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Segundo dia do incubaFÓRUM 2026 reforça o alinhamento entre prática no campo e tecnologia de ponta

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Segundo dia do incubaFÓRUM 2026 reforça o alinhamento entre prática no campo e tecnologia de ponta | Por redação agriNews

O segundo dia da 5ª edição do incubaFÓRUM confirmou o que já vinha sendo sinalizado ao longo do evento, a incubação deixou de ser apenas uma etapa operacional da cadeia avícola para assumir um papel estratégico na construção dos resultados produtivos, sanitários e econômicos.

Com mais de 300 participantes inscritos, o encontro reuniu profissionais de diversas regiões do Brasil e recebeu visitantes de países como Chile, Peru, Paraguai, México e Uruguai, fortalecendo seu posicionamento como um dos principais fóruns técnicos dedicados à incubação avícola da América Latina.

A programação do segundo dia do incubaFÓRUM 2026, no período da manhã, manteve o elevado nível técnico do evento e ampliou o debate sobre como a evolução dos incubatórios está impactando diretamente indicadores de desempenho, qualidade dos pintinhos, biosseguridade, bem-estar animal, sustentabilidade e rentabilidade das operações. Um verdadeiro brainstorm de alta patente sobre pesquisas científicas, trabalhos de campo, experiências e propostas de inovação, alinhadas à tecnologia, mudanças de processos e o uso otimizado de Inteligência Artificial. 

Mais do que discutir equipamentos ou processos isolados, os palestrantes convergiram na proposta de que o incubatório tornou-se um centro de inteligência produtiva capaz de influenciar toda a cadeia, do ovo fértil ao produto final.

Efeito bola de neve coloca incubatório como protagonista dos resultados

Ao abordar a busca por maior uniformidade dos lotes, Eduardo Romanini, especialista em incubação avícola e tecnologia de incubatórios, possui mestrado em Mecanização e Tecnologias Agrícolas e doutorado (PhD) em Engenharia de Biossistemas pela KU Leuven, na Bélgica e atua na empresa Petersime, destacou que a padronização dos resultados começa muito antes da chegada dos pintinhos às granjas. Segundo ele, a homogeneidade do processo incubatório depende da adoção de estratégias que considerem características semelhantes entre os lotes, especialmente relacionadas ao sexo das aves.

Eduardo Romanini (Foto: agriNews Brasil)

“O incubatório é uma das poucas etapas da cadeia onde ainda é possível reduzir a variabilidade. Quando erramos no início do processo, criamos um efeito bola de neve que acompanha o frango até o abate. Uniformidade não é apenas um indicador de incubação; é um requisito para eficiência, qualidade e rentabilidade em toda a produção”, pontuou Romanini.

A reflexão de Romanini reforça um conceito que permeia diferentes apresentações do evento: erros no início do processo são amplificados ao longo da cadeia produtiva, comprometendo indicadores zootécnicos e econômicos nas etapas seguintes.

“Por isso, o incubatório precisa assumir seu papel estratégico. É uma das poucas etapas da cadeia onde ainda temos a oportunidade de reduzir a variabilidade, e não apenas conviver com ela. Se errarmos na largada, carregamos esse problema até o final do processo produtivo”, disse.

Adriano Bailos, consultor especializado em incubação avícola, com atuação focada em incubatórios de estágio único e múltiplo, climatização, automação, gestão de custos e otimização de processos produtivos, considerado referência técnica da área no Brasil e na América Latina, Bailos foi o embaixador do incubaFÓRUM 2026 e destacou em sua palestra que a modernização dos incubatórios passa pela integração eficiente entre software, hardware e sistemas de climatização. Para Bailos, a adoção de tecnologias deve ser encarada como ferramenta para eliminar gargalos, otimizar processos e reduzir custos operacionais.

Adriano Bailos (Foto: agriNews Brasil)

“A incubação moderna é um caminho sem volta. Não basta apenas incubar ovos; é preciso gerenciar uma série de fatores interligados, como temperatura, ventilação, umidade, CO₂, climatização e automação. O grande desafio da avicultura atual é fazer todos esses elementos trabalharem em harmonia para entregar um pintinho de alta qualidade e garantir resultados positivos ao longo de toda a cadeia produtiva”, afirmou Bailos. 

Romanini e Bailos defenderam a ideia de que os incubatórios assumem papel decisivo na construção da eficiência produtiva da avicultura moderna.

“O incubatório participa de praticamente tudo o que acontece na vida do frango. Ele pode comprometer um trabalho que começou na matriz ou potencializar os resultados que serão obtidos no campo e no abatedouro. Por isso, investir em incubação moderna é investir diretamente na eficiência e na competitividade da produção avícola”, ressaltou Adriano Bailos. 

Biosseguridade: a primeira barreira de proteção

Outro tema recorrente no incubaFÓRUM 2026 foi a necessidade de fortalecer protocolos de biosseguridade dentro dos incubatórios. Eduardo Costa, médico-veterinário e consultor reconhecido no setor avícola e atua na Innovatec, chamou atenção para a importância de reduzir ao máximo a exposição dos pintinhos a patógenos ao longo do processo incubatório. Entre os pontos destacados, o especialista ressaltou que o laboratório de vacinas deve ser considerado o ambiente mais limpo de toda a planta, exigindo rigor absoluto nos protocolos sanitários.

Eduardo Costa (Foto: agriNews Brasil)

Costa também enfatizou que os procedimentos de desinfecção precisam respeitar integralmente o tempo de ação dos desinfetantes, evitando que etapas fundamentais sejam encurtadas em busca de agilidade operacional.

“Muitas vezes o problema não começa na incubadora, mas na sala de processamento. Podemos fazer todo o trabalho corretamente durante a incubação e perder qualidade por falhas de projeto, manejo ou logística nessa etapa final”, disse. 

Para Costa, há um agravante que pode sensibilizar, ainda mais, o setor, a falta de mão de obra. “Hoje, cerca de 60% a 70% da mão de obra do incubatório está concentrada na sala de processamento, justamente o setor mais impactado pela escassez de profissionais. Por isso, a automação deixou de ser apenas uma questão de retorno sobre investimento e passou a ser uma necessidade operacional. Em muitos casos, não se trata mais de escolher entre automatizar ou não; trata-se de conseguir processar os pintinhos com qualidade e regularidade”, Concluiu.

 

Protocolo ou ilusão de controle? O desafio da desinfecção efetiva

No encerramento, durante o período da tarde, a sincronia entre os temas e os tons utilizados pelos palestrantes, fortaleceram a discussão, por exemplo, quanto à higienização dos setores no processo incubatório, que ganhou profundidade durante a palestra de Thomas Calil, médico veterinário e especialista em processos incubatórios.

Thomas chamou atenção ao destacar que higienização e desinfecção não são sinônimos. Em sua apresentação, defendeu que processos sanitários eficazes dependem da combinação entre limpeza adequada, escolha correta dos desinfetantes, tempo de contato às superfícies e rigor na execução dos protocolos.

Thomas Calil (Foto: agriNews Brasil)

“Espuma, enxágue e secagem não significam desinfecção. Para que a desinfecção aconteça de fato, é preciso combinar potência, temperatura, produto e tempo de ação. Muitas vezes vemos processos em que o desinfetante é aplicado e removido imediatamente, sem respeitar o período necessário para eliminar os microrganismos. Sem tempo de contato, não existe desinfecção efetiva”, disse.

Calil trouxe uma observação técnica, muitas vezes, despercebida no momento de planejar a execução do processo incubatório. A infraestrutura, escolha de local e terreno a ser implantado em um incubatório são decisivos para diminuir gargalos protocolares.

“A biosseguridade de um incubatório começa muito antes da entrada do primeiro ovo. Ela nasce no projeto da planta. Precisamos considerar a direção dos ventos, localização das áreas limpas e sujas, fluxo de pessoas, materiais e resíduos. Um erro de concepção estrutural pode comprometer o status sanitário do incubatório durante toda a sua vida útil. O pássaro João-de-Barro nos ensina isso muito bem, primeiro ele entende o ambiente para depois construir”, explicou Calil.

Para Thomas, a eficiência sanitária depende da padronização dos processos, da escolha correta dos produtos e do cumprimento rigoroso dos protocolos. Caso contrário, o resultado é apenas consumo de recursos sem ganhos reais para a biosseguridade.

A eficiência da vacinação in ovo depende do momento correto

Christopher D. Gomes, médico veterinário e especialista em vacinação in ovo da Zoetis, apresentou aspectos técnicos relacionados à eficácia vacinal e destacou a importância do estágio de desenvolvimento embrionário para o sucesso do procedimento.

“A eficácia da vacinação in ovo está diretamente relacionada ao estágio de desenvolvimento embrionário. À medida que o embrião se desenvolve, ocorre a redução dos líquidos embrionários e o aumento do volume corporal, elevando a probabilidade de a vacina ser depositada no líquido amniótico ou no próprio corpo do embrião, que são os locais capazes de gerar a resposta imunológica desejada. Por isso, além da idade cronológica de incubação, é fundamental monitorar a idade fisiológica do embrião no momento da transferência’, explicou.

Christopher D. Gomes (Foto: agriNews Brasil)

As informações técnicas trazidas por Gomes, convergiram com os dados apresentados pela pesquisadora dra. Isabel Cristina Boleli, no primeiro dia do incubaFÓRUM quanto a eficácia está atrelada às fases da incubação. De acordo com o Gomes, a eficiência da vacinação está diretamente associada ao momento em que ela é realizada. Quanto mais avançado estiver o desenvolvimento do embrião dentro dos parâmetros recomendados, maior tende a ser a resposta vacinal.

“A vacinação in ovo exige precisão biológica. Não basta considerar apenas as horas de incubação; é necessário avaliar o estágio de desenvolvimento do embrião. Quanto mais próximo do estágio fisiológico ideal, maior a chance da vacina atingir os compartimentos corretos e entregar os níveis de proteção esperados para o pintinho”, concluiu Christopher.

Integração de dados e inovação impulsionam nova era da incubação

Ao longo do segundo dia do incubaFÓRUM 2026, ficou evidente que o futuro da incubação passa pela capacidade de integrar conhecimento técnico, gestão, automação e tomada de decisão baseada em dados. As apresentações reforçaram que o incubatório deixou de ser apenas um elo intermediário da produção para se consolidar como um “centro estratégico” capaz de influenciar diretamente a qualidade dos pintinhos, o desempenho zootécnico, a biosseguridade e os resultados econômicos da cadeia avícola.

Em um cenário marcado por avanços genéticos vorazes e pela necessidade de produzir com maior eficiência e sustentabilidade, o alinhamento entre prática de campo e tecnologias de ponta surge como um dos principais diferenciais competitivos para a avicultura dos próximos anos. 

 

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