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Efetividade de ácidos orgânicos não tamponados, protegidos, na redução da pressão de infecção de enterobactérias na avicultura sem antimicrobianos.

Escrito por: Ana Paula Pereira - MSc. Zootecnista e Cooredenadora Técnica Nacional Avicultura SANEX
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Efetividade de ácidos orgânicos não tamponados, protegidos, na redução da pressão de infecção de enterobactérias na avicultura sem antimicrobianos.

MSc. Zootecnista Ana Paula Pereira
Coordenadora Técnica Nacional Avicultura – SANEX

A avicultura mundial atravessa uma das maiores transformações sanitárias e produtivas das últimas décadas. A retirada progressiva dos antimicrobianos melhoradores de desempenho, associada às crescentes restrições regulatórias e à preocupação global com resistência bacteriana, impulsionou a necessidade de estratégias capazes de preservar desempenho zootécnico, saúde intestinal e segurança microbiológica sem dependência de antibióticos.

Nesse novo cenário, o controle de enterobactérias tornou-se um dos principais desafios da produção intensiva. Bactérias como Salmonella spp., Escherichia coli e outras enterobactérias representam importantes indicadores da pressão de infecção presente nos sistemas produtivos, refletindo diretamente o equilíbrio entre ambiente, manejo, microbiota intestinal e biosseguridade.

Historicamente, programas sanitários buscavam controlar essas bactérias principalmente por meio da utilização de antimicrobianos. Entretanto, o modelo atual da avicultura exige abordagens mais sustentáveis, baseadas na modulação intestinal e na redução contínua da pressão microbiológica ambiental e entérica.

A pressão de infecção não deve ser interpretada apenas como presença bacteriana, mas como a interação dinâmica entre carga microbiana, integridade intestinal, resposta inflamatória e capacidade de resiliência fisiológica das aves.

Quanto maior a pressão de infecção, maior tende a ser a ativação do sistema imune intestinal. Consequentemente, ocorre aumento do gasto energético destinado aos mecanismos de defesa e inflamação, reduzindo a disponibilidade de nutrientes e energia para crescimento, deposição muscular e eficiência alimentar.

Além disso, elevadas cargas de enterobactérias favorecem comprometimento das junções epiteliais, aumento da permeabilidade intestinal, pior digestibilidade dos nutrientes e maior susceptibilidade a doenças entéricas secundárias.

Nesse contexto, saúde intestinal deixa de representar apenas um parâmetro sanitário e passa a atuar como um importante indicador econômico da produção avícola moderna.

Dados obtidos em monitoria microbiológica conduzida em sistema comercial avaliaram 174 amostras coletadas em diferentes idades e órgãos, com o objetivo de compreender a dinâmica da pressão de infecção por enterobactérias em aves submetidas à utilização de ácidos orgânicos não tamponados protegidos por gordura de palmiste.

A avaliação por órgãos demonstrou redução da pressão ao longo do trato gastrointestinal, onde a pressão de infecção “Zero”, ou seja, sem infecção, aumentou de 48,7% para 58% nos respectivos órgãos. Diante desse fato, os resultados sugerem que os ácidos orgânicos não tamponados, protegidos com gordura de palmiste atuam positivamente na redução da pressão de infecção durante a passagem pelo intestino.

Dados de avaliações de campo, frequentemente apresentam elevada variabilidade devido às diferenças de manejo, ambiência, biosseguridade e pressão sanitária entre lotes comerciais. Dessa forma, tendências microbiológicas consistentes possuem importante relevância biológica e prática dentro dos sistemas produtivos.

Entre as ferramentas nutricionais atualmente utilizadas para redução da pressão de infecção, os ácidos orgânicos não tamponados vêm recebendo destaque crescente devido à sua capacidade de atuar diretamente sobre enterobactérias.

Ao contrário dos sais ácidos tamponados, os ácidos orgânicos não tamponados apresentam elevada capacidade de penetração na célula bacteriana em sua forma não dissociada. Após penetrarem no interior da bactéria, ocorre dissociação intracelular dos ácidos, promovendo redução do pH citoplasmático, desorganização metabólica, comprometimento enzimático e redução da multiplicação bacteriana.

Esse mecanismo apresenta importante atividade sobre enterobactérias Gram-negativas, incluindo Salmonella spp. e E. coli. E Gram-positivas, como Clostridium perfringens entre outras.

Além da ação acidificante, a utilização de sistemas protegidos por gordura de palmiste representa importante avanço tecnológico na eficiência desses compostos.

A proteção lipídica reduz a dissociação precoce dos ácidos orgânicos nas porções iniciais do trato gastrointestinal, favorecendo liberação gradual ao longo do intestino, especialmente em segmentos posteriores como jejuno, íleo e ceco, importantes locais de multiplicação de enterobactérias.

Outro diferencial relevante está relacionado aos triglicerídeos de cadeia média presentes na gordura de palmiste, especialmente o ácido láurico.

O ácido láurico possui capacidade de desestabilizar membranas bacterianas, aumentar permeabilidade celular e reduzir formação de biofilmes bacterianos, potencializando a ação antimicrobiana dos ácidos orgânicos não tamponados, além de ação antimicrobiana direta sobre bactérias Gram +.

Na avaliação microbiológica conduzida em sistema comercial, observou-se tendência de redução numérica da positividade microbiológica em aves submetidas ao programa utilizando acidificantes protegidos, especialmente em nível de ceco.

O ceco representa um dos principais reservatórios de enterobactérias em aves comerciais, sendo considerado um importante ponto epidemiológico para persistência e disseminação bacteriana nos sistemas produtivos.

Assim, tendências microbiológicas consistentes possuem importante relevância técnica e prática dentro da produção avícola intensiva.

Meta-análise publicada em 2025 demonstrou redução significativa da positividade para Salmonella em aves suplementadas com ácidos orgânicos via alimentação, reforçando o potencial desses compostos como alternativa aos antimicrobianos convencionais (WANG et al., 2025).

Além da redução da pressão microbiológica, a utilização de ácidos orgânicos não tamponados protegidos contribui para:

Na avicultura sem antimicrobianos, o controle sanitário deixa de depender da intervenção terapêutica contínua e passa a depender da capacidade de modular microbiologicamente o ambiente e o intestino das aves.

Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor

 

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