A sucessão familiar deixou de ser apenas uma preocupação das propriedades rurais para se tornar um tema estratégico para o futuro da avicultura brasileira. Em um setor cada vez mais tecnificado, a continuidade das granjas depende não apenas de investimentos em infraestrutura e produtividade, mas também da capacidade de atrair e manter as novas gerações na atividade.
Com esse objetivo, pesquisadores da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e da Universidade Estadual de Maringá (UEM), representadas pelas professoras Elis Regina de Moraes Garcia – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e Simara Márcia Marcato – Universidade Estadual de Maringá, em parceria com doutor em ciência animal, com especialização em gestão e produção de frangos de corte e poedeiras, João Antônio Barbosa Filho, iniciaram um levantamento para entender como os sucessores enxergam o futuro da avicultura e quais fatores influenciam sua decisão de permanecer , ou não, nas propriedades familiares.
Segundo João Antônio, a proposta nasceu da experiência prática junto aos produtores.
“Atendo diversos avicultores em Mato Grosso do Sul e percebo que poucos sucessores demonstram interesse em assumir a atividade. Isso nos levou a refletir sobre as causas desse comportamento e buscar respostas baseadas em dados”, explica.
O formulário busca identificar os fatores que contribuem para o desinteresse das novas gerações pela avicultura com perguntas diretas como:
Atividade é percebida como excessivamente desgastante?
O retorno financeiro é considerado pouco atrativo?
Quais aspectos da gestão, da qualidade de vida e das perspectivas profissionais influenciam a decisão dos sucessores?
Ao reunir essas informações, os pesquisadores esperam construir um diagnóstico capaz de orientar futuras iniciativas voltadas à permanência dos jovens no setor.
Resultados vão além da pesquisa acadêmica
Embora os dados sejam utilizados para a elaboração de um resumo científico e, posteriormente, de um artigo técnico sobre sucessão familiar na avicultura, a proposta vai além da produção acadêmica. A expectativa é que os resultados subsidiem debates em fóruns, simpósios e outros eventos técnicos, contribuindo para que empresas, cooperativas, universidades e produtores discutam estratégias para enfrentar um dos principais desafios da cadeia avícola.
Outro foco do trabalho é incentivar melhorias na gestão das propriedades. De acordo com João Antônio, compreender as dificuldades enfrentadas pelas famílias pode estimular mudanças na administração financeira e produtiva das granjas, tornando o negócio mais atrativo para quem deverá assumir sua condução nos próximos anos.
“A sucessão não depende apenas da vontade dos filhos. Ela também passa por planejamento, profissionalização da gestão e pela construção de um ambiente em que a nova geração enxergue oportunidades de crescimento e qualidade de vida”, ressalta o consultor.
Participe da pesquisa
Os organizadores convidam produtores de aves de todo o Brasil a responder ao questionário. A participação é anônima, leva aproximadamente cinco minutos e contribuirá para ampliar o conhecimento sobre um tema considerado decisivo para o futuro da avicultura nacional.
“Filho assume, vende para a integradora ou fecha as portas? A sucessão familiar é um dos maiores tabus da nossa avicultura, mas precisamos falar sobre isso. Junto com a UEMS/UEM, estou mapeando as reais dores e oportunidades da nova geração no setor. Se você é avicultor, sua resposta anônima vale ouro e leva só cinco minutos. Bora construir o futuro da avicultura juntos?”, finaliza João.
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