Seleção para Robustez: Avanços na Saúde, Bem-Estar e Produtividade dos Frangos de Corte
A indústria avícola enfrenta um momento desafiador. Por um lado, precisa atender à crescente demanda global por proteína; por outro, deve cumprir exigências regulatórias e sociais relacionadas ao bem-estar animal. Nesse cenário, a saúde e a robustez dos frangos de corte tornaram-se fatores fundamentais, influenciando diretamente a produtividade e a sustentabilidade da cadeia avícola.
Por muitos anos, os programas de melhoramento genético focaram em características relacionadas ao desempenho zootécnico, como taxa de crescimento e conversão alimentar. No entanto, a abordagem moderna também considera características que promovem a saúde e a adaptabilidade, equilibrando eficiência produtiva e bem-estar animal, sem comprometer a viabilidade econômica da produção.
Robustez significa que um frango de corte pode permanecer saudável e com bom desempenho em diferentes ambientes de produção. Isso inclui ter um sistema imunológico forte, capacidade de adaptação a mudanças no ambiente e boa integridade física — como estar livre de defeitos nas pernas ou dificuldades de locomoção.
O bem-estar animal, por sua vez, é avaliado por meio do modelo dos Cinco Domínios, proposto por Mellor e Reid (1994), que considera nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estado mental. Promover o bem-estar significa garantir que as aves estejam livres de dor, medo ou sofrimento, e que possam expressar comportamentos naturais. A relação entre robustez e bem-estar é direta: frangos geneticamente robustos são menos suscetíveis a doenças e lesões, e demonstram mais comportamentos naturais. Em outras palavras, conseguem suportar condições adversas sem comprometer seu bem-estar.
A Aviagen®, líder global em genética avícola, adota há mais de seis décadas uma abordagem holística e equilibrada em seu programa de melhoramento genético (Neeteson et al., 2023). A empresa define metas amplas de seleção, que combinam características relacionadas à eficiência biológica, qualidade da carne, aptidão reprodutiva, saúde e bem-estar animal. Na prática, mais de um terço dos critérios de seleção é voltado para características de saúde e bem-estar, incluindo resistência a doenças, adaptabilidade a diferentes ambientes de produção e taxa de crescimento saudável, impulsionando melhorias contínuas ao longo das gerações.
Seleção Genética para Resiliência
Um dos pilares estratégicos da Aviagen para a melhoria da saúde e do bem-estar dos frangos de corte — e, consequentemente, do resultado econômico — é a seleção genética em múltiplos ambientes. As aves são avaliadas tanto em ambientes altamente controlados, com padrões elevados de biossegurança, onde podem atingir seu pleno potencial, quanto em ambientes que replicam condições comerciais de produção. Essa avaliação combinada identifica indivíduos com alto potencial genético e melhor capacidade de adaptação aos desafios reais do campo, um indicador direto de robustez, que se traduz em melhor saúde, uniformidade e produtividade.
O processo é apoiado por tecnologias que medem com precisão indicadores-chave de saúde, incluindo função cardiovascular, integridade das pernas e resposta imunológica.
O ambiente comercial impõe naturalmente uma série de desafios, como variações na qualidade da ração, da cama e no manejo, que podem afetar o trato gastrointestinal e o sistema imune. Assim, as famílias que se destacam nessas condições são mantidas no programa de melhoramento genético, garantindo um equilíbrio entre resiliência, produtividade e bem-estar.
Foco na Saúde das Pernas e na Estrutura Esquelética
A saúde locomotora é um indicador-chave de bem-estar em frangos de corte, pois influencia diretamente a mobilidade, o conforto e a capacidade de expressar comportamentos naturais. Há décadas, a Aviagen prioriza o desenvolvimento de linhagens com pernas mais fortes e saudáveis, reduzindo a incidência de discondroplasia tibial e deformidades, como dedos tortos, defeitos femorais e espondilolistese. Esses avanços genéticos diminuem o risco de lesões articulares e melhoram os resultados em bem-estar, impactando positivamente a produtividade.
Desde a década de 1970, a Aviagen realiza avaliações clínicas para analisar a saúde das pernas e a integridade esquelética. Essas avaliações evoluíram com a incorporação de tecnologias inovadoras e não invasivas, como radiografia com Lixiscope, ultrassonografia e, mais recentemente, tomografia computadorizada. A integração da inteligência artificial na análise de imagens permite avaliações subclínicas, proporcionando maior precisão na seleção e acelerando o progresso genético.
Observações rotineiras da marcha, utilizando um sistema padronizado de pontuação (gait score), adaptado pela Aviagen (Kapell et al., 2025), ajudam a identificar aves com mobilidade reduzida, possibilitando a aplicação de medidas corretivas e reafirmando o compromisso com o bem-estar animal.
Além disso, outras características relacionadas ao bem-estar, como a qualidade do coxim plantar e dos jarretes, são avaliadas no programa de melhoramento genético. Embora essas condições sejam mais fortemente influenciadas por fatores ambientais — como qualidade da cama, manejo e nutrição — continuam sendo critérios importantes de seleção. A dermatite de contato, em especial, está associada à dor, redução da mobilidade e menor ingestão alimentar, impactando negativamente o crescimento e o desenvolvimento dos frangos.
Melhoria Contínua da Capacidade Cardiorrespiratória
À medida que as taxas de crescimento dos frangos de corte melhoraram nas últimas décadas, desafios fisiológicos como a síndrome ascítica e a síndrome da morte súbita tornaram-se mais prevalentes. Um alto potencial de crescimento exige maior fornecimento de oxigênio e nutrientes, impondo grande demanda ao coração e aos pulmões das aves. A seleção genética para a capacidade cardiorrespiratória visa equilibrar produtividade, saúde e bem-estar, resultando em frangos com maior taxa de viabilidade e ganhos econômicos mais elevados para os produtores.
Essa seleção faz parte do programa de melhoramento genético da Aviagen desde a década de 1980, inicialmente baseada em exames post mortem para identificar aves perdidas por morte súbita ou ascite, bem como famílias com alta incidência dessas condições. Em 1991, a introdução da oximetria de pulso possibilitou a medição in vivo da saturação de oxigênio no sangue (SaO2) e da frequência cardíaca — indicadores diretos da aptidão cardiovascular. Esses avanços reduziram significativamente as perdas por distúrbios cardiorrespiratórios, apoiando um crescimento saudável dos frangos de corte, sem comprometer o bem-estar.
Superar os antagonismos genéticos entre características constitui a base e o pré-requisito para um programa de melhoramento genético equilibrado (Neeteson et al., 2023). A seleção simultânea de múltiplas características — incluindo aquelas que, por natureza, apresentam correlações negativas — é essencial para garantir ganhos contínuos tanto na robustez fisiológica quanto na eficiência produtiva.
Progresso Genético por Meio de Metas Equilibradas de Saúde, Bem-Estar e Produtividade
A crescente integração de características relacionadas à saúde e ao bem-estar aos programas de melhoramento genético representa um avanço estratégico para a indústria avícola. A robustez dos frangos de corte torna-se um diferencial essencial — não apenas para a produtividade e a viabilidade econômica, mas também para atender às expectativas dos consumidores, que valorizam cada vez mais uma produção sustentável e responsável. Os programas de melhoramento desenvolvidos pela Aviagen demonstram que é possível promover simultaneamente a produtividade e o bem-estar animal. Por meio de estratégias de seleção amplas e cuidadosamente equilibradas, essas iniciativas oferecem benefícios consistentes em toda a cadeia avícola — dos produtores aos consumidores finais — ao mesmo tempo que apoiam a sustentabilidade do setor a longo prazo.
Seleção para Robustez: Avanços na Saúde, Bem-Estar e Produtividade dos Frangos de Corte | Referências sob consulta junto ao autor
