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Crise silenciosa na avicultura: por que o gargalo não está na vaga, mas na formação e na liderança

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Crise silenciosa na avicultura: falha em formação e liderança

Crise silenciosa na avicultura: por que o gargalo não está na vaga, mas na formação e na liderança

A avicultura vive um paradoxo: há vagas disponíveis, mas faltam pessoas preparadas para ocupá-las. Em um setor altamente tecnificado, o fator humano começa a limitar crescimento, eficiência e continuidade operacional. Esse foi o foco da conversa com Vilto Meurer, Ex-Diretor de Agropecuária da BRF, e Luciana Dalmagro, Produtora, Criadora e Co-fundadora do perfil Vida de Granja, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA).

A entrevista aconteceu no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, conduzida por Priscila Beck, Diretora de Comunicação da agriNews Brasil.

Diferente de crises tradicionais, como grãos ou mercado, o desafio da mão de obra é mais difícil de diagnosticar. Ele não aparece de forma imediata nos indicadores, mas impacta diretamente a capacidade produtiva no médio prazo.

Essa é uma crise silenciosa e que ela vai acontecendo e ela tem tantas camadas…”, destaca Luciana Dalmagro.
Tem uma camada geracional, tem uma camada social, camada política e uma camada de liderança.”, complementa.

Assista a entrevista completa:

Um dos principais pontos levantados foi o choque geracional dentro das empresas e no campo. A dificuldade de conexão entre lideranças experientes e novas gerações tem travado sucessões, retenção e desenvolvimento de talentos.

Então como a gente faz para parar com essa de ‘nós contra eles’ e a gente achar um caminho para andarmos juntos?”, questiona Luciana Dalmagro.
A gente vê uma questão de difícil acesso entre as diferentes gerações na indústria.”, reforça.

Além disso, há um déficit estrutural na formação técnica. Segundo Vilto Meurer, a base prática da formação foi sendo perdida ao longo do tempo, o que impacta diretamente a qualidade dos profissionais que chegam ao setor.

Eu acredito que a formação técnica de ensino médio… prepara um profissional de nível superior… porque ele tem um foco muito mais operacional.”, explica Vilto Meurer.
Isso falta muito nas universidades hoje.”, complementa Meurer.

Na prática, isso se traduz em profissionais menos preparados para a realidade do campo e maior dificuldade das empresas em estruturar equipes consistentes. Ao mesmo tempo, a extensão rural, peça-chave na conexão entre indústria e produtor, vem sendo subestimada, mesmo sendo estratégica para transferência de conhecimento.

O desafio não é pontual. Ele exige ação coordenada entre formação, liderança e cultura organizacional. A avicultura já avançou em tecnologia e processo. Agora, precisa reconstruir sua base humana.

O recado é direto: quem não investir em gente vai perder competitividade. Porque, no fim, não falta vaga — falta preparo para ocupar.

Assista a entrevista completa:

Crise silenciosa na avicultura: por que o gargalo não está na vaga, mas na formação e na liderança

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