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Controle da Laringotraqueíte: o desafio não é apenas vacinar, mas reduzir a circulação viral

Escrito por: Gleidson Salles - Gerente Técnica MSD Saúde Animal , Gustavo Perdoncini - Coordenador de contas MSD Saúde Animal
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Controle da Laringotraqueíte : o desafio não é apenas vacinar, mas reduzir a circulação viral

Gustavo Perdoncini – Coordenador de contas

Gleidson Carvalho Salles – Gerente técnico

MSD Saúde Animal

A laringotraqueíte infecciosa (LTI) continua sendo uma das doenças respiratórias de maior impacto para a avicultura industrial. Mesmo em regiões com programas vacinais consolidados, a enfermidade ainda representa um importante desafio sanitário devido à elevada transmissibilidade do vírus e à sua capacidade de persistir nas aves infectadas.

Causada pelo herpesvírus aviário GaHV-1, a LTI possui uma característica epidemiológica que dificulta significativamente seu controle: aves infectadas tornam-se portadoras permanentes do vírus. Isso significa que mesmo após recuperação clínica, o agente pode permanecer latente e voltar a ser eliminado em situações de estresse ou queda de imunidade.

Em regiões avícolas com alta densidade populacional e sistemas de múltiplas idades, essa dinâmica favorece a manutenção contínua da circulação viral no ambiente. Como consequência, aumenta-se a pressão de infecção sobre lotes suscetíveis e cresce o risco de surtos respiratórios de elevada morbidade.

Além da transmissão direta entre aves, a disseminação mecânica possui papel extremamente importante na epidemiologia da doença. Pessoas, veículos, equipamentos, caixas de transporte, esterco e movimentação de aves podem atuar como veículos de disseminação viral entre granjas.

Por isso, o controle da LTI exige uma abordagem integrada e coordenada. Atualmente, os programas sanitários mais eficientes são aqueles que associam biosseguridade rigorosa, vacinação estratégica e alinhamento regional entre empresas, veterinários e produtores.

Dentro desse modelo integrado de controle, as vacinas recombinantes vetorizadas baseadas em HVT vêm ganhando espaço importante na avicultura moderna. A Innovax® ND-ILT destaca-se por permitir proteção precoce contra doença de Marek, Newcastle e laringotraqueíte em aplicação única no incubatório.

Além da praticidade operacional, esse modelo favorece maior uniformidade vacinal e reduz manejos adicionais no campo, minimizando estresse das aves e riscos sanitários relacionados à movimentação e manipulação dos lotes.

Um aspecto relevante da Innovax® ND-ILT está relacionado às glicoproteínas utilizadas na construção vacinal. A vacina expressa as glicoproteínas gI e gD do vírus da laringotraqueíte, estruturas fundamentais para o processo de infecção viral. A glicoproteína gD participa diretamente da entrada do vírus nas células hospedeiras e da indução de anticorpos neutralizantes. Já a glicoproteína gI está relacionada à disseminação do vírus entre células infectadas.

Ao estimular imunidade específica contra essas glicoproteínas, a vacinação contribui para reduzir a replicação viral e limitar a disseminação do vírus no trato respiratório das aves. O impacto prático dessa resposta imunológica vai muito além da redução de sinais clínicos.

Hoje, um dos principais objetivos dos programas modernos de controle da LTI é diminuir a excreção viral no campo. Quanto menor a quantidade de vírus eliminada pelas aves, menor tende a ser a pressão de infecção dentro da granja e entre diferentes propriedades da região.

Na prática, isso resulta em benefícios importantes para a estabilidade sanitária:

Essa estratégia torna-se ainda mais relevante em regiões onde outros agentes respiratórios circulam simultaneamente. A associação entre LTI, bronquite infecciosa, metapneumovírus aviário, Mycoplasma gallisepticum e outros desafios respiratórios aumenta significativamente a complexidade sanitária das granjas.

Em sistemas de múltiplas idades, controlar apenas os sinais clínicos já não é suficiente. É necessário atuar sobre a dinâmica epidemiológica da doença, reduzindo a circulação viral de maneira sustentável. Além dos desafios já bem caracterizados na avicultura de postura comercial, evidências recentes indicam que impactos relevantes da laringotraqueíte infecciosa (LTI) também vêm sendo observados em sistemas de produção de frangos de corte. Esse cenário amplia a importância da doença no contexto produtivo, reforçando a necessidade de estratégias preventivas mais robustas e adaptadas a diferentes segmentos da cadeia avícola.

Dados recentes obtidos em condições comerciais no Brasil ilustram de forma consistente esse impacto. Após a ocorrência de um surto de LTI em uma empresa avícola localizada na região Sul, foi avaliado o efeito da introdução da vacina recombinante Innovax® ND-ILT, aplicada in ovo, em 36 lotes de frangos de corte.

A implementação do programa vacinal resultou em melhoria significativa dos indicadores zootécnicos. Observou-se incremento de aproximadamente 5,2% no peso médio final das aves (de 3,138 kg no primeiro ciclo de vacinação para 3,300 kg no segundo ciclo de vacinação), associado a uma melhora de cerca de 4,2% na conversão alimentar ajustada, redução de 1,66 para 1,59 do primeiro para o segundo ciclo (COLVERO et al., 2026). Esses resultados evidenciam não apenas o impacto produtivo da LTI em frangos de corte, mas também a eficácia da estratégia vacinal na mitigação das perdas e na otimização do desempenho zootécnico.

Sob essa perspectiva, os resultados observados transcendem o desempenho zootécnico isolado e evidenciam o papel estratégico dos programas sanitários na sustentabilidade da produção. Em um cenário de margens progressivamente mais pressionadas, intervenções que promovem ganhos sanitários consistentes tendem a se refletir diretamente na eficiência produtiva e, consequentemente, na rentabilidade das operações avícolas.

Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas reforçam que vacinação sozinha não controla a laringotraqueíte infecciosa. O sucesso depende da associação com medidas rigorosas de biosseguridade e coordenação regional das estratégias sanitárias. Controle de trânsito, desinfecção adequada, compostagem de esterco, vazio sanitário eficiente e monitoramento epidemiológico constante continuam sendo medidas fundamentais para reduzir disseminação viral.

Outro ponto essencial é a atuação conjunta da cadeia produtiva. Regiões avícolas densamente povoadas exigem transparência sanitária e alinhamento entre empresas para que as estratégias de controle sejam realmente efetivas. Hoje, a avicultura moderna demanda programas sanitários cada vez mais estratégicos. O foco deixou de ser apenas proteger aves individualmente e passou a envolver redução sustentável da circulação viral regional.

Nesse cenário, a vacina recombinante Innovax ® -ND-ILT que possui as glicoproteínas gI e gD, consolidam-se como ferramenta importantes para uma gestão sanitária mais eficiente, segura e alinhada às necessidades da produção avícola moderna.

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