A segurança alimentar global e o papel estratégico do Brasil na produção de proteínas estiveram no centro da Palestra Magistral: Perspectivas para a Avicultura Brasileira e a produção de ovos na atual conjuntura política, econômica e social, apresentada por Aldo Rebelo durante o Congresso de Ovos da APA 2026. O ex-ministro destacou que o futuro da avicultura brasileira depende não apenas da capacidade produtiva do setor, mas também das decisões políticas e institucionais do país.
Logo no início da apresentação, Rebelo enfatizou que o desenvolvimento do agronegócio está diretamente ligado ao desempenho nacional.
“Não haverá sucesso para a agricultura no insucesso do país. O sucesso da agricultura está ligado ao sucesso do Brasil”, afirmou.
Segundo o palestrante, a produção de alimentos ocupa posição central nas disputas geopolíticas contemporâneas. Para ele, a segurança alimentar sempre foi um elemento determinante nas relações internacionais e nos conflitos históricos. “O mundo pode viver sem muitas coisas, mas nunca conseguiu viver sem segurança alimentar”, ressaltou.
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Rebelo lembrou que organizações internacionais, como a FAO, apontam o Brasil como um dos países com maior potencial para ampliar a produção global de alimentos. De acordo com o ex-ministro, o país reúne três fatores essenciais para cumprir esse papel: abundância de recursos naturais, capacidade empreendedora dos produtores e avanço tecnológico no campo.
“O Brasil dispõe de terra, água, clima, produtores e conhecimento para ampliar a produção de alimentos e reduzir o risco de fome no mundo”, destacou.
Dentro desse contexto, a avicultura e a produção de ovos assumem papel estratégico. Rebelo lembrou que a expansão da produção de proteínas no Brasil transformou o acesso da população a alimentos de qualidade. Segundo ele, há poucas décadas produtos como frango e ovos eram raros na alimentação das famílias brasileiras.
Segurança alimentar: política, logística e disputas globais desafiam o futuro da avicultura brasileira
“Hoje um trabalhador pode atravessar a rua e comprar frango ou ovos para o almoço. Isso é uma conquista recente da agricultura brasileira”, afirmou.
Apesar do potencial produtivo, o ex-ministro alertou que o setor enfrenta obstáculos internos que limitam sua expansão. Entre eles estão entraves regulatórios, dificuldades de licenciamento ambiental, insegurança jurídica e carência de infraestrutura logística.
“O Brasil não é um país pobre. É um país riquíssimo, mas muitas vezes bloqueado por decisões internas que dificultam investimentos e produção”, afirmou.
A falta de infraestrutura também foi apontada como um dos gargalos que afetam diretamente o agronegócio. Rebelo destacou que projetos logísticos essenciais para o escoamento da produção frequentemente enfrentam atrasos ou paralisações por disputas institucionais.
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Segundo ele, essas limitações comprometem a competitividade brasileira justamente em um momento em que a demanda global por alimentos cresce de forma consistente.
Ao longo da palestra, o ex-ministro também criticou o uso de agendas ambientais e sanitárias como instrumentos de proteção comercial em disputas internacionais. Para ele, muitas dessas medidas funcionam como barreiras indiretas contra países competitivos na produção de alimentos.
Segurança alimentar: política, logística e disputas globais desafiam o futuro da avicultura brasileira
Mesmo diante desses desafios, Rebelo avaliou que o Brasil possui uma oportunidade histórica de consolidar sua posição como potência alimentar global.
“A segurança alimentar é uma forma de projeção de poder no mundo. Quem produz alimento tem importância estratégica no cenário internacional”, afirmou.
Ao encerrar sua participação no Congresso de Ovos da APA 2026, o palestrante destacou que o país precisa valorizar e apoiar os produtores rurais, responsáveis por garantir o abastecimento alimentar da população.
“Produzir alimento é uma das atividades mais importantes para qualquer sociedade”, concluiu.
