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Micotoxinas ocultas na ração ameaçam produtividade e qualidade dos ovos na postura comercial

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As micotoxinas continuam sendo um risco silencioso para a produtividade e a sanidade das granjas de postura. O tema foi abordado pelo Prof. Carlos Augusto Mallmann na palestra “Micotoxinas na Postura Comercial: Avaliação de Riscos e Estratégias de Gestão”, apresentada durante o Congresso de Ovos 2026 da APA, destacando os impactos dessas toxinas na nutrição, saúde intestinal e desempenho produtivo das poedeiras.

O especialista explicou que essas toxinas, produzidas por fungos, podem interferir diretamente no metabolismo das aves, reduzindo a eficiência produtiva e comprometendo o desempenho zootécnico. Entre os efeitos mais frequentes estão alterações hepáticas, redução da imunidade, queda no consumo de ração e piora na qualidade dos ovos.

De acordo com Mallmann, um dos grandes desafios no manejo das micotoxinas é que os efeitos nem sempre são evidentes no curto prazo.

Quando aparecem lesões no fígado, muitas vezes o prejuízo já aconteceu antes”, afirmou.

O professor destacou que a avaliação do fígado das aves pode ser um importante indicador de exposição às toxinas. Alterações hepáticas estão frequentemente associadas à presença de micotoxinas na dieta e podem indicar impactos metabólicos que afetam diretamente o desempenho produtivo.

Outro ponto crítico apontado na palestra foi o efeito combinado entre diferentes toxinas presentes na ração. Segundo o pesquisador, a interação entre micotoxinas pode potencializar os danos ao organismo das aves.

O problema não é apenas uma toxina isolada. Muitas vezes temos sinergia entre diferentes micotoxinas”, explicou.

Essa interação pode provocar impactos na saúde intestinal das aves, alterando a absorção de nutrientes e comprometendo o aproveitamento da dieta. Como consequência, podem ocorrer redução na produção de ovos, aumento na incidência de ovos quebrados e queda na eficiência alimentar.

Mallmann também destacou a importância do monitoramento constante das matérias-primas utilizadas na formulação das rações. Cereais como milho e trigo podem apresentar diferentes níveis de contaminação dependendo das condições climáticas e de armazenamento.

Para o especialista, a gestão adequada do risco envolve monitoramento analítico, avaliação histórica de dados e implementação de estratégias nutricionais capazes de reduzir os efeitos das toxinas.

Não existe controle eficiente sem monitoramento. É preciso conhecer o histórico das matérias-primas e analisar os dados para tomar decisões técnicas”, afirmou.

Ao final da apresentação, Mallmann reforçou que a gestão de micotoxinas deve fazer parte da estratégia nutricional e sanitária das granjas, especialmente em sistemas de produção intensivos como a postura comercial.

Se não monitorarmos as micotoxinas, elas acabam controlando o desempenho do plantel”, concluiu.

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