01 jul 2024

Granjas avícolas devem atualizar planos de contingência para Influenza Aviária

Sula Aves e Bruno Pessamilio alertam o setor sobre a atualização de seus Planos de Contingência para Influenza Aviária e Doença de NewCastle.

Granjas avícolas devem atualizar planos de contingência para Influenza Aviária

Os estabelecimentos avícolas brasileiros devem estar atentos para atualizar seus Planos de Contingência para Influenza Aviária e Doença de NewCastle. O alerta foi dado pela diretora técnica da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Sula Alves, e pelo consultor, palestrante e treinador em defesa agropecuária, saúde animal e avicultura, Bruno Pessamilio.

O apelo foi feito durante entrevista ao programa Estúdio agriNews. Eles lembraram que o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) atualizou o seu Plano de Contingência para estas doenças em junho de 2023 e muitas granjas, registradas antes de 2023, podem estar com seus planos desatualizados.

Em 15 de abril passado, o Mapa encaminhou um Ofício Circular (27/2024) às Superintendências Federais de Agricultura. O documento trata especificamente dos planos de contingência dos estabelecimentos avícolas.

"Salientamos que a verificação da atualização do plano de contingência da empresa ocorrerá durante a fiscalização dos estabelecimentos", salienta o ofício. "Cabendo ao responsável técnico do estabelecimento avícola sua elaboração e atualização de acordo com as diretrizes nacionais", completa.

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Até o dia 19/6, o Brasil registrou 166 focos de Influenza Aviária, dos quais 163 foram confirmados em aves silvestres e três em aves de subsistência. Apenas neste ano de 2024, 15 novos casos de Influenza Aviária foram confirmados em aves silvestres nos estados do ES, RJ, SP e RS.

"Diante desse cenário, o Mapa fez esse reforço, como um alerta, sobre a importância de se incrementar, detalhar da melhor maneira possível esses planos de contingência, para que de fato eles possam ser efetivos", salientou Sula.

Bruno Pessamilio falou sobre a importância de se agir de forma rápida para eliminar um foco de Influenza Aviária. Segundo ele, a velocidade da ação pode representar menor disseminação do vírus para outras propriedades e, consequentemente, menores serão os impactos econômicos e sanções comerciais.

"E não adianta você querer conhecer o plano de contingência na hora do problema", alertou o consultor. "É importante conhecê-lo previamente, treinar para saber o que fazer, porque tudo isso vai ser determinante para que a resposta seja rápida", completou.

Durante a entrevista, Sula falou sobre o trabalho que vem sendo realizado pela ABPA para disseminar informações, educar os atores do setor e apoiar os órgãos públicos na atuação contra a Influenza Aviária. Segundo a diretora técnica da ABPA, a entidade tem reforçado a importância dos procedimento de biosseguridade relacionados à circulação de pessoas.

"Seja gente da própria granja, em visita, em retorno de uma viagem a lazer ou a negócios, e de qualquer outra pessoa que possa estar circulando em granjas, assim como em qualquer estabelecimento que possa representar um risco de se contaminar", destacou Sula. "A gente não quer ficar colocando medo, fazendo terrorismo, mas temos que lembrar que não podemos relaxar", salientou.

Bruno Pessamilio apresentou uma relação de Equipamentos de Proteção Indidivual necessários para o caso de uma emergência sanitária e apontou com quantificá-los. O especialista mencionou macacões descartáveis e impermeáveis, máscaras, que podem variar entre as mais simples até com respiradores externos, tocas, botas, óculos de proteção, luvas de procedimento, luvas cirúrgicas e propés, entre outros.

Segundo ele, toda unidade deve ter um histórico de quantas pessoas são necessárias para executar o procedimento completo de limpeza e desinfecção. O cálculo de mão de obra também deve incluir outros procedimentos, como depopulação e destruição de carcaças.

"O que a gente faz é calcular a rotina da empresa, quantos funcionários ela já costuma usar para fazer um procedimento, estender para todo um período de vazio de influenza aviária, (30 dias)", explicou. "E um operador vai usar, em média, três conjuntos de roupa por dia, trabalhando oito horas", completa.

Segundo Bruno Pessamilio, existem estimativas da necessidade de 600 a mil trocas de roupas para fazer um vazio completo de um núcleo, desde o sacrifício até a liberação para novos alojamentos. Ele lembrou também, que o MAPA adquiriu um estoque estratégico de EPIs, disponibilizado para patógenos de fácil disseminação no país.

"Sob o meu ponto de vista, a gente deveria ter equipamento suficientes para aguentar entre 30 a 60 dias de uma operação de emergência, sem precisar comprar", explicou Pessamilio. "É possível a gente pensar em estoques estratégicos, posicionados regionalmente, que dêem esse suporte inicial imediato", completou.

O especialista ressaltou que o estoque estratégico deve ser suficiente para da início a uma operação, evitando que as equipes fiquem paradas aguardando a compra de roupas e equipamentos. Ele lembra que equipamentos como botas de borracha são mais fáceis de encontrar, porém, macacões descartáveis são um tipo de material mais técnico.

"Empresas podem se unir, associações, e ter um conjunto de roupas que atendam um conjunto de granjas naquela região", orientou Pessamilio. "E, na medida que for sendo necessário, outros estoques podem ser deslocados para aquela região, ou realmente haver a aquisição de novos materiais", completou.

O Programa "Estúdio agrinNews", entrevista especialistas sobre os temas mais atuais do agronegócio. Para conhecer o conteúdo completo sobre Plano de Contingência à Influenza Aviária, acesse o Canal agriNews TV Brasil no Youtube.

 

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