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Granulometria: o detalhe que pode estar custando desempenho e ainda é subestimado na fábrica de ração

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Granulometria influencia consumo, digestibilidade e desempenho, impactando custo e eficiência na produção avícola

Granulometria: o detalhe que pode estar custando desempenho e ainda é subestimado na fábrica de ração

Na busca por eficiência na avicultura, a qualidade do pellet ainda domina as decisões industriais. Mas esse foco pode esconder um ponto crítico: a granulometria dos ingredientes. O impacto aparece diretamente em consumo, digestibilidade e desempenho — e, consequentemente, no custo por quilo produzido.

Durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, a Diretora da agriNews Brasil Priscila Beck  entrevistou Wilmer Pacheco, professor da Universidade de Auburn, que trouxe uma leitura técnica e prática sobre o tema .

Segundo o especialista, o setor evoluiu, mas ainda carrega um viés histórico que prioriza a integridade do pellet em detrimento da estrutura física da ração.

Antes ficava muito preocupado pela qualidade do pellet e esquecia da granulometria dos ingredientes”, explica Wilmer Pacheco .

Esse desequilíbrio impacta diretamente o desempenho das aves. Granulometria fina demais pode comprometer a saúde gastrointestinal e a digestibilidade. Já partículas muito grossas reduzem o consumo, principalmente em fases iniciais.

Se você tem uma granulometria muito fina vai ter mais problemas de digestibilidade e se você tem uma granulometria muito grossa a ave vai reduzir o consumo” .

Na prática, isso significa perda de uniformidade de lote, pior conversão alimentar e menor previsibilidade de resultados — pontos críticos para a indústria.

O desafio técnico não está apenas na moagem inicial, mas na transformação que ocorre ao longo do processo. Mistura, condicionamento e peletização alteram a estrutura das partículas, o que dificulta a leitura real do que chega ao animal.

A indústria não sabe qual é que é a granulometria que está chegando para o frango”, destaca o professor .

Esse ponto abre uma nova frente estratégica: não basta controlar a granulometria do ingrediente isolado, é preciso entender a granulometria final dentro do pellet, que será determinante para a digestão após a desintegração no trato digestivo.

Além disso, fatores de processo como tempo de retenção no condicionador e resfriamento influenciam diretamente tanto a qualidade do pellet quanto a preservação da estrutura das partículas.

O avanço do setor brasileiro é reconhecido, mas ainda há espaço técnico para refinamento, especialmente na padronização de metodologias e no controle integrado do processo.

A provocação é clara: eficiência não está apenas na forma do pellet, mas naquilo que acontece depois que ele se desfaz. E é nesse ponto que muitos resultados ainda estão sendo perdidos sem serem percebidos.

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