O que determina o desempenho de um frango? incubaFÓRUM 2026 aponta respostas dentro do incubatório | Por redação agriNews
O que determina o desempenho de um frango? incubaFÓRUM 2026 aponta respostas dentro do incubatório | Por redação agriNews
Após dois dias, 27 e 28 de maio, de intensos debates técnicos, troca de experiências e apresentações das mais recentes inovações para a incubação avícola, o incubaFÓRUM 2026 chegou ao fim consolidando-se como um dos mais importantes encontros especializados do Brasil e da América Latina. Com público recorde superior a 300 participantes e uma programação que reuniu pesquisadores, consultores, empresas e lideranças do setor, o evento reforçou o papel estratégico dos incubatórios na construção dos resultados produtivos, sanitários e econômicos da avicultura moderna global.
Quem cuida do processo? O desafio estratégico da gestão de pessoas nos incubatórios
Embora boa parte das discussões tenha envolvido tecnologia, automação e biosseguridade, um tema recebeu atenção especial: a gestão de pessoas. Jumara Ticiano, responsável técnica pelos incubatórios de matrizes de corte do Grupo Alvorada, destacou que eficiência operacional também depende da capacidade das empresas em compreender as transformações geracionais e as expectativas dos profissionais que atuam na cadeia produtiva.

Jumara Ticiano (Foto: agriNews Brasil)
“A qualidade do pintinho não depende apenas de temperatura, umidade ou tecnologia de incubação. Existe um fator que conecta todos esses processos: as pessoas. No incubatório, cada etapa exige padronização, atenção aos detalhes e comprometimento da equipe. Quando não conseguimos reter talentos, perdemos experiência, conhecimento e estabilidade operacional. Por isso, investir em liderança, treinamento, reconhecimento e bem-estar dos colaboradores deixou de ser uma questão apenas de recursos humanos; tornou-se uma estratégia direta para garantir qualidade, eficiência produtiva e melhores resultados na incubação”, pontuou.
Para a especialista, questões como comunicação, liderança, reconhecimento e desenvolvimento profissional precisam fazer parte da estratégia empresarial, com planejamento, organização, direção e coordenação, como estratégias diretas de identificar e conter gargalos.
“Os dados que apresentamos mostram que quase 36% das faltas ocorrem entre colaboradores com um a dois anos de empresa, enquanto a sala de pintos registra um índice de absenteísmo de 29,5%, tornando-se o setor mais crítico da operação. Além disso, 76,4% dos desligamentos acontecem nos primeiros três meses de trabalho”, disse.
O desafio, afirmou, é construir ambientes capazes de engajar e reter talentos, reduzindo os custos invisíveis gerados pelo desengajamento das equipes e, consequentemente, padronização em processos e contenção de perdas financeiras.
“O absenteísmo e a rotatividade deixaram de ser apenas indicadores de recursos humanos e passaram a ser indicadores produtivos. Os levantamentos apresentados mostram custos superiores a R$ 890 mil por ano entre horas pagas, encargos e substituições, sem considerar as perdas invisíveis relacionadas à qualidade do pintinho, falhas operacionais e redução da eficiência dos processos. Por isso, investir em retenção, treinamento e liderança é investir diretamente nos resultados do incubatório”, concluiu Ticiano.
Automação não substitui pessoas: substitui desperdícios, riscos sanitários e limitações operacionais
Ao abordar o avanço da automação nos incubatórios, Sandro Leite, gerente de vendas Latam pela Innovatec Hatchery Automation BV, concentrou sua análise onde a tecnologia gera impacto direto sobre a qualidade do pintinho, a biosseguridade e a eficiência operacional. Em um cenário marcado pela escassez de mão de obra, aumento dos custos de produção, pressões sanitárias e necessidade de maior produtividade, o especialista defendeu que a automação deixou de ser apenas uma alternativa para redução de custos e passou a ser uma ferramenta estratégica para garantir padronização, rastreabilidade e escalabilidade dos incubatórios.

Sandro Leite (Foto: agriNews Brasil)
“Hoje, praticamente tudo dentro do fluxo logístico do incubatório pode ser automatizado. Estamos falando de atividades repetitivas, e toda atividade repetitiva é passível de automação. A questão não é mais o que pode ser automatizado, mas qual nível de interferência humana o incubatório deseja manter no processo”, afirmou.
O especialista destacou, no incubaFÓRUM 2026, que os maiores ganhos estão concentrados em duas etapas críticas, o manuseio dos ovos e a transferência aos 18 dias. Segundo ele, a automação reduz a manipulação excessiva, minimiza danos físicos aos ovos e cria condições para um controle de qualidade muito mais abrangente. “Não precisamos trabalhar apenas com inspeções por amostragem. Sistemas automatizados conseguem identificar ovos trincados, sujos, câmaras de ar mal posicionadas e outros desvios, em 100% do lote”, explicou.
Durante a transferência, Sandro ressaltou o potencial da ovoscopia automatizada para identificar embriões vivos, ovos claros, mortalidade embrionária e ovos contaminados.
“Quando removemos embriões mortos e ovos contaminados antes da transferência, eliminamos fontes importantes de contaminação. O resultado aparece no 21º dia, com pintinhos mais limpos, menor pressão microbiológica e melhores condições sanitárias para todo o lote”, destacou.
Ao avaliar a viabilidade econômica dos investimentos, Leite relacionou a automação diretamente aos desafios apresentados na palestra de Jucimara Ticiano, que tratou da fragilidade na gestão de pessoas nos incubatórios. Para ele, os custos associados ao absenteísmo, rotatividade, treinamento e baixa disponibilidade de mão de obra tornam a tecnologia cada vez mais competitiva.
O vírus mudou: A biosseguridade nos incubatórios evoluiu ou continua baseada em achismos?
Paulo Raffi, sócio-proprietário da plataforma biosseguridade.com, consultor da Bender & Raffi Serviços Veterinários, chamou atenção para o aumento da pressão ambiental da Influenza Aviária em aves silvestres. Segundo dados apresentados durante sua palestra, registros globais da doença em aves silvestres cresceram 235% nos seis primeiros meses da atual onda epidemiológica, em comparação ao ciclo anterior, demonstrando que a exposição ao vírus está cada vez mais intensa.

Paulo Raffi (Foto: agriNews Brasil)
“O risco sanitário da avicultura não diminuiu; ele aumentou e se tornou mais complexo. Hoje não basta ter procedimentos escritos ou infraestrutura adequada. É preciso medir, quantificar e gerenciar o risco continuamente”, destacou Paulo Raffi.
Raffi também apresentou estudos internacionais que quantificam fatores de risco para a introdução da doença nas granjas. Entre eles, o compartilhamento de equipamentos apresenta risco de 29,4%, enquanto a presença de moscas e cascudinhos pode elevar o potencial de disseminação para cerca de 30%.
“Quando somamos visitantes, roupas, botas e compartilhamento de equipamentos, percebemos que o ser humano continua sendo o principal vetor de disseminação. Por isso, biosseguridade não é apenas estrutura física; é comportamento, monitoramento e disciplina operacional”, ressaltou.
Paulo defendeu o uso de avaliações de risco, indicadores de desempenho, auditorias periódicas e ferramentas de inteligência artificial para acelerar análises, gerar rankings de unidades produtivas e direcionar investimentos para os pontos mais vulneráveis.
“A empresa que transforma a biosseguridade em inteligência operacional ganha proteção sanitária, sustentabilidade produtiva e vantagem competitiva.”, concluiu Raffi.
Casca protegida ou incubatório contaminado? A batalha invisível começa nos primeiros minutos após a postura
Luciano Keske, consultor técnico na área de avicultura, destacou que a desinfecção dos ovos férteis não pode ser analisada isoladamente, mas como parte de um sistema que começa no manejo da granja. Segundo ele, a qualidade do pintinho é construída a partir da qualidade do ovo enviado ao incubatório.
Ninhos limpos, troca periódica da cama, coleta frequente, entre seis e oito vezes ao dia, e rigor na higiene das mãos, bandejas e equipamentos são medidas que determinam o nível de contaminação que acompanhará o embrião durante todo o processo de incubação.

Luciano Keske (Foto: agriNews Brasil)
“Um ovo recém-posto apresenta cerca de 300 bactérias por centímetro quadrado na superfície da casca. Já um ovo sujo pode ultrapassar 300 mil bactérias por centímetro quadrado”, afirmou.
O especialista explicou que a contaminação pode ocorrer tanto de forma vertical, durante a passagem pelo trato reprodutivo da ave, quanto horizontalmente, pelo contato com cama contaminada ou superfícies inadequadas, dando margem aos agentes virais mais temidos em incubatórios, como Pseudomonas, Escherichia coli, Salmonella, Mycoplasma e Aspergillus fumigatus.
Keske falou de métodos preventivos, por exemplo, com os resultados de monitoramento microbiológico em que a contagem de 128 unidades formadoras de colônia foi reduzida para apenas uma após o processo de fumigação.
A recomendação final foi objetiva: desinfetar os ovos imediatamente após a coleta, preservar a integridade da cutícula e evitar oscilações de temperatura durante o armazenamento para proteger o potencial biológico do embrião e maximizar a qualidade do pintinho de um dia.
Do diagnóstico à decisão: a incubação entra na era da inteligência operacional
O encerramento do incubaFÓRUM 2026 reforçou o prognóstico de que a incubação moderna deixou de ser uma operação focada exclusivamente em nascimento, para se tornar um centro estratégico de gestão de dados, biosseguridade, qualidade e tomada de decisão.
Em sua análise final, o embaixador do evento, Adriano Bailos, destacou que a eficiência futura dos incubatórios dependerá cada vez mais da capacidade de transformar informações técnicas em ações corretivas rápidas e precisas.

Adriano Bailos (Foto: agriNews Brasil)
Temas como análise embrionária, automação, inteligência artificial, monitoramento sanitário e desenvolvimento de equipes convergiram que produzir mais já não é suficiente; é preciso produzir com previsibilidade, rastreabilidade e controle.
A palestra de encerramento do incubaFÓRUM 2026 traduziu esse conceito de forma prática ao demonstrar que a análise embrionária precisa deixar de ser um procedimento burocrático para assumir seu papel como ferramenta de investigação das causas das perdas. Segundo Bailos, a lição deixada é a defesa de processos mais simples, objetivos e orientados à tomada de decisão, considerando que os diagnósticos estão avançados, agora é se abrir às inovações e automações e colocar a mão na massa. O futuro da incubação pertence às empresas capazes de unir ciência, tecnologia e interpretação crítica dos dados para transformar informação em desempenho produtivo.
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