Respondendo por 17,5% do total das exportações brasileiras no primeiro bimestre, a China importou 115,4 mil toneladas, volume 59% superiorao realizado entre janeiro e fevereiro de 2019. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5/3) pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
Segundo a entidade, somando os dados de janeiro e fevereiro, o volumeembarcado alcançou 672,2 mil toneladas, número 12,3% maiorem relação ao efetivado no primeiro bimestre de 2019, com 598,4 mil toneladas. Em receita, a alta chega a 10,5%, com US$ 1,082 bilhãoem 2020, contra US$ 980,4 milhões efetivadas no ano passado.
No mês de fevereiro, 348,4 mil toneladasde carne de frango brasileira foram exportadas. O número é 10% superioraos embarques efetivados no segundo mês do ano passado, quando foram exportadas 316,7 mil toneladas.
As exportações de fevereiro geraram receita de US$ 553,8 milhões, resultado 5,2% maior em relação aos US$ 526,4 milhões realizadas no mesmo período de 2019.
“Assim como ocorreu com as exportações de suínos, a extensão do Ano Novo Chinês e as questões logísticas geradas na retenção do coronavírus não reduziram a demanda chinesa por carne de frango do Brasil”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.
Segundo a ABPA, os impactos na Peste Suína Africana continuam a ditar o comportamento do mercado de proteína animal. De qualquer forma, segundo o diretor executivo da entidade, Ricardo Santin, a epidemia de coronavírus pode fazer com o que crescimento projetado para a produção de proteína de frango na China não seja alcançado.
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Em entrevista à aviNews Brasil, Ricardo Santin fala sobre os possíveis impactos do acordo EUA-China sobre o mercado brasileiro de proteínas, custos de produção, entre outros pontos importantes para o setor. Confira!
Ricardo Santin é diretor executivo da ABPA
aviNews Brasil –De que forma o acordo EUA-China afeta o negócio de exportações de carnes de frango e suína brasileiras àquele país? Os preços podem ser afetados?
Ricardo Santin – Os Estados Unidos ganham competitividade com o acordo, mas não é esperado grande impacto nas exportações brasileiras de carne de frango e de carne suína para a China.
Ante qualquer eventual vantagem oferecida, há uma enorme lacuna no mercado chinês de proteína animal, resultado da eliminação de animais com a crise sanitária de Peste Suína Africana.
Muitas matrizes foram abatidas e há um longo ciclo até que a situação se restabeleça. Ao mesmo tempo, mesmo que todo o trade internacional fosse direcionado à China, demoraria ao menos dois anos para recompor as perdas daquele mercado. Em outras palavras, o mercado deverá seguir pressionado, com espaço para Brasil, EUA, União Europeia e demais fornecedores.
aviNews Brasil – Quais as atuais expectativas relacionadas à velocidade de recuperação da produção chinesa de carne suína e aumento da produção de carne de frango? Afinal, o país enfrenta focos de Influenza Aviária, além da epidemia de coronavírus.
Ricardo Santin – No início deste ano, indicadores apontavam para uma forte alta na produção chinesa de carne de frango. O quadro, entretanto, apresentou complicações com a epidemia de coronavirus em humanos e Influenza Aviária. Segundo o noticiário internacional, as ações de mitigação da epidemia geraram entraves logísticos que podem ter comprometido parte da produção avícola do país.
Neste contexto, há a possibilidade de não se atingir o crescimento projetado para a produção daquele mercado.
Já no caso do setor de suínos, com os impactos em matrizes produtoras por focos de Peste Suína Africana, o ciclo de recuperação é ainda mais longo. Instituições como o Rabobank apontaram um quadro mínimo de três anos até o restabelecimento do mercado. Há quem aponte até cinco anos. É um prazo de difícil previsão, mas que deve perdurar, ao menos, até o fim do próximo ano.
aviNews Brasil – O coronavírus pode acabar sendo uma oportunidade às exportações de carnes do Brasil? Em termos logísticos, os problemas nos portos chineses por conta do coronavírus estão afetando cargas de carnes brasileiras?
Ricardo Santin – O coronavírus gerou, até aqui, atraso no desembaraço de cargas em portos chineses. Este é o único efeito notado por algumas empresas exportadoras. As negociações não pararam e os números das exportações de janeiro e fevereiro mostram que o comércio de carne de frango e de suínos para a China segue aquecido para o Brasil, com fortes elevações. Já no curto prazo, acreditamos na normalização deste fluxo de exportações.
Não está claro que o coronavírus será, de fato, um impulsionador de demanda por proteínas a adicionar, de forma significativa, impactos sobre o efeito já gerado pelo PSA. É preciso verificar a extensão dos impactos dos entraves à produção chinesa.
aviNews Brasil – A nova estimativa da CONAB elevou a safra 2019/20 de grãos para 248 milhões de toneladas, 2,5% maior que a anterior. A área chega a 64,2 milhões de hectares (1,5% maior) e produtividade média ficou 1% maior, em 3.864 kg/ha. O milho deve ficar em 98,7 milhões de toneladas, 1,3% menor que a última safra. Espera-se redução de 3% na segunda safra, devido aos riscos climáticos. Quais as expectativas do setor quanto aos custos de alimentação animal?
Ricardo Santin – Há algum tempo o setor de proteína animal brasileiro deixou de projetar seus custos com base em preços baixos para milho e soja.
A competição pelos insumos com o mercado internacional é notável, e pressiona os custos. Como contramedida, o setor desenvolveu estratégias para ampliar sua capacidade de suprir a própria demanda por meio da importação de insumos de nações produtoras como Argentina, Paraguai e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, por meio do Grupo de Trabalho do Milho (GT do Milho) da ABPA, o setor produtivo vem desenvolvendo estudos em busca de estratégias para suprir a demanda dos estados mais suscetíveis à estas oscilações através da sugestão de políticas públicas.
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