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Da água ao portão fechado, especialistas alertam para falhas básicas que ainda desafiam a avicultura na Feira Aves Seara

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biosseguridade na avicultura Feira Aves Seara

A 1ª Feira Aves Seara levou ao centro da discussão com os produtores integrados, a mensagem de que o resultado da granja continua dependendo da execução rigorosa de pontos que parecem básicos, mas que ainda desafiam a rotina de campo. Da qualidade da água ao controle de acesso, passando por cama seca, reservatórios protegidos, bebedouros regulados, telas em boas condições e portões fechados, os especialistas alertaram que pequenas falhas podem comprometer desempenho, conversão alimentar, ambiência e biosseguridade.

O tema apareceu com força nos dois painéis técnicos da programação. No primeiro, moderado por Felipe Córdova, da Seara, a mesa tratou da importância do fornecimento, da qualidade e da temperatura da água para consumo na avicultura. No segundo, conduzido por Ariel Mendes, da AgroExperts, o debate avançou para pontos que devem ser priorizados pela avicultura brasileira, com destaque para a prevenção sanitária e para a necessidade de transformar protocolos em prática diária dentro das propriedades.

Água dentro da ave

Ao abrir a discussão técnica sobre águana 1ª Feira Aves Seara, Felipe Maziero, da Ziggity Systems, reforçou que esse é o nutriente mais consumido pelas aves e, por isso, está envolvido em praticamente todos os processos da granja. O especialista defendeu uma visão sistêmica do fornecimento, desde a captação e a armazenagem até o transporte e a chegada efetiva da água ao bebedouro.

Um dos alertas mais fortes foi sobre a diferença entre água registrada pelo hidrômetro e água realmente ingerida pela ave. Segundo Maziero, parte do volume que entra no sistema pode se perder durante a interação da ave com o bebedouro, chegando à cama em vez de cumprir sua função fisiológica. “A água que o hidrômetro está registrando é água que foi para dentro da instalação”, afirmou, ao chamar atenção para perdas que podem afetar cama, ambiência e qualidade de patas.

Na avaliação do especialista, a granja precisa olhar para filtros, pressão, altura e modelo dos bebedouros, além de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da água. Cloro livre, pH, potencial de oxirredução (ORP), dureza e presença de sólidos foram apontados como pontos que interferem diretamente na capacidade de sanitização e na eficiência do sistema.

Maziero resumiu o recado ao defender que fornecer água de qualidade não pode ser tratado como diferencial, mas como obrigação técnica. A lógica apresentada foi a de que, quando ingerida corretamente, a água é aliada do desempenho; quando se perde e molha a cama, passa a contribuir para problemas de ambiência, saúde intestinal e resultado zootécnico.

Água segura

Na sequência, Flavio Rodrigues, da Kobra, ampliou a discussão ao afirmar que a água não deve ser vista apenas como mecanismo de dessedentação, mas como potencializadora de performance. Para ele, a aparência visual pode enganar, ou seja, uma água sem cor, odor ou turbidez aparente não garante qualidade se não houver controle laboratorial e leitura adequada dos parâmetros do sistema.

Rodrigues chamou atenção para o cuidado com reservatórios, caixas d’água, tubulações e linhas de bebedouros. Ele também destacou que a sanitização deve considerar todo o sistema, e não apenas a água na origem. A recomendação técnica foi a de que a leitura precisa chegar ao último bico do bebedouro, porque, se há sanitizante ativo naquele ponto, os desafios anteriores foram superados.

O palestrante também relacionou qualidade da água, saúde intestinal e uniformidade dos lotes. Em sua avaliação, o manejo correto da água ajuda a reduzir desafios sanitários, melhora a condição da cama e contribui para um ambiente mais favorável ao desempenho das aves. Ao final, ele sintetizou a mensagem com uma frase que resume o peso do tema: “Quem cuida da água, cuida dos animais”.

Prevenção e resposta rápida

No segundo painel da 1ª Feira Aves Seara, Ariel Mendes puxou a discussão para o risco sanitário e lembrou que a influenza aviária não pode ser tratada como um problema distante da realidade brasileira. Ao contextualizar a pressão global de enfermidades sobre a produção animal, o moderador defendeu que a cadeia precisa manter foco permanente em prevenção, diagnóstico rápido, controle, monitoramento e erradicação. “Não tem outra maneira”, resumiu.

Ariel também avaliou que a experiência recente com foco em granja comercial no Rio Grande do Sul funcionou como um teste em campo para a capacidade de resposta do país. Na leitura dele, o episódio exigiu ação coordenada entre serviço oficial, empresas e produtores e mostrou que os planos de emergência precisam estar vivos, treinados e atualizados, e não apenas registrados em documentos.

Outro ponto destacado por Ariel foi a lógica da resposta em camadas. O primeiro alerta, segundo ele, tende a partir do produtor, por estar mais próximo da granja e da rotina dos animais. Em seguida vêm as equipes de sanidade das empresas e, quando necessário, o serviço oficial. Por isso, a consciência dentro da propriedade e a comunicação rápida foram tratadas como partes essenciais da biosseguridade.

Biosseguridade começa no portão

O segundo painel conectou o debate técnico à sanidade da cadeia. Com a participação de Mario Sérgio Assayag e Jurandir Junior, da Seara, e Otamir Martins, da Adapar, a discussão destacou que a avicultura brasileira precisa manter atenção permanente à prevenção, especialmente diante do risco de influenza aviária e de outras enfermidades capazes de afetar a produção e o acesso a mercados.

Otamir Martins destacou que a resposta sanitária depende de prevenção, diagnóstico rápido, contenção e erradicação. Ao comentar experiências recentes de enfrentamento sanitário, ele reforçou que a primeira barreira está dentro da propriedade e passa pela consciência do produtor, pelo controle de entrada de pessoas, veículos e equipamentos e pela atuação coordenada entre setor público, empresas e produtores.

Jurandir Junior chamou atenção para pontos simples que, muitas vezes, abrem brechas importantes na proteção das granjas. Entre eles, citou portões abertos, telas danificadas, presença de aves silvestres ou aquáticas nas proximidades e falhas no controle de acesso. O recado foi prático: não adianta investir em produtos, treinamentos e protocolos se o básico da barreira física e operacional não é mantido todos os dias.

A discussão da 1ª Feira Aves Seara também reforçou o papel dos prestadores de serviço, visitantes e equipes de campo. Controle de entrada, desinfecção de veículos e equipamentos, registro de acesso e orientação contínua foram tratados como medidas indispensáveis para evitar que a granja seja exposta a riscos externos.

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