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Impacto da ambiência sobre problemas respiratórios ligados ao gás amônia

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Impacto da ambiência sobre problemas respiratórios ligados ao gás amônia

Grandes são os impactos dos gases gerados pelas aves em seu processo de produção devido à má qualidade do ar e umidade da cama, ocasionado principalmente por manejo inadequado das instalações (estruturas mal dimensionadas, falta de isolamento, falhas de projetos, falha no treinamento de mão de obra, entre outros).

Estes fatores impactam diretamente o status sanitário do lote, abrindo portas para agentes oportunistas presentes no ambiente. E na maioria dos casos, há uma correlação dos fatores causadores, predispondo ainda mais ao aparecimento de patologias que acometem o trato respiratório.

Nas aves, os pulmões são ligados a nove sacos aéreos. Essas estruturas permitem uma alta eficiência de troca de gases do ar, visto que, após passar pelos sacos aéreos posteriores, o ar é forçado através dos pulmões por compressão dos brônquios primários, antes de retornar para o exterior. Apesar de possuírem pulmões rígidos e pequenos, esse mecanismo permite que a ventilação ocorra de forma eficaz nas aves.

Impacto da ambiência sobre problemas respiratórios ligados ao gás amônia

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No entanto, devido a esse fator, as aves ficam expostas aos agentes externos e variação do ambiente.

Enfermidade infecciosa, pode apresentar diversificadas etiologias, desde bactérias e fungos a infecções virais. Entre os agentes mais encontrados estão: Mycoplasma gallisepticum, Escherichia coli e Aspergillus spp. E os menos frequentes são: Coronavírus, Paramixovírus e Herpes vírus. É frequente quadros de aerossaculite com agentes associados.

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A aerossaculite geralmente está ligada a fatores ambientais e tem papel importante na manifestação e/ou na evolução do quadro clínico. Entre os fatores ambientais causadores da aerossaculite destaca-se a amônia (NH3), que se forma devido à falha na ambiência.

Os sinais clínicos podem variar, como:

Impacto da ambiência sobre problemas respiratórios ligados ao gás amônia

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Agente:

Um dos pontos críticos na avicultura, ligado diretamente à formação e liberação do NH3, é a cama do aviário, que tem o papel de garantir conforto às aves ao absorver parte da umidade, diluir uratos e fezes, proporcionar isolamento térmico e diminuir lesões de peito, joelho e coxim plantar e problemas respiratórios.

Normalmente, a cama é constituída por substratos inertes e sua qualidade depende da composição, tamanho das partículas, teor de umidade e grau de compactação. Pode ser reutilizada, a fim de diminuir os custos de produção, mas isso pode aumentar a umidade e propiciar a produção excessiva de amônia.

O excesso de umidade causada pelo mal manejo dos equipamentos e vazios sanitários curtos, entre outros, contribuem para a formação e liberação do gás.

O gás amônia (NH3) é tóxico e reconhecido como um dos contaminantes mais dominantes em galpões que abrigam frangos de corte. Esta molécula provém da quebra do ácido úrico excretado pelos frangos de corte, e a taxa de emissão depende da umidade da cama, que tende a aumentar à medida que a excreta é acumulada no material. Uma vez emitida, a amônia se acumula no interior do aviário até ser liberada para a atmosfera pelo sistema de ventilação.

Os humanos não detectam amônia abaixo de 20ppm e não a percebem como nociva até 50ppm. Desta forma, as aves são afetadas antes que o problema seja identificado, visto ser detectada pelas aves a partir de 15ppm, sendo 25ppm o limite máximo de exposição.

Ajustes da ventilação e manejo adequado da cama são mecanismos estratégicos para manter uma adequada qualidade do ambiente no interior dos galpões.

 

Causas:

A crescente busca por novas tecnologias contribui para as aves expressarem seu potencial genético, porém, faz-se necessário mão de obra qualificada para manter e seguir corretamente os parâmetros dos equipamentos.

A climatização de galpões estimula aumentos na densidade animal para reduzir custos e amortizar investimentos. Todavia, o maior número de aves/m2 aumenta a compactação da cama, o que diminui sua capacidade de absorção e eleva a concentração de amônia. Assim, ambientes de alta densidade requerem melhor controle do teor de amônia, especialmente no final do ciclo produtivo, para evitar prejuízos ao bem-estar e à produtividade do lote.

Em galpões de alta densidade é necessário garantir a troca de ar por meio de ventilação, sem que a temperatura interna do galpão se torne crítica. Os nebulizadores devem estar regulados para produzirem micro gotículas, facilitando a evaporação da água e para não umedecer a cama. Os bebedouros e encanamentos demandam manutenção para evitar derramamento de água na cama e, se ocorrer, é preciso substituir por substrato seco e/ou trituração desta.

O correto dimensionamento é de extrema importância proporcionando uma dinâmica perfeita de acordo com as necessidades e desafios enfrentados nos ambientes externos e internos. Todavia, falhas nos projetos levam a condições que impactam negativamente a produção.

Uso exacerbado de placas evaporativas e sistemas de umidificação durante o lote interferem nos alojamentos seguintes, pois uma cama mal trabalhada e com umidade elevada aumenta a liberação de amônia, afetando as aves nas primeiras semanas, período crítico.

A exposição de animais a altos níveis de amônia causa irritação das membranas mucosas e do trato respiratório, conjuntivite e dermatite.

No sistema respiratório das aves, a traqueia atua como um canal de ar para a respiração, sendo a primeira linha de defesa contra poluentes. A exposição ao NH3 afeta diretamente a traqueia, causando anormalidades na resposta imune traqueal no sistema respiratório. O aumento das células T auxiliares 2 ( Th2 ) e das células T auxiliares 17 (Th17) acelera o desequilíbrio das células reguladoras (Treg)/células T auxiliares 1 (Th1), causando inflamação das lesões da traqueia (Figura 1).

Impacto da ambiência sobre problemas respiratórios ligados ao gás amônia

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Além disso, a exposição excessiva ao NH(30 ppm) causa resposta inflamatória nos neutrófilos do sangue periférico em frangos.

Estes fatores culminam em um gasto metabólico da ave para o sistema imunitário e aumenta a vascularização da área, abrindo portas para agentes expostos no ar.

Frangos de corte expostos à amônia, dióxido de carbono e poeira por seis dias consecutivos apresentam perda significativa de cílios a partir do epitélio da porção superior da traqueia, prejudicando o transporte de muco e a eliminação de partículas indesejáveis. A partir de 10ppm de amônia, inicia-se a deterioração dos cílios do epitélio traqueal das aves e, acima de 20ppm, há maior susceptibilidade às enfermidades respiratórias.

Considerações Finais

Os impactos negativos gerados pelo mal controle do ambiente das aves afetam diretamente o desempenho e status sanitário do lote, abrindo portas para agentes oportunistas, prejudicando a criação.

O dimensionamento incorreto, somado à falta de manutenção e ao manejo inadequado das instalações, inevitavelmente impactará o desempenho zootécnico e a imunidade dos animais.
Dentre as várias consequências está a formação em excesso da amônia, um dos principais causadores destes problemas, devido ao impacto negativo no sistema de defesa da ave.
O conhecimento sobre a forma correta de operação dos sistemas de climatização, assim como uma boa instalação, permite minimizar e até neutralizar estes efeitos negativos, proporcionando bem-estar animal, refletindo em melhor desempenho tanto produtivo como na resposta imunológica às vacinações e agentes nocivos presentes no ambiente.

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