A autoridade sanitária da Índia, finalmente aprovou a primeira permissão de importação para carne de frango in natura brasileira. A abertura se dá 11 anos após firmado o acordo sanitário entre os dois países (2008).
Os produtores avícolas do estado do Ceará esperam ampliar o fornecimento à região Nordeste (NE) do Brasil, a partir da abertura da Índia à carne de frango brasileira. Ao Diário do Nordeste, o presidente da Aceav (Associação Cearense de Avicultura), João Jorge Reis, explicou que a expectativa no estado é de que, com os produtores do Sudeste voltados para atender a demanda exterior, abririam espaço no mercado nacional para os produtos da avicultura cearenses.
A autoridade sanitária da Índia, finalmente aprovou a primeira permissão de importação para carne de frango in natura brasileira. A abertura se dá 11 anos após firmado o acordo sanitário entre os dois países (2008).
O anúncio foi feito no último dia 29/4, pela Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na abertura da Agrishow 2019, em Ribeirão Preto (SP). A notícia já havia sido divulgada pela Seara Alimentos em nota informando que havia recebido autorização do governo da Índia para exportar produtos de frango a partir do Brasil.
A carne de frango é a proteína animal mais consumida na Índia. Apesar disso, o consumo per capita ainda é relativamente baixo, de apenas 3,5 kg/ano. No Brasil, essa quantidade chega a 44,6 kg/ano, enquanto a média mundial fica em 11,9 kg/ano.
“Estima-se que o mercado indiano de carne de frango vá continuar crescendo a uma taxa de 7% a 8% ao ano. Este crescimento decorre principalmente de novos padrões de consumo moldados por maior urbanização e pelo aumento da renda da classe média”, explica Flávio Bettarello, secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
De acordo com Bettarello, “as importações indianas são ainda modestas, mas este volume certamente irá aumentar acompanhando a expansão do mercado – nesse cenário, é importante as empresas brasileiras já estarem presentes naquele mercado para melhor compreender sua dinâmica e se adaptar às características e preferências dos consumidores indianos”.
Todas as plantas frigoríficas registradas no SIF (Serviço de Inspeção Federal) podem exportar carne de frango in natura para a Índia, desde que observados os requisitos acordados. Com base em dados de 2018, os principais destinos da carne de frango brasileira são Arábia Saudita (US$ 805 milhões), China (US$ 800 milhões) e Japão (US$ 722 milhões).
Insumos
Com essa abertura, os produtores avícolas do Ceará poderiam ser fortemente favorecidos. “Deixa o Nordeste mais aberto para que os produtores locais possam suprir uma deficiência“, afirmou Jorge Reis ao Diário do Nordeste. Sobre o fato de o Cerá não exportar carne de frango, ele explicou que não é viável pela distância em que se encontram os produtores de insumo.
Atualmente, o milho consumido nas granjas do Ceará é trazido de estados próximos como Bahia e Tocantins. Antes, o grão era importado da Argentina.
“A safra do ano passado foi muito boa, o suficiente para suprir a nossa região“, explicou o presidente da Aceav ao Diário. “Com a esperança de mais uma colheita boa (em 2019), a gente deve continuar se abastecendo desses locais“, completou.
“Existindo o produto aqui a preços competitivos, é mais interessante comprar aqui, porque o dinheiro fica girando na região, a gente consegue fomentar a produção local”, analisa João Jorge Reis. “O nosso objetivo é abastecer o mercado interno”, ressalta.
Com informações da Assessoria de Imprensa do Mapa e do site Diário do Nordeste
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