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O incubatório no centro da nova avicultura

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O incubatório no centro da nova avicultura

Zoetis reúne especialistas internacionais para discutir como embriologia, vacinação in ovo, biosseguridade, dados e gestão redefinem o início do ciclo produtivo

O incubatório deixou de ser apenas uma etapa de passagem entre o ovo fértil e o nascimento do pintinho. Em sistemas avícolas de alta escala, com aves de maior desempenho, maior pressão sanitária e necessidade permanente de eficiência, decisões tomadas antes da eclosão podem influenciar a qualidade do pintinho, a resposta imune, a uniformidade dos lotes e a previsibilidade do campo.

Essa foi a linha condutora do 4th International Workshop, Advancing Hatchery Health Together, promovido pela Zoetis em Florianópolis. O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir o incubatório moderno a partir de uma leitura integrada, que conecta biologia embrionária, condições de incubação, vacinação in ovo, biosseguridade, monitoramento, inteligência aplicada, gestão de equipes e sanidade avícola.

A mensagem que atravessou o evento foi clara. No início do ciclo, proteger melhor não depende de uma única ferramenta. Depende de compreender o embrião, controlar variáveis críticas, aplicar vacinas com precisão, manter disciplina operacional, formar equipes preparadas e transformar dados em decisões úteis. Nesse ambiente, ciência, tecnologia e rotina deixam de atuar em frentes separadas e passam a compor um mesmo sistema de proteção.

Antes da eclosão, já há desempenho em construção

A base técnica do workshop partiu do desenvolvimento embrionário. Christopher Dechandt Gomes, Assistente Técnico Júnior em Aves da Zoetis Brasil, mostrou que o incubatório trabalha com um processo biológico altamente organizado. Oscilações térmicas, vibrações, falhas de manejo e variações ambientais podem interferir em fases sensíveis da formação do embrião e comprometer a qualidade do pintinho.

Christopher D. Gomes (Foto: agriNews Brasil)

Dr. Edgar Oviedo-Rondón, da North Carolina State University, aprofundou essa leitura ao tratar dos efeitos das condições de incubação sobre saúde, imunidade e bem-estar. Temperatura, umidade, oxigenação, armazenamento dos ovos e pré-aquecimento foram apresentados como fatores capazes de influenciar a estruturação de tecidos e sistemas. A consequência pode não aparecer apenas na eclosão, mas dias ou semanas depois, já no desempenho produtivo das aves.

Ao relacionar desvios de incubação a impactos sobre imunidade, desenvolvimento intestinal, integridade óssea, sistema locomotor, pele, empenamento, ascite, miopatias e pododermatite, Oviedo-Rondón deslocou o debate para além da taxa de nascimento. O incubatório não deve ser medido apenas por quantos pintinhos entrega, mas pela qualidade biológica e funcional do animal que seguirá para o campo.

Vacinação in ovo não é aplicação isolada

A vacinação in ovo foi tratada como uma das plataformas de precisão do incubatório moderno. Tarsicio Villalobos, Diretor de Serviços Veterinários e Técnicos da Zoetis Global Hatchery, reforçou que a tecnologia depende do momento biológico adequado, do local correto de deposição da vacina, da integridade do produto, da assepsia e da repetibilidade operacional.

A abordagem apresentada recoloca a vacinação dentro da biologia do embrião. Para que o procedimento seja efetivo, o embrião precisa estar em estágio compatível com a resposta imune, e a vacina precisa alcançar o compartimento adequado dentro do ovo. Posição do ovo, trajetória da agulha, perfuração da casca sem fissuras, desinfecção constante e estabilidade do processo interferem diretamente no resultado.

Essa leitura amplia o papel do incubatório. A precisão não começa no instante da injeção. Ela depende da uniformidade do desenvolvimento embrionário, das condições de incubação e da qualidade da transferência. Em operações comerciais de grande volume, repetibilidade e controle passam a ter o mesmo peso estratégico da tecnologia.

A rotina também faz parte da proteção

A discussão sobre vacinação conduziu ao tema da biosseguridade. No fim da incubação, o embrião ocupa quase todo o espaço disponível dentro do ovo, e o processo exige rigor para que a aplicação não se torne uma porta de entrada para contaminações. Limpeza, desinfecção, retirada de ovos contaminados, conservação de vacinas, controle de equipamentos e qualidade ambiental não são detalhes acessórios. São componentes da estratégia sanitária.

Beatriz Silva Santos, Assistente Técnica PL em Aves da Zoetis Brasil, levou essa discussão para a rotina dos incubatórios ao apresentar uma ferramenta digital de avaliação estruturada para monitorar critérios ligados à vacinação in ovo. O acompanhamento envolve preparo de vacina, esterilidade, assepsia, temperatura de banho-maria, operação do sistema, conservação das vacinas, disciplina da equipe e controle de qualidade.

O valor da apresentação esteve justamente em mostrar que, em ambientes de alto volume, pequenas falhas repetidas podem comprometer eclodibilidade, segurança microbiológica, qualidade do pintinho e eficácia vacinal. Monitorar o processo não é burocracia. É uma forma concreta de proteger o resultado.

Dados e pessoas entram na gestão do incubatório

O workshop também discutiu o incubatório como ambiente de decisão. Vanessa Wolff, Gerente de Business Partner de RH da Zoetis, destacou que desempenho operacional depende de pessoas treinadas, liderança próxima, clareza de processo, reconhecimento e ambiente de trabalho capaz de sustentar engajamento. Em uma rotina que exige disciplina, atenção e repetição, a gestão de pessoas deixa de ser assunto paralelo e passa a afetar diretamente a qualidade da execução.

A inteligência artificial de forma aplicada à cadeia avícola também foi tema. A abordagem partiu de um desafio concreto. A produção já gera grande volume de informações, mas nem sempre consegue transformar esses dados em decisão com a velocidade necessária. Para que a inteligência artificial gere mudança real, precisa entrar no processo, trabalhar sobre bases confiáveis e apoiar a leitura de padrões.

Simon Cohen, Executive VP of Business Development da MTech Systems, ampliou essa visão ao mostrar que sensores, software e inteligência artificial tendem a operar de forma integrada. O ponto não é acumular dados, mas tornar os dados limpos, conectados e úteis. No incubatório, isso significa avançar de uma gestão apenas reativa para uma operação com maior capacidade de antecipação.

Sanidade sob maior pressão exige integração

A agenda sanitária completou o encontro. Doenças como Doença Infecciosa da Bursa, Newcastle e Influenza Aviária foram discutidas em um contexto de maior circulação global de patógenos, aves mais produtivas, sistemas intensivos e necessidade de respostas coordenadas.

Dr. Guillermo Zavala, consultor da Avian Health International, LLC, chamou atenção para a importância da imunocompetência e da vigilância. No caso da Doença Infecciosa da Bursa, a preocupação não se limita à bolsa de Fabricius, mas ao impacto da enfermidade sobre a capacidade da ave de responder a outros desafios sanitários. Em Newcastle, o especialista reforçou que proteção não deve ser avaliada apenas pela ausência de mortalidade, mas também pela preservação do desempenho, da qualidade do produto e pela redução da excreção viral.

Eduardo Muniz, Gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis Brasil, conectou essa discussão ao papel do incubatório como ponto de padronização vacinal. A migração de vacinas para o incubatório responde à necessidade de reduzir variáveis, ampliar controle e antecipar proteção. Ainda assim, o resultado depende da escolha correta da tecnologia, do entendimento de suas limitações e da qualidade da execução.

A experiência mexicana com Influenza Aviária, apresentada pelo Dr. Jose Manuel Arriola, reforçou que vacinação, quando utilizada, precisa estar inserida em um sistema de vigilância, diagnóstico, controle de movimentação, biosseguridade e resposta institucional. A sanidade moderna exige coordenação. A vacina é central, mas não atua sozinha.

O início do ciclo como ambiente de decisão

Ao reunir especialistas de diferentes áreas, o Advancing Hatchery Health Together consolidou uma leitura importante para a avicultura. O incubatório moderno não pode mais ser analisado por partes isoladas. Do embrião à operação, da vacinação ao monitoramento, da biosseguridade aos dados, a etapa inicial do ciclo produtivo concentra decisões capazes de influenciar a competitividade da cadeia.

Para a Zoetis, esse olhar reforça o compromisso de apoiar produtores, agroindústrias e equipes técnicas com conhecimento, inovação e soluções conectadas aos principais desafios do incubatório. Em um cenário de maior pressão sanitária, margens ajustadas e necessidade de previsibilidade, o início da vida das aves passa a ser compreendido como um ponto estratégico para sustentar proteção, desempenho e produtividade.

 

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