Bem-estar animal, produtividade e qualidade da carne são fatores interdependentes. Quanto melhores forem as condições de criação das aves, maiores as chances elas têm de expressar seu potencial genético, o que se reflete no desempenho zootécnico e econômico da criação.
O mesmo raciocínio vale para o manejo pré-abate das aves. Técnicas e métodos de insensibilização de aves antes do abate, por exemplo, têm influência direta na qualidade da carne e no sucesso econômico da produção. Quanto maiores as condições de bem-estar forem garantidas às aves nessa etapa, melhores serão os resultados. Afinal, a forma como o animal é tratado é diretamente proporcional à qualidade da carne que ele irá produzir.
“A escolha correta dos métodos de insensibilização é fundamental para garantir a aplicação do conceito de boa vida e boa morte aos animais de produção. E essas metodologias têm influência direta tanto no que se refere ao bem-estar, ou seja, no respeito ao animal no momento de abate, quanto na qualidade da carne e no tempo de duração de prateleira do produto”, explica Juliana Ribas, Coordenadora de Produção da Agroceres PIC.
O tema “Métodos de atordoamento para aves e suínos”, foi tratado por ela durante Painel sobre Bem-estar animal, realizado nesta manhã no SIAVS.
Segundo Juliana, a correlação entre métodos de atordoamento e qualidade da carne é direta. O animal que é mal insensibilizado, explica a especialista, acaba sofrendo na hora do abate e apresenta uma dinâmica muito diferente na transformação do músculo em carne, levando a problemas como carne PSE (Pale, soft, exudative – pálida, mole e exsudativa) ou até mesmo carne DFD (Dark, Firm, Dry – escura, dura e seca), dependendo da espécie. “O mais comum é carne PSE. Além disso, falhas nos métodos de insensibilização podem levar a problemas como petéquias hemorrágicas, que tornam a carne não agradável, sob o aspecto visual, para o consumidor, e outras hemorragias, explica.
Metodologia de abate no Brasil
De acordo com a Juliana, a indústria brasileira usa métodos avançados de insensibilização e abate e está em paridade com as plantas frigoríficas de grandes produtores como os Estados Unidos e a Europa. Segundo ela, a eletronarcose é o método de insensibilização mais utilizado nos abatedouros avícolas brasileiros. “O Brasil utiliza hoje o que existe de mais adequado [para insensibilização e abate de aves]. Mais recentemente os abatedouros avícolas adotaram o uso do eletroencefalograma para aferir a qualidade do atordoamento. Isso já vem sendo feito e é uma evolução”, comenta Juliana.
Segundo ela, embora a indústria brasileira use uma metodologia de atordoamento e abate adequada, é preciso reforçar os cuidados com a manutenção dos equipamentos nos abatedouros e na aferição correta dos indicadores utilizados para avaliar uma boa insensibilização. “É importante garantir as condições, metodologias e parâmetros corretos, para que a insensibilização e o abate sejam executados da melhor forma possível”, diz. “É realmente possível assegurar um abate humanitário e isso faz bem para a cadeia como um todo. Tanto pela parte ética, de respeito aos animais, quanto pela parte da qualidade da carne, do produto final”, finaliza.
Direto de São Paulo