Importância da doença de Marek e Leucose Linfóide na avicultura familiar e caipira – Parte II
A primeira parte deste artigo abordou a importância da avicultura familiar nas zonas rurais e os desafios sanitários que ela enfrenta, especialmente por doenças virais como a doença de Marek e a leucose linfóide. Ambas apresentam manifestações clínicas e lesões anatomopatológicas semelhantes, dificultando o diagnóstico diferencial e afetando a saúde do plantel.
Esta segunda parte aprofunda os aspetos histopatológicos, diagnósticos e nas estratégias de prevenção e controle.
HISTOPATOLOGIA DA DOENÇA DE MAREK
As lesões histológicas em Marek são caracterizadas por:
HISTOPATOLOGIA DA LEUCOSE LINFÓIDE
As lesões microscópicas na leucose linfóide consistem em infiltrados homogêneos de células linfoblásticas. As neoplasias têm origem na bursa de Fabricius, sendo que nos folículos ocorre uma transformação tumoral dos linfócitos B.
Isso ocorre por volta da sexta semanade idade. Trata-se de folículos tumorais muito proeminentes que comprimem e deslocam os folículos normais. (Figuras 10, 11, 12 e 13).
Tabela 1. A tabela comparativa permite diferenciar claramente as características clínicas, macroscópicas e microscópicas entre a doença de Marek e a leucose linfóide.
DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE MAREK
- Histórico clínico: É fundamental saber se as aves foram vacinadas contra Marek, qual foi a vacina utilizada e o calendário de vacinação.
- Autópsia completa: Deve incluir a inspeção dos plexos nervosos e dos nervos periféricos.
- Histopatologia: A histopatologia é essencial para um diagnóstico preciso, especialmente em função do tipo de infiltração linfóide e da sua localização. A infiltração linfocitária nos nervos é característica da doença.
- Testes de diagnóstico: Imunohistoquímica e PCR são úteis para identificar a doença. São utilizadas técnicas moleculares, como a PCR quantitativa, para detectar o genoma viral em tumores.
- Testes sorológicos: Os testes sorológicos incluem: Imunofluorescência, Imuno-histoquímica, ELISA, Teste da precipitina em ágar e Neutralização de vírus.
Anteriormente, destacam-se os métodos-chave para diagnosticar a doença de Marek, desde o histórico clínico até os exames especializados.
DIAGNÓSTICO DE LEUCOSE LINFÓIDE
- Idade de detecção: A leucose linfóide não é observável em plantéis de frangos de corte, uma vez que a detecção de tumores é geralmente realizada a partir das 16 semanas de idade.
- Diferenciação com a doença de Marek: É importante enfatizar a ausência de lesões nos plexos nervosos e nos nervos periféricos, uma vez que estas são patognomônicas da doença de Marek.
- Características histológicas: Na leucose linfóide, os infiltrados de células tumorais são uniformes e são formados por linfoblastos. Em contraste, na doença de Marek, os infiltrados linfóides são pleomórficos ( apresentam formas diferentes).
- Testes para diagnóstico: Vários testes biológicos para a detecção da leucose linfóideforam descritos, incluindo:
- Critérios virológicos e sorológicos para detectar o vírus, antígenos virais e anticorpos específicos. Esses testes são úteis para garantir a ausência de infecção em aves livres de patógenos e em reprodutoras. Eles também ajudam a garantir que as vacinas estejam livres de vírus.
- Limitações dos testes: O valor diagnóstico destes testes é limitado, uma vez que os vírus oncogênicos nas aves frequentemente produzem infeções sem induzir neoplasias.
PREVENÇÃO E CONTROLE DA DOENÇA DE MAREK
As medidas de biosseguridade utilizadas atualmente na avicultura influenciam a prevenção de todas as doenças infecciosas, incluindo a doença de Marek. No entanto, a vacinação é imprescindível e deve ser realizada no primeiro dia de vida ou aos 18 dias in ovo.
Estão disponíveis comercialmente vacinas com os seguintes sorotipos:
- Sorotipo 3 do HVT: Cepa FC-126.
- Sorotipo 2: Cepas SB-1 e 301B/1
- Sorotipo 1: Cepas atenuadas CVI-988 e HPRS-16.
Existem também vacinas bivalentes, como:
- SB-1 (sorotipo 2) + FC-126 (sorotipo 3).
- CVI-988 (sorotipo 1) + HVT.
E vacinas trivalentes, tais como: Sorotipo 1 + sorotipo 2 + sorotipo 3.
Entre as vacinas recombinantes encontram-se:
- HVT + gene viral IBF + gene viral LTI.
- HVT + gene viral IBF + gene viral ENC.
PREVENÇÃO E CONTROLE DE LEUCOSE LINFÓIDE
Implementar igualmente todas as medidas de biosseguridade e, se possível, monitorizar permanentemente os plantéis reprodutores com testes biológicos de deteção viral, de antígenos virais e de anticorpos específicos, para eliminar as aves portadoras do vírus ou que apresentem anticorpos. Não existe vacina contra a leucose aviária.
CONCLUSÃO
A doença de Marek e a leucose linfóide representam sérias ameaças à avicultura familiar e sistemas livres. Seu controle exige diagnóstico preciso, biosseguridade rigorosa e vacinação (apenas para Marek).
É essencial capacitar veterinários e técnicos, e fornecer proteção para as aves afim de preservar a diversidade genética e garantir a sustentabilidade da produção em sistemas não tecnificados.
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