O comércio mundial de mercadorias deverá cair entre 13 e 32% em 2020 devido à pandemia do novo coronavírus, COVID-19. A informação foi divulgada em coletiva à imprensa nesta quarta-feira (8/4), pelo Diretor Geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo.
“À luz da incerteza sobre a duração precisa e o impacto econômico da pandemia, as previsões são inevitavelmente baseadas em fortes suposições”, afirmou Azevêdo. “Como resultado, nossos economistas desenvolveram dois cenários plausíveis em vez de seu conjunto único de números usual”, completou.
Em um cenário otimista, os economistas da OMC apontam uma queda de 13% no volume do comércio global de mercadorias em 2020, comparado a 2019. Em caso de a pandemia não ser controlada e os governos não implementarem e coordenarem respostas políticas eficazes, o declínio poderá ser de 32% – ou mais.
“Mais uma vez, deixe-me enfatizar que todas essas projeções são altamente incertas, dado o grande número de fatores desconhecidos em jogo aqui”, destacou Azevêdo. “Por exemplo, as tensões no mercado de crédito estão afetando a disponibilidade de financiamento comercial”, completou.
O volume de comércio de mercadorias já havia caído 0,1% em 2019, pressionado pelas tensões comerciais e pela desaceleração do crescimento econômico. O valor em dólar das exportações mundiais de mercadorias, por sua vez, havia caído 3%, para US $ 18,89 trilhões.
“Mesmo antes do registro do primeiro caso COVID-19, não estávamos aproveitando ao máximo o potencial do comércio para impulsionar o crescimento”, salientou o Diretor Geral. “Esta nova previsão que estamos emitindo hoje confirma que o comércio global de mercadorias estava caindo em um ritmo significativo no último trimestre de 2019″, completou.
A expectativa é de recuperação do comércio em 2021, caso a pandemia seja controlada rapidamente e as políticas corretas estejam em vigor. Segundo Azevêdo, uma forte recuperação depende de as políticas fiscal, monetária e comercial seguirem na mesma direção, dando às empresas e às famílias razões para acreditar que a pandemia foi um choque econômico temporário único.
“Uma virada para o protecionismo introduziria novos choques em cima daqueles que estamos enfrentando atualmente”, salientou. “Manter os mercados abertos ao comércio e investimento internacionais ajudaria as economias a se recuperarem mais rapidamente”, completou.
Quase todas as regiões sofrerão quedas de dois dígitos nos volumes comerciais em 2020, com as exportações da América do Norte e Ásia mais atingidas. O comércio provavelmente cairá mais acentuadamente em setores com cadeias de valor complexas, principalmente produtos eletrônicos e automotivos.
“Se os países trabalharem juntos, veremos uma recuperação muito mais rápida do que se cada país fizer isso sozinho”, concluiu.