A escassez global de ovos e o preço altíssimo da proteína tem feito milhares de pessoas sofrer. Há relatos sobre a falta de ovo em supermercado de vários países, como EUA, Nova Zelândia, Reino Unido e em vários outros países europeus. Mas o que está causando essa escassez? Os motivos são variados e específicos de cada região. A população do Brasil teme que esse cenário eleve mais os preços do produto ou cause a falta dele.
A falta de ovos nos Estados Unidos ocorre, principalmente pelo surto de influenza aviária que o país vem sofrendo. Mais de 44 milhões de aves poedeiras foram mortas devido ao vírus, causando um disparo no preço do produto e a falta do mesmo em alguns estados. Iowa é o estado mais prejudicado, 47 dos 52 estados americanos já foram atingidos pela epidemia de influenzadesde fevereiro do ano passado.
Além do surto de influenza aviária, há legislações locais que proíbem a criação de galinhas em gaiolas, em prol do bem-estar animal, isso acabou retirando alguns produtores do mercado, reduzindo a oferta de ovos no país. Atualmente a dúzia de ovos nos EUA custa US$ 7,37 (R$ 38,14), há um ano o preço era de apenas US$ 2,35 pela dúzia, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA.
Enquanto isso, no Reino Unido e em países da Europa, o que mais agrava a situação são os altos custos de produção, que foram ocasionados pelo conflito entre Rússia e Ucrâniaalém dos casos de gripe aviária. Os impactos da guerra acabaram aumentando muito o preço do milho, que é utilizado na alimentação das galinhas. Quando os ovos são encontrados na região, eles são limitados e com o preço bem elevado.
Já na Nova Zelândia, o que mais tem reduzido a oferta de ovos são leis que proíbem a criação de aves em gaiolas que entraram em vigor neste ano.O plano era eliminar toda a criação em gaiolas até dia 1 de janeiro de 2023, mas isso não aconteceu. Mesmo assim, houve uma grande redução nesse tipo de criação, em dezembro do ano passado apenas 10% das galinhas do país continuaram sendo criadas em gaiolas.
Isso acabou gerando um aumento nos custos de produção, porém não houve aumento proporcional da demanda por ovos, fazendo com que a quantidade produzida caísse, resultado na escassez da proteína.
Aqui no Brasil não devemos sofrer essa escassez, é o que autoridades e especialistas afirmam. Nós não temos histórico de gripe aviária e, diretamente, não sofremos os efeitos do conflito no leste europeu. No entanto, a previsão é que o preço continue elevado durante o ano de 2023 por conta dos altos preços que o milho atingiu em 2020.
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“Tivemos uma queda de 5% da produção de ovos em 2022 e estamos projetando recuo de 2% em 2023, fruto da diminuição de matrizes no tempo do pico do milho, quando ele chegou próximo a R$ 100 a saca”, comenta Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).