
A biosseguridade tornou-se o principal eixo de proteção sanitária da avicultura brasileira diante da chegada da Influenza Aviária ao país. O tema foi debatido pelo Auditor Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcelo Mota na palestra “Biosseguridade: o que mudou com a chegada da Influenza Aviária no Brasil”, apresentada durante o Congresso de Ovos 2026 da APA, reunindo produtores, técnicos e lideranças do setor.
Segundo Mota, a Influenza Aviária mudou definitivamente o nível de exigência sanitária nas granjas. “A biosseguridade é o componente-chave para a manutenção da produção ao longo do tempo”, afirmou o palestrante ao destacar que a prevenção passou a ser o principal instrumento para evitar perdas sanitárias e comerciais.

O especialista explicou que o cenário epidemiológico da doença evoluiu rapidamente nos últimos anos. Antes associada principalmente às rotas de aves migratórias, a Influenza Aviária passou a circular também em aves silvestres residentes, ampliando o risco de introdução do vírus nas áreas produtivas.
“Hoje o vírus não está mais restrito às rotas migratórias. Temos circulação em aves residentes, o que aumenta a pressão sanitária sobre os sistemas de produção”, alertou.
Esse novo cenário exige mudanças práticas na gestão sanitária das granjas. Mota destacou que medidas clássicas de biosseguridade — como controle de acesso, barreiras físicas, manejo adequado e controle de trânsito de pessoas, equipamentos e veículos — tornam-se ainda mais críticas.
“O vírus não entra sozinho na granja. Ele entra por falhas nos processos de biosseguridade”, ressaltou.
Outro ponto enfatizado foi a importância de revisar protocolos internos dentro das propriedades e das empresas integradoras. Segundo o Auditor, a cadeia produtiva precisa reforçar controles em todas as etapas, desde a logística de ração até a movimentação de equipes técnicas.
Entre as ações consideradas prioritárias estão:
Motta também chamou atenção para um desafio estrutural do setor: o crescimento da densidade produtiva em algumas regiões avícolas, o que pode facilitar a disseminação de agentes infecciosos caso ocorra uma introdução viral.
“Precisamos olhar o sistema produtivo como um todo: localização das granjas, fluxo de pessoas, transporte e interação com o ambiente”, afirmou.
Outro fator que dificulta o controle sanitário da Influenza Aviária é a complexidade do próprio vírus. Segundo Mota, existem múltiplas combinações genéticas do agente viral, o que torna o desenvolvimento de vacinas eficazes um desafio.
“Hoje não existe uma vacina que resolva o problema. Por isso a biosseguridade continua sendo a principal linha de defesa da avicultura”, explicou.
Além das medidas dentro das granjas, o especialista destacou a importância de ampliar a análise de risco regional, considerando fatores ambientais, presença de aves silvestres e rotas de circulação de animais.
Para ele, o setor precisa avançar na construção de mapas de risco sanitário e na identificação de áreas mais vulneráveis à introdução da doença.
Ao encerrar a palestra no Congresso de Ovos da APA 2026, Mota reforçou que a biosseguridade deixou de ser apenas uma exigência técnica e passou a ser um fator estratégico para a competitividade da avicultura brasileira.
“A Influenza Aviária mostrou que a sustentabilidade sanitária da produção depende de processos bem estruturados e responsabilidade compartilhada em toda a cadeia”, concluiu.
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