
Recentemente, um surto de peste suína na África afetou a produção de suínos, uma vez que o vírus é fatal e não há vacina para controlá-lo. Milhares de animais foram sacrificados para evitar a transmissão da doença, mas o mercado sofreu forte impacto. Assim, consequentemente, o consumo de carne de aves aumentou para atender a demanda. Para suprir parte do mercado de suínos, a produção de aves deve alcançar maior produção, juntamente com a qualidade da carne e a segurança alimentar.
Para suprir parte do mercado de suínos, a produção de aves deve alcançar maior produção, juntamente com a qualidade da carne e a segurança alimentar
Considerando a pressão por parte dos consumidores em todo mundo, a comunidade científica e as agências reguladoras internacionais, para remover ou diminuir o uso de melhoradores de desempenho de antibióticos e o uso racional da forma terapêutica na produção animal, buscam manter a produção versus segurança alimentar, o que tem sido um grande desafio.
De acordo com a OMS, cerca de 600 milhões, ou quase 1 em cada 10 pessoas no mundo, adoecem depois de consumir alimentos contaminados. Destas, 420 mil pessoas morrem, incluindo 125 mil crianças com idade inferior a 5 anos.
O impacto dos antibióticos na microbiota do intestino tem sido mais recentemente investigado e pesquisadores mostraram que, além de alterar a composição da microbiota, os antibióticos também afetam:
As alterações microbianas causadas por antibióticos, além de aumentar o risco imediato de infecção, também podem afetar a homeostase imunológica básica em longo prazo.
Com esta nova realidade, é imprescindível que a cadeia produtiva se adapte e aplique um rigoroso plano de manejo, saúde e nutrição, pois a transmissão pode se dar pela ração, ambiente ou ainda vertical (da matriz para o frango/poedeira), por isso o manejo adequado é essencial neste controle.
As β-glucanas presentes modularão a resposta imune dos animais, pois são estimulantes naturais do sistema imune inato. Quando as células fagocíticas entram em contato com as β-glucanas, essas células são estimuladas e as citocinas são produzidas.
A produção de citocinas desencadeará uma “reação em cadeia”, induzindo um maior status imunológico nos animais, tornando-os com uma melhor capacidade de resistir às infecções oportunistas.
Assim, a suplementação com ImmunoWall® garante que as aves mantenham o equilíbrio da microbiota intestinal e melhorem as respostas do sistema imunológico, resultando na redução da contaminação e transmissão de bactérias patogênicas para outros órgãos do corpo.
Um recente estudo de Beirão et al. (2018) onde frangos de corte foram suplementados com ImmunoWall® (0,5 kg/ton) e infectados aos dois dias de idade com Salmonella Enteritidis [SE] (via oral na dosagem de 108 UFC/ave), mostrou que aos quatro e oito dias (dois e seis dias pós-infecção, respectivamente) ImmunoWall® reduziu a passagem do marcador (Dextran-FITC, 3-5 kD) para o sangue nas aves desafiadas.
Estes resultados indicam uma melhora significativa na integridade e permeabilidade intestinal, já que a SE é uma bactéria capaz de aderir à mucosa por meio de suas fímbrias, produzir toxinas e causar danos às tight juctions (junções de oclusão) e aos enterócitos, invadindo-os e translocando-se para a corrente sanguínea e demais órgãos e tecidos internos.
Figura 1. Como os antígenos danificam as tight junctions.
Estes resultados podem ser explicados pela quantificação de células circulantes que foram analisadas no sangue coletado destas aves. É importante notar que durante a dinâmica normal de uma infecção, ocorre uma mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino, porém se animal apresentar outro tipo de infecção, a redução de leucócitos totais circulantes, pode prejudicar a resposta ao ataque à este segundo antígeno/local. Isto principalmente pode ser perigoso quando a taxa de leucócitos totais no sangue está muito baixa (leucopenia).
Na análise do referido estudo, o grupo infectado e suplementado com Immunowall®:
proporcionou uma menor mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino aos 14 dias; no entanto, quando esse sistema imune é subdividido e as diferentes células são analisadas, os animais deste grupo apresentaram mais APC’s, monócitos supressores (impedem uma resposta imune desenfreada), e linfócitos T auxiliares (CD4 – secretam interleucinas e estimulam a multiplicação de células que irão atacar o antígeno), que o grupo de animais desafiados e não tratados.
O grupo suplementado com ImmunoWall® e não desafiado:
apresentou respostas intermediárias (entre o controle desafiado e o não desafiado) às células analisadas citadas acima, e também Linfócitos T citotóxicos (CD8), que são importantes para prevenir ou controlar a invasão da Salmonella, já que estas tem a capacidade de invadir monócitos e assim translocar-se para o fígado e demais órgãos.
No gráfico 1 abaixo, é possível observar que suplementação com ImmunoWall® resultou na maior produção IgA anti Salmonella aos 14 dias de idade. Isto mostra que a resposta específica do sistema imunológico foi mais rápida e mais forte, consumindo menos energia e nutrientes, já que a resposta inflamatória pareceu ser mais curta.
Assim, a suplementação de β-glucanas pode ajudar a ave a ter uma ativação e resposta do sistema imune inato precoce e mais rápida, reduzindo/minimizando os danos causados pelo patógeno e consequentemente, as perdas em desempenho.
Diversos outros estudos provaram a eficácia de ImmunoWall® em reduzir a contaminação de patógenos nas aves e ovos (Hofacre et al., 2017; Ferreira et al., 2014), mortalidade e melhorar o desempenho produtivo (Bonato et al., 2016; Rivera et al., 2018; Koiyama, et al. 2018), principalmente sob desafio.
Não existem aditivos alimentares que possam suprir problemas com manejo, plano sanitário, vacinação, nutrição, qualidade de água, entre outros. Os aditivos são ferramentas que podem ajudar no controle e prevenção. A produção animal intensiva é um ambiente altamente desafiador, assim o fortalecimento do sistema imunológico pode ser uma das chaves para maior produtividade.
A ligação entre qualidade, valor nutricional e segurança alimentar é uma tarefa que tem exigido muita pesquisa pelas indústrias para garantir a saúde pública. A produção de aves é um ambiente desafiador onde a segurança alimentar começa na fazenda e é possível controlar patógenos sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento.
Referências:
Beirão B. C. B. et al. Yeast cell wall immunomodulatory and intestinal integrity effects on broilers challenged with Salmonella Enteritidis. In: 2018 PSA Annual Meeting. San Antonio-Texas, USA. Proceedings…. 2018.
Bonato et al. Desempenho de frangos de corte alimentados com mananoligossacarídeos, parede celular de levedura e nucleotídeos de diferentes fontes. In: Conferência FACTA 2016 de Ciência e Tecnologia Avícolas, Atibaia. Proceedings….2016.
Ferreira, A.J.P. et al. Uso da associação de levedura e fonte de nucleotídeos na redução da colonização entérica por Salmonella Hiedelberg em frangos. In: Conferência FACTA 2014 de Ciência e Tecnologia Avícolas, Atibaia. Proceedings…. 2014.
Hofacre, C., et al. Use of a yeast cell wall product in commercial layer feed to reduce S.E. colonization. Proceedings of 66th Western Poultry Disease Conference, March 2017, Sacramento, CA, p. 76-78, 2017.
Koiyama, et al. Effect of yeast cell wall supplementation in laying hen feed on economic viability, egg production, and egg quality. The Journal of Applied Poultry Research, v. 27 (1), p. 116–123, 2018
Rivera et al. Yeast cell wall and hydrolyzed yeast as a source of nucleotides effects on immunity, gut integrity, and performance of broilers. In: 2018 International Poultry Scientific Forum. Atlanta-GA, USA. Proceedings…. p. 49, 2018.
World Health Organization – WHO. Media Centre, News release. WHO’s first ever global estimates of foodborne diseases find children under five account for almost one-third of deaths. 2015. Available in: http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2015/foodborne-disease-estimates/en/
Melina Bonato e Liliana Borges – P&D, ICC Brazil
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