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Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!

Escrito por: Adriano Bailos - Consultor Incubatório Aves
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Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!

Em plena era da inovação, da automação de processos e até da inteligência artificial um problema raiz ainda ecoa por praticamente todas as plantas de incubação do Brasil, Mão de obra… ou a falta dela!

É muito comum quando visitamos incubatórios pelo país escutar frases como “Não tem gente para contratar” ou então “De cinco pessoas aprovadas apenas uma voltou no segundo dia” essa realidade assusta as empresas que com frequência passam meses tentando fechar o quadro de colaboradores sem sucesso, desta realidade surgem algumas perguntas como; Porque os recém contratados não voltam no dia seguinte, ou então; Devo automatizar o incubatório para reduzir a necessidade de pessoas ou investir mais em salários, benefícios e atrativos para os colaboradores?  

Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!

Neste artigo pretendo ajudá-los a entender essa realidade e se possível responder algumas dessas perguntas.

Sabemos que quanto maior o número de colaboradores mais difícil fechar o quadro, e não há dúvida que o primeiro passo para reduzir a necessidade de pessoas é automatizar o incubatório, o que olhando superficialmente parece bem óbvio, mas, não é bem assim, sem dúvida as novas tecnologias nos ajudam a reduzir a quantidade de colaboradores necessários para fazer um incubatório girar, equipamentos como:

Tem nos ajudado muito a reduzir os trabalhos manuais diminuindo a necessidade de contratações, portanto sem dúvida, SIM a automação é um caminho muito interessante principalmente  quando fazemos a conta de colaboradores por mil ovos incubados, por exemplo se compararmos um incubatório automatizado e um manual a realidade é bem diferente, enquanto as plantas de incubação maiores e totalmente automatizadas chegam a trabalhar com até 140.000 ovos incubados homem/mês  em plantas menores e sem automação muitas vezes não chegamos nem a metade disso sendo obrigados a utilizar o dobro de colaboradores.

Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!

Infelizmente apesar de ser viável, esta realidade ainda é pouco acessível a plantas de incubação menores e mais antigas, pois, além do alto custo dos equipamentos, uma outra situação que dificulta a instalação das automações em incubatórios já existentes é o espaço físico das salas que muitas vezes foram construídas apenas para receber pequenas mesas e não grandes equipamentos de automação.

Outra situação que deve ser levada em consideração é que, quanto mais tecnológica uma planta de incubação se torna reduzindo a mão de obra comum, mais mão de obra especializada é necessária, na prática em média para cada 12 a 15 colaboradores comuns que reduzimos com a automação, um profissional especializado precisar ser  contratado para manter esses equipamentos funcionando, ou seja mesmo a automação sendo um caminho interessante existem variáveis particulares de cada incubatório a considerar antes de tomar a decisão de automatizar ou não.

Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!

A grande verdade é que tendo automação ou não ainda assim precisamos de pessoas para executar muitas tarefas, e aí vem a grande dificuldade, como contratar e manter essas pessoas trabalhando dentro das plantas de incubação?

Trabalhar em um incubatório assim como em algumas outras áreas da avicultura não é fácil, os banhos para iniciar o trabalho, os ambientes fechados que não permitem ver a luz do sol, a proibição de uso de celulares, trabalhar aos finais de semana, a proibição de adornos como brincos pulseiras e anéis, os horários inflexíveis muitas vezes a noite ou na madrugada são algumas das situações que jogam contra nosso setor e infelizmente essas são situações nas quais não temos muita atuação, nesse caso reclamar não adianta o que temos que fazer é focar naquilo que está em nossas mãos. 

Portanto se temos tantas coisas jogando contra o que devemos fazer para melhorar nossas chances? Além de salários e benefícios compatíveis com o mercado de trabalho da região o que mais podemos fazer para que as pessoas queiram trabalhar no incubatório?

Em primeiro lugar é imprescindível que tenhamos um programa de recepção e integração das pessoas é muito importante que o obvio sempre seja dito, e que ao entrar no incubatório pela primeira vez esse colaborador tenha alguém o acompanhando desde a portaria para lhe mostrar seu armário, onde se deve deixar suas coisas pessoais, explicar como funciona e a importância do banho além de entregar seus pertences internos, é muito comum ver novos colaboradores perdidos no vestiário sem saber o que fazer, em seguida esse colaborador deve ser lavado para todos os setores de apoio e produção para que se familiarize com o ambiente. Aí vem a pergunta então é só isso se eu mostrar e explicar tudo o colaborador não vai embora? 

Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!

Calma ai!  Este é só o primeiro passo, para que este colaborador não vá embora no dia seguinte temos que nos certificar que ele terá o mínimo de conforto e dignidade para passar seu dia de trabalho, na minha opinião são três os pontos chave que nos ajudarão a criar e manter uma equipe longeva e motivada.

Atenção as pessoas, Dignidade e conforto! 

Atenção as pessoas:  Como já disse acima consiste em não jogar o colaborador novato de paraquedas no incubatório, sem ter a mínima noção dos procedimentos de banho ou de biosseguridade sem saber onde deixar suas coisas sem saber onde pegar seu uniforme e calçado para iniciar o trabalho, literalmente alguém da área de qualidade ou supervisão tem que pegar ele pela mão e familiarizá-lo com o seu novo ambiente de trabalho explicando tudo que ele precisa saber.

Também manter um refeitório longe da produção e dos banheiros, higienizado, com boa iluminação, pratos, talheres, mesas e cadeiras suficientes para todos.

Manter disponível água potável de boa qualidade, criar um espaço separado para que as pessoas possam guardar seus itens de higiene pessoal, escova, pasta e fio dental além de lavatórios limpos e longe dos vasos sanitários para a escovação e toalhas de papel para enxugar as mãos.

Na verdade falamos em mínimo de condições de conforto como: um vestiário aquecido no inverno, água dos chuveiros com a possibilidade de adequar a temperatura de acordo com a necessidade de cada um, fornecer boas refeições para que o funcionário não precise acordar uma hora antes para fazer seu alimento ou caminhar várias quadras para ir a sua casa, preparar o alimento comer e voltar a tempo de tomar mais um banho para entrar no incubatório.

Manter ar-condicionado nos refeitórios e nos espaços de descanso adequados para o descanso após as refeições com espreguiçadeiras ou colchonetes e se possível uma área de recreação com tv.

Além desses pontos não podemos esquecer que a liderança que exercemos sobre essas pessoas no dia a dia tem um grande impacto na manutenção da equipe, líderes preparados e bem treinados para criar um ambiente de trabalho saudável e acolhedor é imprescindível para que a equipe se sinta valorizada e faça propagandas positivas desse ambiente na comunidade instigando mais pessoas a quererem trabalhar no incubatório.

 

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