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Países e organizações traçam estratérgias de ações contra influenza aviária

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A disseminação da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP/H5N1) continua levando governos a ampliar estratégias de prevenção e resposta diante dos impactos sobre a avicultura, a fauna silvestre e a segurança alimentar. Nos últimos dias, Nigéria e Nova Zelândia anunciaram medidas inéditas para enfrentar a doença, cada uma voltada às características epidemiológicas e ambientais de seu território.

Enquanto a Nigéria lançou, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), um programa de US$ 350 mil para fortalecer a vigilância, o diagnóstico e a resposta rápida aos surtos, a Nova Zelândia iniciou a vacinação de aves silvestres criticamente ameaçadas de extinção após confirmar os primeiros casos de H5N1 no país.

Embora as iniciativas tenham objetivos distintos, ambas refletem uma tendência observada globalmente, a de ampliar as ações de biosseguridade, vigilância epidemiológica e preparação para uma enfermidade que, desde sua expansão internacional, passou a representar um desafio crescente para a produção animal, a biodiversidade e a saúde pública.

Nigéria aposta em vigilância, diagnóstico e capacitação

O governo federal da Nigéria anunciou o lançamento do projeto, Programa de Cooperação Técnica da FAO para o Fortalecimento da Preparação, Detecção e Resposta à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, iniciativa financiada pela agência das Nações Unidas com investimento de US$ 350 mil.

Foto: FAO – O Representante da FAO, Dr. Hussein Gadain, e o Ministro do Desenvolvimento Pecuário, Alhaji Idi Mukhtar Maiha, durante a assinatura formal do documento do projeto FAO-TCP para apoio emergencial à Influenza Aviária Altamente Patogênica (IAAP) em Abuja.

Segundo o Ministério Federal do Desenvolvimento da Pecuária do país africano, o projeto será implementado inicialmente em sete estados-piloto e contempla o fortalecimento da vigilância epidemiológica, ampliação da capacidade diagnóstica dos laboratórios, melhoria da biosseguridade, intensificação da comunicação de riscos e aperfeiçoamento da coordenação institucional dentro da abordagem One Health (Saúde Única).

Durante o lançamento, o ministro Idi Maiha destacou que a avicultura permanece estratégica para a economia e para a segurança alimentar do país, mas continua altamente vulnerável às doenças animais transfronteiriças.

“A indústria avícola continua sendo um componente essencial do setor pecuário da Nigéria. No entanto, ela segue ameaçada por doenças animais transfronteiriças, especialmente pela Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, que representa um desafio recorrente desde seu primeiro registro no país, em 2006”, afirmou.

O ministro observou que o recrudescimento da doença desde 2021 vem afetando produtores de diferentes portes, reduzindo a oferta de alimentos e dificultando o acesso aos mercados internacionais.

“Esta intervenção está perfeitamente alinhada com a Estratégia de Aceleração do Crescimento da Pecuária do Governo Federal (2025-2035), que visa aumentar a contribuição da pecuária para o nosso PIB para US$ 74 bilhões até 2035. Por ora, adotamos uma política de “Não Vacinação” por meio de vigilância e biossegurança reforçadas, até que a ciência prove o contrário. Além disso, estamos construindo um sistema resiliente, capaz de atender aos padrões internacionais para exportação de carne e aves, e, portanto, o ministério está empenhado em garantir que os frutos deste Programa de Controle de Pecuária (PCP) se estendam para além de sua duração”, disse Maiha, durante anúncio na FAO (junho de 2026).

Capacitação de profissionais e agilidade da resposta

Ao discursar no lançamento, o Representante da FAO na Nigéria e na CEDEAO, Dr. Hussein Gadain, observou que o programa reflete o compromisso da FAO em fortalecer os sistemas integrados de Saúde Única na Nigéria.

“Priorizar a saúde animal é essencial para o crescimento sustentável. Ela está no cerne de uma abordagem integrada que conecta o bem-estar das pessoas, dos animais e do nosso meio ambiente para prevenir ameaças emergentes. Ao aprimorarmos nossos sistemas de alerta precoce, não estamos apenas protegendo a avicultura, a saúde pública e as economias rurais de hoje, estamos consolidando um sistema alimentar forte o suficiente para resistir a crises futuras e apoiar aqueles que mais precisam, especialmente os pequenos agricultores.”

Além dos treinamentos, a iniciativa apoiará o desenvolvimento de ferramentas preditivas para antecipar riscos e melhorar a capacidade de resposta do país. A secretária permanente do ministério, Dr. Chinyere Ijeoma Akujobi, representada pelo diretor veterinário-chefe da Nigéria, Dr. Samuel Anzaku, alertou em uma entrevista ao site nigeriano Punchng.com,  que a epidemiologia da doença vem se modificando.

“A epidemiologia da doença evoluiu, com surtos atingindo atualmente diversas espécies de aves. As granjas de poedeiras continuam sendo o segmento mais severamente afetado, provocando perdas econômicas expressivas e impactos em toda a cadeia produtiva avícola.”

Segundo o ministério, a Nigéria registrou, em 2026, focos confirmados de IAAP nos estados de Kebbi, Kano, Katsina, Plateau e Bauchi, reforçando que a enfermidade continua sendo uma ameaça significativa para a produção avícola nacional.

Nova Zelândia inicia vacinação inédita em aves ameaçadas

Enquanto a Nigéria concentra esforços para proteger sua produção avícola, a Nova Zelândia adotou uma estratégia voltada à conservação da biodiversidade. Após se confirmar dois casos de H5N1 em aves silvestres no continente, o governo iniciou a vacinação de aproximadamente 300 casais pertencentes a cinco espécies criticamente ameaçadas, em uma ação coordenada pelo Departamento de Conservação (DOC).

O arquipélago abriga algumas das aves mais singulares do planeta, resultado de milhões de anos de evolução em um ambiente praticamente livre de grandes predadores mamíferos. Entre elas estão o kākāpō, papagaio noturno incapaz de voar, o takahē e o emblemático kiwi. Segundo o ministro da Biosegurança, Andrew Hoggard, durante entrevista ao site ucraniano mezha.net, proteger essas espécies é uma prioridade nacional.

“Essas aves existem apenas na Nova Zelândia. Elas não vivem em nenhum outro lugar do mundo, por isso isso é tão importante para nós.”

Foto: mazha.net – A Dra. Kate McInnes vacina um takahe em Willowbank, Christchurch, Nova Zelândia, em nome do Departamento de Conservação.

 

Vigilância reforçada e medidas de biosseguridade

Autoridades neozelandesas vêm monitorando milhares de aves ao longo do último ano. Apesar de apenas duas infecções terem sido confirmadas até o momento, diversas ações preventivas já foram implementadas. Entre elas, estão o confinamento temporário de aves mantidas por criadores, a suspensão de atividades com contato direto entre visitantes e pinguins em zoológicos e a orientação para que a população não manipule aves encontradas mortas. Segundo a especialista Mary van Andel, ao Mezha, ainda não é possível prever o impacto da doença sobre as espécies nativas.

“Algumas espécies podem praticamente não ser afetadas, enquanto outras poderão sofrer mortalidade em massa.”

Conservação e produção diante da mesma ameaça

A influenza aviária também motivou novas medidas em áreas de conservação. Na colônia de Ōamaru, onde vivem cerca de 700 pequenos pinguins-azuis, foi implantada a desinfecção obrigatória dos calçados dos visitantes para reduzir o risco de introdução do vírus. “Introduzimos essas medidas para proteger as aves”, afirmou Philippa Agnew, gerente científica e ecológica da Ōamaru Penguins, ao Mezha.

Segundo ela, ainda é impossível estimar o impacto que a doença poderá causar sobre espécies endêmicas.

“Os pequenos pinguins ocorrem apenas na Nova Zelândia e na Austrália. Ainda não sabemos qual poderá ser a dimensão dos impactos.”

Para Andrew Hoggard, a circulação do vírus exige uma mudança permanente na estratégia de conservação. Ele veio para ficar. Nosso desafio será ajudar nossas espécies a se adaptarem melhor a essa nova ameaça.”

A resposta global à IAAP ganha novas frentes

Embora enfrentem realidades distintas, Nigéria e Nova Zelândia ilustram como a resposta mundial à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade está se tornando cada vez mais abrangente. Na Nigéria, o foco está em proteger a cadeia produtiva, fortalecer os serviços veterinários oficiais e reduzir os impactos econômicos da enfermidade. Já na Nova Zelândia, as ações concentram-se na preservação de espécies únicas da fauna mundial, utilizando a vacinação como ferramenta de conservação.

Em ambos os casos, as estratégias têm como pilares a vigilância epidemiológica, a biosseguridade, a cooperação interinstitucional e a abordagem One Health, reforçando que o enfrentamento da influenza aviária exige ações integradas entre saúde animal, saúde humana e conservação ambiental.

Fontes primárias: Ministério Federal do Desenvolvimento da Pecuária da Nigéria (Federal Ministry of Livestock Development); Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO); Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DOC); declarações oficiais reproduzidas pela CNN.

Com pesquisa, edição e adaptação da redação aviNews Brasil.

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