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Santa Catarina amplia produção de frangos e mantém boa posição nas exportações

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Exportação de frango bate recorde em 2022

O mercado brasileiro de carne de frango segue sustentado por um cenário de produção elevada, disponibilidade de grãos para alimentação animal e desafios relacionados ao equilíbrio entre oferta, demanda e preços. O panorama consta no Boletim da Agropecuária, divulgado em junho de 2026 pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Cepa). Segundo o documento, a cadeia avícola nacional mantém trajetória de crescimento, favorecida pela competitividade do setor e pelo comportamento dos principais fatores que influenciam os custos de produção.

Em Santa Catarina, um dos principais polos avícolas do país, o desempenho da atividade permanece associado ao ritmo das exportações, aos custos de produção e ao comportamento da demanda doméstica e internacional. Apesar dos fundamentos positivos da cadeia, o mercado interno ainda convive com pressão sobre as cotações, reflexo do equilíbrio entre oferta, demanda e preços praticados nos principais estados produtores.

Santa Catarina amplia produção e mantém protagonismo nas exportações

A avicultura brasileira segue apresentando crescimento produtivo em 2026, com destaque ao desempenho de Santa Catarina, um dos principais polos produtores e exportadores do país. Segundo dados apresentados no Boletim Agropecuário nº 157, elaborado pela Epagri/Cepa, o Estado produziu 307,6 milhões de frangos entre janeiro e abril deste ano, volume 3,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

No cenário nacional, os dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 3,7% na comparação anual. O resultado confirma a manutenção do ritmo de expansão da cadeia avícola brasileira.

Além do avanço produtivo, Santa Catarina mantém elevada participação no comércio internacional de carne de frango. Conforme dados apresentados no boletim da Epagri/Cepa, nos primeiros cinco meses de 2026, o Estado respondeu por 22,9% do volume e 24,9% das receitas obtidas pelo Brasil com as exportações do produto.

Mercado interno registra pressão sobre preços, mas custos permanecem equilibrados

Apesar do crescimento da produção e do desempenho exportador, os preços da carne de frango seguem pressionados. Conforme o acompanhamento de mercado da Epagri/Cepa, na primeira quinzena de junho, os valores do frango vivo apresentaram movimentos distintos entre os principais estados produtores: enquanto no Paraná houve valorização de 0,9% em relação ao mês anterior, em Santa Catarina ocorreu retração de 0,2%.

Na comparação em termos reais, corrigida pelo IGP-DI, frente a junho de 2025, os dois estados registraram quedas: -8,7% no Paraná e -4,6% em Santa Catarina.

No mercado de cortes, o cenário também foi de desvalorização anual. Todos os principais produtos analisados pela Epagri/Cepa apresentaram redução frente a junho de 2025: peito com osso (-17,0%), filé de peito (-13,6%), frango inteiro (-13,5%) e coxa/sobrecoxa (-13,3%). A retração média dos quatro cortes alcançou 14,4%.

A expectativa do setor é que eventos sazonais de maior consumo, como a Copa do Mundo, possam contribuir para melhorar o escoamento da produção no mercado interno e favorecer uma recuperação das vendas de carnes, especialmente de frango, afirma o boletim catarinense.

Relação com o milho favorece equilíbrio dos custos 

Mesmo diante da pressão sobre os preços, a relação de troca entre frango vivo e milho apresentou estabilidade na primeira metade de junho. De acordo com o boletim catarinense, a queda de 0,3% no preço médio estadual do milho no atacado foi compensada pelo recuo de 0,3% no preço do frango vivo.

Na comparação com junho de 2025, houve melhora para o produtor avícola: a quantidade necessária de frango vivo para adquirir uma saca de milho caiu 5,2%. Atualmente, são necessários 0,8 kg a menos de frango vivo para comprar uma saca de 60 kg do cereal.

O cenário de abastecimento de milho continua sendo um fator estratégico para a competitividade da cadeia. Segundo estimativas da Conab para a safra 2025/26, a produção brasileira do cereal está projetada em 140,5 milhões de toneladas, enquanto Santa Catarina permanece dependente de compras externas para atender à demanda das cadeias de produção animal, especialmente aves e suínos.

Exportações alcançam desempenho histórico em 2026

Dados de comércio exterior compilados pela Epagri/Cepa indicam que, em maio, o Brasil exportou 496,5 mil toneladas de carne de frango, volume 5,3% superior ao registrado em abril e 30,7% acima do mesmo mês de 2025. As receitas totalizaram US$ 990,9 milhões, alta de 7,6% frente ao mês anterior e de 37,8% na comparação anual.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o país embarcou 2,39 milhões de toneladas de carne de frango, com faturamento de US$ 4,62 bilhões, segundo o documento. O resultado representa crescimento de 9,0% em volume e 11,8% em valor frente ao mesmo período de 2025, configurando o melhor desempenho da série histórica de janeiro a maio.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras no período estão China (13,6%), Japão (10,7%), Arábia Saudita (9,2%) e Países Baixos (7,4%). A comparação anual também foi influenciada pela base reduzida de 2025, após o primeiro foco de influenza aviária em granja comercial registrado no Rio Grande do Sul naquele período.

Em Santa Catarina, os dados compilados pela Epagri/Cepa apontam que as exportações de maio somaram 113,9 mil toneladas, alta de 1,2% frente a abril e de 40,0% em relação a maio de 2025. As receitas chegaram a US$ 247,1 milhões, crescimento de 2,0% na comparação mensal e de 46,0% na comparação anual.

No acumulado de janeiro a maio, o Estado exportou 543,1 mil toneladas, com receita de US$ 1,15 bilhão. A recuperação dos mercados do Oriente Médio contribuiu para esse desempenho, com destaque para os Emirados Árabes Unidos e o Iraque. Entre os principais compradores no período estão Países Baixos (14,1%), Japão (11,2%), China (10,5%) e Arábia Saudita (9,3%).

Restrições da UE  ampliam desafios, mas não devem inibir mercado

O cenário internacional também trouxe um novo desafio para a cadeia avícola brasileira com a decisão da União Europeia de restringir as importações de produtos de origem animal, com impacto sobre os fluxos comerciais previstos para 2026.

Segundo informações apresentadas pela Epagri/Cepa, a medida está relacionada às exigências europeias sobre rastreabilidade, certificação e conformidade sanitária, incluindo critérios vinculados à política One Health e ao uso de antibióticos promotores de crescimento.

O impacto é relevante para Santa Catarina. Em 2025, conforme dados apresentados no boletim, o Estado exportou 99 mil toneladas para a União Europeia, com faturamento de US$ 341,10 milhões, sendo a carne de frango responsável por US$ 337,41 milhões desse montante.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o bloco europeu representou US$ 201,18 milhões e 60,6 mil toneladas em compras de produtos catarinenses. A necessidade de redirecionamento desses volumes poderá aumentar a disponibilidade de produto em outros mercados e exigir ajustes comerciais para evitar impactos sobre os preços internos.

 

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