Produção de Pintinhos Saudáveis Pontos importantes da Biosseguridade e da Higiene em Incubatórios – Parte II
A produção avícola tem avançado rumo a sistemas cada vez mais restritivos no uso de antibióticos, priorizando práticas conservadoras e moléculas que não impactem a saúde humana. Nesse contexto, a biosseguridade se torna essencial para prevenir, controlar e limitar a exposição a agentes bacterianos, virais e parasitários ao longo de toda a cadeia produtiva.
Após abordarmos os fundamentos da sanidade e da higienização na Parte I deste conteúdo, agora avançamos para práticas complementares como monitorias, capacitação de equipes e estratégias alternativas ao uso de antibióticos.
Monitorias
Os incubatórios devem realizar monitorias de forma continuada a fim de avaliar a eficácia das práticas de limpeza e desinfecção e verificar se os níveis de contaminação estão sob controle e pontos críticos de contaminação:
Um dos principais problemas sanitários nos incubatórios é a contaminação bacteriana no qual pode ser transmitido de duas formas:
- transmissão vertical (matrizes – ovos – pintinho) ou
- transmissão horizontal, onde os microrganismos podem se disseminar dentro das incubadoras e/ou nascedouros pela movimentação de ar, entre pintinhos (mecônios/penugens/casca), materiais (bandejas de incubação, caixas de eclosão, caixas de transporte de pintos) contaminados.
Os pontos de controle críticos dos processos têm que ser estabelecidos para evitar as possíveis contaminações cruzadas dentro do processo.
Produção de Pintinhos Saudáveis Pontos importantes da Biosseguridade e da Higiene em Incubatórios – Parte II
Dentre os pontos de contaminação cruzada temos a rastreabilidade dos ovos e pintinhos e a parte de material como bandejas de ovos, bandejas de incubação, bandejas de eclosão e caixas de pintos. Na figura 1 temos dois cenários:
1º em vermelho: representa a rastreabilidade de quando há algum problema em lote de matrizes e este já é manipulado com mais cuidado desde a classificação dos ovos, cuidado na escolha da incubadora até a expedição dos pintinhos com escolha dos produtores.
2º em azul: representa uma contaminação cruzada no processo do incubatório quando há falha no processo de higienização e a contaminação pode se disseminadas tanto para as matrizes, por meio de bandejas de ovos, incubação, caixas de ovos ou para pintinhos que vai para frango de corte por meio de bandejas de eclosão, caixa de transporte de pintos, incubadoras ou nascedouros.
Educação continuada
A planta de incubação deve manter um programa contínuo de treinamento, com foco especial nos procedimentos de limpeza e desinfecção, destinado tanto aos novos colaboradores quanto à reciclagem dos mais experientes.
Os treinamentos devem ser conduzidos em linguagem simples, preferencialmente de forma expositiva e com atividades práticas, sempre que possível, para facilitar a compreensão das tarefas e reforçar a importância de sua execução correta, já que falhas podem resultar em prejuízos significativos.
As pessoas são mais comprometidas com o sucesso quando se sentem parte do todo e entendem o papel fundamental de cada um nas tarefas.
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Estratégias alternativas
A utilização de antibióticos como profilaxia em pintinhos recém-eclodidos tem sido progressivamente descontinuada, em virtude da crescente preocupação com o desenvolvimento de resistência bacteriana e coma saúde pública.
Nesse contexto, torna-se imprescindível uso de alternativas e tecnologias mais eficazes para a prevenção de enfermidades. Dentre as estratégias substitutivas, destacam-se:
- O uso de prébiotico, probióticos ou simbióticos nos pintinhos ao nascimento antes de serem expedidos ao campo. O uso destes aditivos tem por objetivo ajudar na colonização precoce do intestino com bactérias benéficas para a flora aviária que vão ajudar a modular o sistema imune e também promover uma melhora da integridade intestinal, tendo como resultado um melhor desempenho zootécnico.
- Estudo de programas vacinais conforme os desafios de cada região. Bons programas vacinais promovem a melhora da imunidade materna e consequentemente para progênies e uso de vacinas nos pintinhos recém nascidos conforme os desafios da região.
- Melhorias no manejo e biosseguridade. Adoção de boas práticas de manejo, controle ambiental rigoroso e programas de limpeza e desinfecção bem estruturados para reduzir a pressão de infecção no ambiente de incubação.
- Boas práticas no manejo de alojamento, com acesso a nutrição balanceada, água e temperatura adequada.
Para isso, é essencial que os processos anteriores à chegada dos ovos ao incubatório sejam rigorosamente controlados, e que os protocolos de biosseguridade sejam devidamente implementados, monitorados e mantidos de forma contínua dentro da planta de incubação.
A correta aplicação dessas medidas é fundamental para prevenir contaminações e assegurar que o produto final – o pintinho – não seja comprometido.
Produção de Pintinhos Saudáveis Pontos importantes da Biosseguridade e da Higiene em Incubatórios – Parte II | Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor
