O crescimento, segundo o levantamento do Ipea, deverá ser liderado pela produção de carne bovina. Porém, a análise aponta que o avanço contará com a contribuição positiva de todos os segmentos, ou seja, bovinos, frango, suínos, leite e ovos.
PIB Pecuária 2021: Ipea amplia em 0,5% a projeção de crescimento
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ampliou em 0,5% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da […]
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ampliou em 0,5% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da Pecuária em 2021. Segundo a Carta de Conjuntura divulgada na última terça-feira (24/11) pelo Instituto, a expectativa de crescimento do PIB, anteriormente prevista em 3,9%, passou para 4,4%,
PIB Pecuária 2021
A boa notícia é que a perspectiva de crescimento maior possibilita vislumbrar a reversão da queda observada em 2020. Segundo o mesmo relatório do Ipea, o PIB da Pecuária, anteriormente previsto para apresentar uma queda de 1,5% em 2020, deverá cair 2,0% em 2020.
De janeiro a outubro de 2020, as carnes bovina e suína apresentaram aumentos de 20,14% e 41,08%, respectivamente, no volume exportado. O crescimento também se deu nas receitas em dólares, respectivamente, 7,5% e 5,74%.
Segundo a análise do Ipea, diferentemente das demais proteínas, as exportações de carne de frango caíram 14% no acumulado do ano em receitas, 2% em volume e 13% nos preços. O Instituto aponta uma queda na ordem de US$ 405 milhões somente em relação às exportações da carne de frango para Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes.
“Entretanto, a demanda chinesa mantém-se aquecida para o mercado de frango”, aponta o relatório. “Os resultados para o acumulado de 2020 reforçam um aumento de 11,7% do consumo chinês em comparação com o ano passado”, completa destacando que a mesma tendência é observada para Hong Kong, com aumento de 21,8% nas importações brasileiras.
Segundo a Carta de Conjuntura, desde o surto de Peste Suína Africana na China, em 2018, o consumo de proteína animal a partir da ingestão de aves tem se elevado. Além disso, os surtos de gripe aviária na economia asiática no início do ano expandiram as oportunidades de exportações brasileiras para a China.
Preços
O preço médio do frango resfriado, no atacado da grande São Paulo, teve alta de 23,8% entre o segundo e o terceiro trimestre de 2020, segundo o levantamento do Ipea. Na comparação entre os primeiros nove meses de 2020 e o mesmo período de 2019, o preço teve alta de 3%.

“Esse aumento no terceiro trimestre refletiu, sobretudo, o aumento da demanda, principalmente no mercado doméstico”, destaca. “A proteína avícola foi favorecida por conta da competitividade diante das principais carnes concorrentes, bovina e suína, que também têm se valorizado intensamente”, completa.
Com a demanda aquecida pela carne, indústrias e frigoríficos buscaram novos lotes de frango vivo para o abate na produção independente, o que também resultou no aumento de preços do animal. Esses movimentos se intensificaram ao longo de outubro.
Segundo a Pesquisa Trimestral do Abate do IBGE, o peso total das carcaças de frango abatidas no primeiro semestre de 2020 foi praticamente o mesmo do primeiro semestre de 2019 (aumento de 0,2%).
Perspectivas
O relatório do Ipea ressalta o que os agentes do setor já sabem, ou seja, os preços dos principais insumos da avicultura (milho e farelo de soja), atingiram patamares recordes. Devido às margens apertadas do setor por conta do elevado custo de produção, a expectativa é de que no último trimestre de 2020 haja uma redução na produção.
“Com esse ajuste, a expectativa é que os preços tanto do animal vivo, quanto da carne se elevem”, salienta. “O movimento pode ser intensificado com as vendas natalinas”, conclui.
Ovos

Na comparação entre o terceiro e o segundo trimestre de 2020, o indicador Cepea/Esalq do preço do ovo teve queda de 16,1%. Mas, na comparação entre o período de janeiro a setembro de 2020, em relação ao mesmo período de 2019, houve aumento de 21,6%.

Os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus, segundo análise do Ipea, têm limitado a procura por ovos no varejo. Esse movimento tem pressionado o setor a realizar suas vendas com descontos, porém, em contrapartida, em outubro os preços subiram.
“As temperaturas elevadas que atingiram as principais regiões produtoras ocasionaram a redução da produção, devido à mortalidade de milhares de poedeiras e também à menor oferta de ovos maiores”, ressalta o documento. “Segundo a Produção de Ovos de Galinha do IBGE, a quantidade produzida de ovos aumentou 3,6% na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2019”, completa.
Perspectivas Ovos
Segundo análise do Instituto, os preços dos ovos tradicionalmente recuam no último trimestre do ano. Em 2020 essa tendência poderia ser acentuada pela expectativa de queda nas vendas de ovos para a fabricação de produtos natalinos, devido aos efeitos da Covid-19.
“Mas, com as proteínas cárneas valorizadas e os preços altos dos insumos, a expectativa é que os preços dos ovos aumentem no quarto trimestre”, aponta a Carta de Conjuntura.
Fonte: Ipea