Desta forma, o estudo desenvolvido na Esalq promove a transformação de um material, que antes se caracterizava como problema ambiental, em solução para questões como a crescente emissão de gases de efeito estufa. Segundo a responsável pelo projeto, “a agricultura é justamente um dos grandes contribuintes para este impacto”.
Excremento de galinha vira biocarvão e ajuda a recuperar águas
Quando aplicado ao solo, o material traz melhorias relacionadas às propriedades químicas, físicas e microbiológicas do mesmo, além de ser ferramenta para o sequestro de carbono.
O Jornal da USP traz hoje (20/2) uma matéria sobre a produção de biochar (biocarvão) a partir de dejetos de galinha e palha de cana-de-açúcar. A pesquisa foi realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), por Sarah Vieira Novais, dentro do Programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas, sob orientação do professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri.
Proveniente do processo de pirólise, o biochar é constituído por elevado teor de carbono, em estruturas que são responsáveis pela elevada resistência à degradação. Quando aplicado ao solo, o material traz melhorias relacionadas às propriedades químicas, físicas e microbiológicas do mesmo, além de ser ferramenta para o sequestro de carbono.
A pesquisa apontou que os benefícios de se pirolisar excretas de galinhas e palha da cana-de-açúcar são mais bem vistos no solo arenoso, sendo a produção de biocarvão a partir desses resíduos uma forma ambientalmente segura de deposição desses materiais.
“Ambos os biochars não teriam capacidade de adsorção [retenção] do fósforo sem passar por modificação química”, explica Sarah.. Para conferir tal propriedade ao biocarvão, permitindo seus diferentes usos, foi realizado um processo denominado dopagem, utilizando magnésio ou alumínio.
Dessa forma, a aplicação dos biochairs em águas eutrofizadas ou residuárias se mostrou viável, não só em razão da adsorção de fósforo, mas também de sulfatos e, em menor proporção, nitratos e cloretos.
Assim, os biochars de dejeto de galinha e palha de cana-de-açúcar se mostram excelentes para a recuperação de águas e posterior reúso na agricultura, celebra a pesquisadora.
“Com os resultados positivos, constatamos o potencial do biochar como mitigador de gases de efeito estufa, recuperador de águas e um potencial fertilizante de liberação lenta no reúso de fósforo”, resume ela.
A tese de Sarah Vieira Novais foi defendida em janeiro deste ano.
Com informações do Jornal da USP