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Os segredos do manejo de inverno sob o olhar de quem está no campo

Escrito por: Angela Oliveira Lebacheviski - Granja Oliveira , Dionatan Lebacheviski - Granja Oliveira , Tainara Euzébio - Zootecnista - Doutora em Produção animal e Coordenadora técnica e redatora aviNews Brasil
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Os segredos do manejo de inverno sob o olhar de quem está no campo

Tainara Dornelas Coordenadora Técnica aviNews Brasil e Granja Oliveira

Com a chegada das baixas temperaturas, a avicultura de corte enfrenta um dos seus períodos mais desafiadores. No chão de fábrica — ou melhor, no chão do galpão —, o inverno exige do avicultor uma precisão cirúrgica: 

Como proteger as aves do frio lá fora sem transformar o ambiente interno em uma armadilha de gases e umidade?

No “Papo de Granja” dessa edição, conversamos com os especialistas da Granja Oliveira, profissionais que vivem o dia a dia da produção e compartilharam suas estratégias reais para vencer os desafios climáticos desta estação.

O Desafio da Madrugada e o Mito do “Abafamento”

O erro mais comum no inverno, segundo a equipe da Granja Oliveira, nasce justamente do medo do frio. Na tentativa de proteger o lote, muitos produtores ventilam o menos possível, focando apenas no termômetro. É aí que mora o perigo. Sem renovação, a amônia, o CO e a umidade acumulam rapidamente na altura da cama, prejudicando o lote.

“Nossa lógica não é escolher entre renovar o ar ou manter o calor; é fazer os dois ao mesmo tempo de forma controlada”, explicam os produtores. Na prática, a granja trabalha com a ventilação mínima em ciclos, ajustando os tempos de liga/desliga para renovar o ar completamente, sem resfriar as aves.

O grande segredo está em entender a diferença entre a temperatura do termômetro e a sensação térmica real do animal: se houver vento direto batendo no pintinho, para ele, aquilo é frio, não importa o que diz o painel.

Os segredos do manejo de inverno sob o olhar de quem está no campo

Já durante a madrugada onde as temperaturas caem mias ainda, o “truque”, na verdade, resume-se a uma rotina rígida. Na granja Oliveira o frio não dispensa o cuidado: é preciso ir ao galpão pelo menos uma vez durante a noite para ouvir, olhar o comportamento das aves (se estão amontoadas ou espalhadas) e medir a amônia na altura da cama. Além disso, a antecipação é fundamental: a equipe intensifica o aquecimento antes do horário mais crítico da madrugada, impedindo que a cama e as aves percam calor precocemente.

A intenção é a mesma: proteger as aves do frio extremo evitando assim as perdas produtivas e melhorando o bem-estar, mas, existem dois cenários na produção de frangos de corte.

COMEÇO x FINAL DE LOTE

Nos primeiros dias, o desafio é o equilíbrio em uma linha muito fina. O pintinho ainda não regula sua própria temperatura e precisa de calor, mas o excesso de vedação acumula gases justamente na fase em que seu sistema respiratório está se formando. Por outro lado, o excesso de ventilação para retirar os gases acaba ressecando o galpão e “brigando” com o sistema de aquecimento.

“É uma linha muito fina, e é fácil errar pra qualquer um dos dois lados.”

Para vencer essa etapa, o manejo que já é comum nos aviários se intensifica: a granja Oliveira aposta em um pré-aquecimento pesado da cama antes do alojamento (já que a cama fria rouba o calor da ave a noite toda), além de um excelente vazio sanitário e manejo de muretas, afastando a cama úmida das bordas pelo menos duas vezes.

Os segredos do manejo de inverno sob o olhar de quem está no campo

A estratégia na equipe também inclui:

Nos dias finais o jogo vira. A ave tá pesada, produz muito calor e muita umidade.

O desafio deixa de ser o aquecimento e passa a ser tirar umidade e calor sem criar corrente de ar frio. 

Trabalhar muito bem a transição e a ventilação tipo túnel, e nos momentos mais quentes do dia ventilar muito bem, assim o mesmo vale quando as aves estão dormindo.

“É assim que retiramos a umidade do ambiente e ajudamos a secar a cama, e quando necessário realizamos o revolvimento da cama, além de manter um pressão correta nas linhas de nipple e a altura do mesmo, para cada fase do frango.

A Arte de Manter a Cama Seca

Se no verão a preocupação é o estresse térmico, no inverno a “arte” é evitar o empastramento da cama. Na Granja Oliveira, esse sucesso começa antes mesmo do lote chegar, com um intervalo sanitário impecável.

    “Se conseguimos entrar com uma cama bem seca no alojamento, o manejo dela se torna muito mais simples”, revelam.

Com o lote alojado, o trabalho com o triturador de cama motorizado é feito de forma estratégica: apenas uma vez por semana (cerca de 4 batidas ao todo no lote) e focando nos pontos críticos, minimizando o estresse dos animais. O restante do trabalho é feito via ambiência (ventilação e aquecimento), controle de superlotação perto das entradas de ar e vigilância constante sobre os comedouros e linhas de nipple, mantendo a pressão e a altura corretas para cada fase do frango. Em caso de vazamentos isolados, a regra é clara: cercar o local, retirar o material úmido e aplicar maravalha nova para absorção.

A Dica de Ouro do “Expert”

Para encerrar, os produtores da Granja Oliveira deixam um alerta importante para o mercado: no inverno, ventilar é tão importante quanto aquecer.

Eles lembram que muitas vezes o erro está no mais básico: O frango, mesmo jovem, elimina umidade o tempo todo pela respiração e pelas excretas. Ignorar isso achando que a cama começará e terminará o lote seca apenas por causa do vazio sanitário é um erro que custa caro, resultando em calos de pata (pododermatite), artrites e condenações no frigorífico.

Pintinho ou frango pesado, ele coloca umidade dentro do aviário o tempo todo. Aí o que acontece não ventila o suficiente, a amônia sobe, o CO sobe, e a cama que muitas vezes começou seca, num vazio sanitário bem feito vai umedecendo durante o lote. O avicultor pensa “mas eu iniciei com cama seca, fiz um intervalo sanitário bom.” Iniciou seca, sim, mas estragou no meio do lote. Por quê? Não ventilou o necessário.

Criar no inverno — especialmente nas regiões mais frias, como o Sul do país — exige um custo um pouco mais elevado com o aquecimento e uma atenção redobrada quando o clima externo também está úmido. Contudo, o segredo do sucesso está na dosagem: acertar as taxas de renovação e os ciclos garante que a ave tenha ar limpo para respirar e que a produção mantenha seus índices de rentabilidade e bem-estar animal do início ao fim.

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