07 maio 2018

Nutriad, Micotoxinas: risco invisível, impacto imprevisível

As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas naturalmente nas rações, que representam um risco importante para a saúde dos animais de granja e de estimação. A exposição às toxinas ocorre, principalmente, pela ingestão de rações contaminadas.

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As micotoxinas são produzidas por fungos toxicogênicos e podem contaminar as rações em diferentes etapas da produção e processamento, desde o cultivo até o transporte e armazenamento. Em geral, as micotoxinas são muito resistentes e isto lhes permite subsistir nos alimentos, inclusive depois de se ter eliminado os fungos no processamento.

Risco invisível, impacto imprevisível

Os sinais clínicos do envenenamento por micotoxinas são denominados micotoxicose e predominam em determinados órgãos, como fígado, rins, epitélio e sistema nervoso central, conforme o tipo de toxina. Lamentavelmente, a maioria dos efeitos negativos das micotoxinas na produção moderna de aves de produção se encontram em um nível assintomático, de maneira que o diagnóstico é extremamente difícil de ser definido, se é que se pode definir. Além disso, é comum se apresentarem duas ou mais micotoxinas ao mesmo tempo e isto potencializa seus efeitos tóxicos nos animais vulneráveis.

O poder da bioinativação natural

A bioinativação natural das micotoxinas geralmente acontece no trato gastrointestinal e no fígado, sendo resultado da ação da microflora gastrointestinal e enzimas do tecido. Em geral, os efeitos negativos de uma micotoxina no corpo de um animal dependem de seu grau e ritmo de absorção no trato gastrointestinal, sua distribuição, união ou localização nos tecidos, biodegradação e processos de excreção.

A bioinativação natural é uma complexa mistura de diferentes processos que podem ocorrer simultaneamente para proporcionar defesa contra uma variedade de micotoxinas.

No trato gastrointestinal, as bactérias de origem natural, as levaduras e os protozoários têm a habilidade de bioinativar as micotoxinas da família dos tricotecenos em metabólitos não tóxicos ou menos tóxicos. A bioinativación também é produzida com outros tipos de micotoxinas, quando estas são absorvidas na superfície de bactérias probióticas. Nas aves de produção, a toxina T-2 é metabolizada e eliminada normalmente depois da ingestão. Este processo ocorre no bucho, intestino delgado e fígado, onde a hidrólise, a hidroxilação, a dexidação e a conjugação produzem mais de 20 metabólitos diferentes. Os metabólitos típicos da toxina T-2 costumam ser a toxina HT-2 e a toxina epóxica HT-2.

Inativação de micotoxinas: não é um gasto, mas uma investimento

Os aditivos para ração com efeitos antimicotóxicos seletivos que se ativam diretamente no organismo dos animais podem ser considerados a solução ideal para a micotoxicose nas aves de produção. Esses aditivos se caracterizam pelas seguintes propriedades:

Eficácia comprovada: a chave do sucesso

Sabe-se que a toxina T-2 pertence à família das micotoxinas que não se unem facilmente aos aglutinantes orgânicos ou inorgânicos e, devido a isso, devem ser implementadas outras estratégias para desativar estas micotoxinas que são especialmente prejudiciais para as aves de produção. Uma opção e reforçar os sistemas de bioativação natural das aves in vivo. O objetivo do experimento era avaliar a eficácia de um produto de desativação de micotoxinas (UNIKE® Plus) na redução dos efeitos tóxicos da toxina T-2, ocratoxina A (OTA) e fumonisinas (FUM) agregadas à dieta dos frangos de corte. Um total de 114 frangos de corte Cobb Avian 48 foram distribuídos em três grupos de teste com 38 aves em cada grupo (Tabla 1). Tabela 1: Projeto experimental

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Grupos

Tratamentos
1. Controle Dieta contaminada (dieta inicial + combinação de micotoxinas: micotoxina Т-2 em uma proporção de 0,41 mg/kg, ОТА em uma proporção de 0,16 mg/kg e FUM em uma proporção de 12,7 mg/kg)
2. Grupo de teste 1 Dieta contaminada + 0,5 kg/t de UNIKE® Plus
3. Grupo de teste 2

Dieta contaminada + 1,0 kg/t de UNIKE® Plus

 

Resultados

(figuras 1 a 3): – Reduziu a taxa de mortalidade das aves em comparação com o grupo de controle. – Aumentou a ingestão diária de ração. – Aumentou o ganho de peso diário. – Melhorou o FCR. Tabela 2: Digestibilidade e uso de nutrientes alimentares combinados em frangos de corte.

Parâmetro

Controle Grupo de teste 1 Grupo de teste 2
Percentual de matéria seca 62,4 ±2,1a 66,7 ±1,4b 69,2 ±0,9b
Percentual de proteína crua 84,5 ±2,0a 85,3 ±1,2b 86,1 ±0,5b
Percentual de gordura crua 77,3 ±1,7 78,4 ±0,4 80,6 ±0,7
Percentual de fibra crua 16,3 ±0,8a 16,3 ±1,7a 17,8 ±0,3b
Percentual de energia bruta (Q) 62,1 ±0,7a 62,6 ±0,6a 65,9 ±1,3b

Os diferentes superíndices colocados acima da linha implicam diferenças significativas em termos estatísticos (p < 0,05).                        Figura 1: Taxa de mortalidade depois de 35 dias         Figura 2: FCR depois de 35         Figura 3: Peso final depois de 35 dias

            Conclusão

A análise dos dados obtidos no experimento (a digestibilidade dos nutrientes, o peso vivo e o FCR) confirmaram que a inclusão de UNIKE® Plus nos alimentos contaminados reduziu os efeitos negativos das micotoxinas presentes, o que fez com que a produtividade relativa dos frangos de corte nos grupos de teste superasse a do grupo de controle. O uso mais eficaz dos nutrientes e as melhores taxas de crescimento também geraram economia adicional de ração das aves alimentadas com a dieta contendo o produto de desativação de micotoxinas. Os resultados deste estudo indicam que a neutralização contínua, específica e eficaz, além do controle das micotoxinas, oferecem uma oportunidade de melhorar significativamente a saúde dos animais, o rendimento, a produtividade e as ganhos. A melhor forma de controlar, na prática, os níveis de micotoxinas é utilizar kits de testes rápidos para a análise das micotoxinas na matéria prima, que ainda não foi armazenada nos silos. Existem diferentes kits de testes rápidos validados para as diferentes micotoxinas e distintos artigos que oferecem uma forma muito rápida e eficaz para analisar a matéria prima antes que entrem nas plantas de alimentos. Uma vez conhecidos os níveis, cada fábrica de ração pode estimar a qualidade de sua matéria prima, conforme a contaminação com micotoxinas, e pode aplicar de forma mais precisa e eficaz (por ajuste de dose) os aditivos de alimentos durante a produção das rações. Outra estratégia para a gestão de riscos das micotoxinas é avaliar a presença das mesmas nas rações terminadas, incluída a ração total mix (TMR) e a ensilada. Esse método tem algumas vantagens e outras desvantagens, já que cada matéria prima pode conter suas próprias micotoxinas na ração terminada. A vantagem mais importante é o fato de que a presença de matéria prima com uma taxa de inclusão baixa (de 5 a 10%) pode provocar uma contaminação importante na ração terminada, porém, pode passar inadvertida se não for realizado um teste para identificá-la na ração terminada. A desvantagem mais importante é que a análise da ração terminada implica muito tempo, de modo que, provavelmente, a ração na qual se realizou o teste já tenha sido dada como alimento aos animais no momento em que se conhece os resultados da análise.

A contaminação por micotoxinas no armazenamento (ocratoxinas, aflatoxinas) pode ser evitada com a conservação de baixa temperatura e umidade nos silos, ao mesmo tempo em que os grãos são aerados periodicamente.

Nos casos onde não se possa garantir as condições adequadas para o armazenamento, é recomendado o uso de inibidores de mofo e inoculantes para silagem. É recomendada a aplicação de aditivos específicos para rações (desativadores de micotoxinas) capazes de reduzir os efeitos negativos de diferentes micotoxinas nas aves de produção e outros animais.

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