR acreditar que a situação será momentânea. “No caso de contêineres refrigerados (reefers), o congestionamento ainda é crítico em Shangai, Xingang e Ningbo”, disse o Centronave ao GR.

Uma viagem de navio entre Brasil e China dura de 30 a 40 dias, conforme o setor. “[O frete] vai custar um pouco mais caro, mas o comprador está pagando porque precisa. O importador tem interesse, e eles estão vivenciando essa crise. É uma crise mundial”.

Demanda interna

Ainda segundo matéria do GR, internamente vem ocorrendo uma mudança drástica na forma como as pessoas se alimentam. A tendência, com o isolamento das famílias, é do consumo concentrado dentro das casas.

“Haverá transferência de estoque de restaurantes e atacados para as geladeiras dos domicílios. A pessoa que antes comprava um peito de frango na semana agora vai comprar dez ou 12. Isso vai exigir um manejo dos canais de atuação e logística. Teremos mais canais demandando maiores volumes e que antes demandavam pequenas quantias”, explicou Santin ao GR.

O executivo também informou ao GR que a atividade dos fasts foods já deve ter diminuído em 60%, com a mudança nos hábitos dos brasileiros dos últimos dias.

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