A Salmonela destaca-se como um dos mais importantes patógenos veiculados por alimentos, devido ao fato de estar amplamente distribuída na natureza, possuir um grande número de reservatórios, apresentar sorotipos inespecíficos quanto aos hospedeiros e apresentar cepas multirresistentes aos antibacterianos (BERSOT, 2006).
Dentre os sorotipos, a Salmonella Heidelberg é um agente de infecção alimentar em humanos, cujos casos de isolamento em aves e derivados têm aumentando consideravelmente nos últimos anos, especialmente em lotes de frangos de corte e matrizes (RAGHIANTE, et al, 2010).
Embora a Salmonella Heidelberg não esteja entre os sorotipos de salmonelas cujo controle é oficialmente preconizado pelo PNSA (Plano Nacional de Sanidade Avícola) do Ministério da Agricultura, ela deve, obrigatoriamente, ser controlada com a mesma atenção e esforço dedicados às Salmonella Enteritidis, Typhimurium, Pullorum e Gallinarum (SESTI, 2010).
ALTERNATIVA AOS ANTIMICROBIANOS
A proibição dos antimicrobianos melhoradores de desempenho pela União Européia em 2006 (Regulamento (CE) No 1831/2003), colocou um novo desafio à avicultura, que veio reforçar a necessidade da busca de alternativas para estes produtos.
Entre estas alternativas, encontram-se os probióticos: suplementos alimentares compostos por flora microbiana viva, que afetam beneficamente o hospedeiro, melhorando o seu balanço intestinal.
ESTUDOS
Conhecendo a necessidade e a dificuldade de controlar a Salmonella Heidelberg em nossos plantéis, realizamos um experimento nas instalações do laboratório MercoLab, em Cascavel (PR), para comprovar a eficácia do probiótico FloraMax – B11TM, da Vetanco Brasil, constituído por 11 cepas de Lactobacillus, selecionados por sua capacidade de controlar enterobactérias em frangos, perus, matrizes e avós.
No experimento foram alojados pintainhos de um dia, provenientes de matrizes da linhagem Cobb, separados em 4 grupos com 4 tratamentos (Tabela 1), distribuídos em salas separadas.
Tanto a cama, quanto o ambiente foram amostrados para isolamento de Salmonella spp. antes do início do experimento.
Foi utilizada ração padrão de período inicial e não houve adição de produtos antimicrobianos. As amostras de ração foram avaliadas para presença de Salmonella spp. antes do início do experimento.
O desafio foi realizado com uma cepa de Salmonella Heidelberg isolada de campo na diluição de 1×106 (1.000.000 UFC/mL). Esta amostra foi tornada resistente a antibióticos (ácido nalidíxico e novobiocina).
14 DIAS
Aos 14 dias de idade, as aves foram avaliadas individualmente realizando a coleta dos cecos para contagem de Salmonella Heidelberg. O isolamento e a identificação de Salmonella spp. foram feitos de acordo com a Portaria no 126 do MAPA. Os resultados da contagem em unidade formadora de colônia (UFC) por grama de fezes cecais seguem na Tabela 2.
Os resultados expressos com 0 (zero) indicam o limite de detecção da técnica utilizada (<1,0 x 102, que pode ser considerado negativo, ou contagem inferior a 100 UFC/g).
RESULTADOS
O FloraMax – B11TM demonstrou ser eficiente no controle de Salmonella Heidelberg, especialmente quando utilizado dentro do protocolo do Grupo 4, onde foram usadas:
3 doses do produto,
1 dose no alojamento e
2 doses antes do abate.
Demonstrando a grande importância do uso do probiótico nos períodos neonatais (incubatório), ou no momento do alojamento dos pintainhos.
Com este protocolo, 85% das amostras foram negativadas. Tomando como parâmetro de comparação o Grupo 1 (Controle Positivo), que apresentou 90% de positividade.
CONCLUSÕES
O fornecimento de FloraMax – B11TM via spray no incubatório, juntamente com as vacinas de rotina (Bronquite Infecciosa e Coccidiose), se torna o método mais indicado pela praticidade e confiabilidade na implantação de uma microbiota intestinal protetora nos primeiros momentos de vida das aves.
Aplicação de FloraMax – B11TM via spray no incubatório, associado à vacina de bronquite.
REFERÊNCIAS
BERSOT, L.S. Salmonella no Brasil: sua importância no abate de aves. Santa Maria. Anais do V Simpósio de Sanidade Avícola da UFSM. 2006.
RAGUIANTE, F., et al. Tempo de penetração da Salmonella Heidelberg através da casca de ovos comerciais brancos e vermelhos. Vol. 12. Revista Brasileira de Ciência Avícola. 2010.
SESTI, L. Tempo de penetração da Salmonella Heidelberg através da casca de ovos comerciais brancos e vermelhos. Caderno Saúde Avícola. Disponível em: http://www.uniquimica.com/intranet/arq_dept/dept_arq_23022011-120116. pdf. Acesso em: 01 dez. 2012. 2010.
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