Nutrição Animal

Inter-relação entre nutrição & imunologia de aves e suínos

Para ler mais conteúdo de aviNews Junio 2019

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Geralmente considera-se a vacinação como o processo mais importante para a proteção imunológica de um lote. Esta percepção é resultado da especificidade deste processo. No entanto, a atual compreensão dos princípios imunológicos implica que outros processos de manejo são muito relevantes para a melhoria da produtividade, através do controle da imunidade.

A imunidade populacional implica: Investimentos em qualidade da nutrição; Uso racional de aditivos de rendimento; Uso de antibióticos; Biosseguridade; Capacitação da força de trabalho; Protocolo de vacinação bem estruturado.

Estrutura do MALT

Ceva

O tecido linfoide associado à mucosa (MALT) está muito desenvolvido. O componente intestinal deste sistema é o tecido linfoide associado ao intestino (GALT), que corresponde a 80% de todo o MALT e é composto por uma complexa organização de órgãos linfoides primários e secundários. As placas de Peyer (tecidos linfoides organizados presentes na parede intestinal) são compostos por linfocitos B, cuja maioria secreta IgA no lúmen intestinal.

Às 53 semanas resta apenas uma única placa de Peyer. Embora a constituição do PP se pareça muito à dos suínos, as aves também possuem um agregado linfoide único, o divertículo de Meckel.

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É um remanescente do saco vitelino que apresenta centros germinais com linfócitos B e macrófagos. A população de linfócitos intraepiteliais no divertículo aumenta de 3 a 5 vezes, 5 dias depois da incubação e até 10 vezes aos 14 dias e, ainda mais, até os 40 dias de idade. Nas aves de produção, as células imunológicas nos intestinos não se agrupam exclusivamente nos tecidos linfoides. A mucosa intestinal, composta pelo epitélio e a lâmina própria, também é rica em leucócitos:

Estes linfócitos estão presentes no intestino no momento da eclosão, já que o colonizaram desde aproximadamente 16 dias da incubação. Entre 4 e 6 dias de vida, esta colonização aumenta e alcança a maturidade nas primeiras duas semanas de vida. O processamento de materiais estranhos (antígenos) pelo GALT segue uma sequência similar à dos tecidos linfoides sistêmicos. No entanto, nos enterócitos GALT também exercem papel no transporte de moléculas de patógenos ao alcance das células imunológicas. No revestimento epitelial intestinal, as células M são cruciais na realização desta tarefa. Tanto os enterócitos, como as células M, contribuirão para a defesa contra os patógenos.

A arquitetura intestinal local frequentemente muda em resposta a patógenos, como alterações na profundidade das criptas, produção de muco, infiltração de células linfoides, aumento do espaçamento entre as células e, assim, sucessivamente. Respostas mais específicas  serão construídas nas placas de Peyer, onde os linfócitos B iniciarão as respostas de IgA voltadas contra o patógeno

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Imunidade e nutrição

Depois da invasão dos patógenos, ocorrem muitas mudanças estruturais no intestino, relacionadas com a permeabilidade, infiltração celular, melhoramento das criptas, produção de muco e enzimas, somadas às respostas antigênicas específicas. As respostas específicas aos patógenos, denominadas resposta imunológica adaptativa, implica dois tipos principais de células:

A captura de antígenos por pinocitose, ou fagocitose pelas células M também determina a sensibilização dos linfócitos T e B nos centros germinais de PP. Depois da união do antígeno aos receptores de células B, a divisão celular e a expansão clonal começam com a produção de anticorpos específicos para o antígeno que incita às células.

Devido à conexão íntima destes tecidos linfoides com o revestimento epitelial intestinal, os componentes nutricionais têm grande efeito sobre as células imunológicas locais. Portanto, a integridade intestinal é tão relevante, como os protocolos de vacinação, para induzir uma imunidade adequada aos desafios ambientais. Quanto mais animais forem resistentes às infecções, menor será a transmissão lateral de patógenos, seguido de um caso inicial dentro do lote.

Assim como em suínos, em frangos de corte, o desenvolvimento funcional do intestino, como órgão digestivo e de absorção, está estreitamente relacionado com seu desenvolvimento como órgão imunológico.

Não é surpreendente observar que a privação de alimentos afeta sua maturação, ainda que aparentemente óbvia, esta é uma prática bastante comum em algumas unidades de produção. A janela do nascimento até a primeira alimentação, que frequentemente ocorre em algumas empresas, associada às práticas de vacinação nas plantas de incubação e o transporte até o alojamento, pode gerar uma privação de alimento bastante extensa. Nas primeiras 48 a 72 horas de vida isto gerará perdas importantes no desenvolvimento do intestino.

A perda fisiológica proveniente do atraso na alimentação se converte em perda econômica direta e irrecuperável, refletindo não só em menor ganho de peso nos frangos de corte, como também um “custo imunológico” para as aves, inclusivo até 60 semanas de idade, ou mais. Entre todos os fatores que são relevantes na proteção natural do lote, a composição ideal da dieta determinará os melhores resultados possíveis no balanço dos custos de ativação da imunidade e a produtividade animal.

A microbiota é, obviamente, muito relevante neste contexto. Os animais com um desafio ambiental extremadamente baixo (em condições de laboratório) tendem a demonstrar um rendimento melhorado em comparação com as condições de campo, devido aos custos naturais de responder ao desafio mediante ativação da imunidade. Os animais livres de germens têm 10% – 30% menos demanda metabólica que os suínos convencionais. Só quando a dieta é manejada de maneira estrita e a microbiota é melhorada, os animais em condições normais podem superar os animais livres de germens.

Obviamente, “livre de germens” não é uma opção para os animais de granja e, portanto, é muito importante controlar as bactérias que interagem com a imunidade da mucosa. Entre os dois pontos possíveis para controlar a imunidade intestinal (nutrição e microbiota), este último é muito menos conhecido.

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As respostas aos “promotores da microbiota” são usualmente instáveis e variam amplamente entre situações diferentes. As melhores respostas provém do estabelecimento de uma microbiota de alta qualidade, desde as primeiras semanas de vida, quando as populações bacterianas intestinais ainda são lábeis. Como o impacto da microbiota na imunidade, assim como as interações dinâmicas que criam, são muito sensíveis, atualmente dedica-se um capítulo da imunologia aviária a isto. O notável papel dos antibióticos foi e é (onde são permitidos) um exemplo óbvio.

Os antibióticos promotores de crescimento (promotores de rendimento) têm um tremendo impacto na função imunológica do intestino, ao alterar a constituição microbiana e, portanto, funcionam como promotores de rendimento a longo prazo.

Isso se deve ao fato de que toda a cascata imunológica mudará para reduzir o custo durante a vida da ave, se estes produtos são usados para induzir uma maturidade GALT ótima.

A maturidade induzida por antígeno do GALT pode seguir vias muito diferentes, dependendo do nível e qualidade do estímulo proporcionado. Em uma situação equilibrada, a interação antígeno-hóspede conduzirá à produção de IgA intestinal. Este se mantém em estado “saudável” pela ação de células supressoras e reguladoras que são abundantes nos tecidos da mucosa.

Nestes locais é comum que as células dendríticas e linfoides secretem, constantemente, fatores reguladores (como o retinol) que impedem as respostas abertas contra os antígenos orais, sendo crucial para evitar a imunopatologia: os tecidos da mucosa não devem responder à alimentação como o fariam a um patógeno, ou pelo contrário, surgiria alergia ao alimento.

Por outro lado, os estímulos patógenos induzem fortes respostas inflamatórias intestinais, sendo os custos e o estresse envolvidos nestas reações, escassos à situação ideal. Portanto, neste sentido, os antibióticos promotores de crescimento têm um grande impacto na imunidade e, portanto, na produtividade.

Os “custos” gerados pela imunidade no hóspede são de duas naturezas:

Algumas moléculas inflamatórias podem alcançar o hipotálamo e controlar a temperatura corporal, induzindo febre. Esta é uma resposta anti patógena natural, porém está demandando muita energia para aumentar a temperatura em poucos graus.

A inflamação também regula negativamente o apetite e o consumo de alimento diminuirá até que se alcancem as últimas etapas de imunidade. As fases posteriores da imunidade (como a produção de IgA), embora sejam custosas, são menos exigentes em termos de “oportunidade”: não há febre, nem mudanças no apetite nestas fases.

Como consequência, ao influenciar na imunidade da mucosa, o objetivo é manter os benefícios da presença de células imunocompetentes e de IgA com uma modulação mantida de maneira estrita, necessária para regular os mediadores inflamatórios. Desta maneira, pode-se explorar a resposta imunológica para atuar exitosamente contra qualquer encontro futuro com os desafios no meio ambiente, ao mesmo tempo que se evita a perda de rendimento relacionada com a inflamação.

O aumento no conhecimento da dinâmica envolvida na resposta imunológica da mucosa nos últimos anos permitiu o desenvolvimento de medidas que, especialmente para as aves de produção, podem otimizar a produção, garantindo um equilíbrio sensível entre a resposta imunológica e o rendimento.

Portanto, a nutrição é especialmente relevante para os animais em ambientes desafiantes. As respostas aos patógenos nestas situações serão produzidas principalmente na mucosa, nos intestinos e no trato respiratório. Controlar a imunidade, quer seja através da microbiota, ou diretamente por imunonutrição, é vital para prevenir perdas de produtividade. Deve-se alcançar um equilíbrio entre as respostas imunitárias fortes e o rendimento. Isto depende das interações envolvidas no maior órgão imunológico, o INTESTINO.

 

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