
Avaliação da positividade para Salmonella com uso de vacina viva em granjas de frango de corte – Estudo de campo
As Salmoneloses estão entre as maiores preocupações da indústria avícola por ocasionarem riscos relacionados à saúde pública.
Dentre as principais vantagens estão:
O uso de vacinas vivas e inativadas para controle de Salmonella, em matrizes e poedeiras, consolidou-se no Brasil desde a publicação da IN 10/2013, que permitiu a adoção de vacinas para estabelecimentos avícolas considerados de maior susceptibilidade à introdução e disseminação de agentes patogênicos no plantel avícola nacional.
A equipe técnica da Zoetis publicou, na Conferência Facta 2023, um dos estudos mais amplos em escala temporal realizados no Brasil, o qual objetivou avaliar, em condições de campo, a eficácia de uma vacina viva produzida com sorovar Salmonella Typhimurium (ST). A avaliação foi realizada em granjas de frangos de corte, ao longo de 3 anos consecutivos, em uma agroindústria do estado do Paraná.
Para avaliar os resultados foram escolhidas, aleatoriamente, 6 granjas como sentinelas. Nessas realizou-se a coleta de pool de 5 fígados+baço e pool de 5 cecos durante todo o período de avaliação. As coletas foram realizadas no pré-abate (entre 38 e 44 dias de idade) de todos os lotes alojados no período.
As amostras foram enviadas para o laboratório objetivando avaliar o percentual de positividade para Salmonella spp. Em 2020 foram coletadas 245 amostras, em 2021 foram 300 amostras, em 2022 foram 210 amostras.
Os percentuais de Salmonella spp. das amostras avaliadas durante o período de 2020 até 2022 estão demonstrados nas imagens a seguir:
Imagem 1 – percentual de positividade nas amostras de fígado+baço avaliadas ao longo dos anos. (Avaliação da positividade para Salmonella com uso de vacina viva em granjas de frango de corte – Estudo de campo)
Imagem 2 – percentual de positividade nas amostras de ceco avaliadas ao longo dos anos. (Avaliação da positividade para Salmonella com uso de vacina viva em granjas de frango de corte – Estudo de campo)
Observa-se diferença significativa para os resultados qualitativos sobre a positividade e negatividade das amostras ao longo dos anos, em ambos os tecidos avaliados (fígado+baço e cecos).
Um consistente programa de biosseguridade também foi implantado na agroindústria nesse período, o que de fato também ajuda explicar os resultados observados.
Até a presente data, no Brasil, esse é um dos estudos de campo mais amplo, considerando um acompanhamento em escala temporal, com objetivo de avaliar a vacinação no controle de Salmonella. Os resultados demonstram que medidas de biosseguridade associadas à vacinação são ferramentas efetivas na redução do percentual de Salmonella spp. em fígado+baço e cecos de frangos de corte.
As vacinas vivas, além de serem aliadas na redução da positividade e contagem de Salmonella em vísceras como fígado, baço e cecos, resultando em menor excreção da bactéria nos ambientes de criação das aves (galpões), também auxiliam na redução da contaminação de vísceras e carcaças que chegam ao frigorífico⁴. Tornam-se ferramentas seguras e eficazes principalmente para empresas exportadoras de carne de frango.
Controle de Salmonella – conceito “bico para dentro e do bico para fora”
Essa máxima é muito útil para determinar ações relativas ao controle da Salmonella, principalmente em relação a frangos de corte, reprodutoras e poedeiras comerciais.
Uma das ações mais eficazes para se realizar o controle do bico para dentro é a utilização de vacinas vivas, pois logo no primeiro momento da aplicação a estirpe viva presente nas vacinas compete por sítios de ligação com cepas de campo.
Já a expressão “do bico para fora” diz respeito ao ambiente que a ave se encontra: a cama do aviário, os equipamentos, o pátio dos galpões, a composteira, etc.
Quando definimos esses dois compartimentos, conseguimos focar em um controle de Salmonella amplo e mais eficaz nas propriedades.
Um programa robusto de controle deve ser amplamente estudado caso a caso, propriedade a propriedade, elencando-se os pontos críticos de cada granja. Com base nisso, as medidas preventivas de biosseguridade ganham muito destaque no controle.
Hoje, no Brasil, diagnostica-se a presença de Salmonella em um lote de frangos de corte por meio do suabe de arrasto, diagnóstico que se baseia em legislação específica.
Realizar o controle “do bico para fora” vai muito além da avaliação da cama do aviário. Devemos considerar a propriedade como um todo, buscar identificar os pontos críticos de controle de cada granja, avaliar os riscos e traçar planos de melhoria junto aos produtores objetivando o controle efetivo da Salmonella.
Importante salientar que não existe produto ou procedimento “bala de prata” para o controle da Salmonelose. Os responsáveis pelo controle sanitário dos plantéis devem avaliar e utilizar ferramentas preventivas de forma integrada, e não como concorrentes.
O que é a Poulvac® ST?
Essa cepa foi isolada de aves e selecionada para produção da vacina por sua segurança, capacidade de colonização e alta resposta imunogênica. Essa variante de ST foi alterada pela deleção/inversão de dois genes, AroA e SerC. A deleção desses genes resulta em um organismo que retém a estrutura da parede celular e flagelos, mantendo os antígenos imunizantes intactos.
A vacina auxilia na redução da colonização de órgãos internos por Salmonella Typhimurium e Salmonella Heildelberg. Estudos recentes demonstram também a eficácia da vacina na redução da contagem de Salmonella Minnesota em fígados de aves experimentalmente desafiadas⁵.
vacina viva em granjas de frango de corte Referências bibliográficas sob consulta do autor
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