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Qualidade de pintinho: aspectos que vão muito além do incubatório

Escrito por: Isabel Minoli - Médica Veterinária e Gerente de Serviços Veterinários - Reprodutoras na Ceva Saúde Animal
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qualidade de pintinho: além do incubatório

Quando falamos em qualidade de pintinho rapidamente vêm a nossa cabeça:

Ave bem hidratada

Ativa

Boa penugem

Umbigo íntegro

Abdômen macio

Sem alterações, e sem anomalias físicas.

Essas características podem ser avaliadas através de um questionário e classificadas de acordo com sua apresentação, mas esta classificação é muito subjetiva e não deve ser utilizada como único indicador.

Um pintinho de boa qualidade não se limita apenas a estas características, existem aspectos intrínsecos a serem levados em consideração.

A qualidade de um pintinho é diretamente ligada ao manejo da matriz, uma vez que, não apenas seu desenvolvimento embrionário depende da sanidade de mãe, como seu desenvolvimento à campo também, quando pensamos na transferência dos anticorpos maternais e a capacidade deste pintinho de crescer perante os desafios do novo ambiente. Isto é uma soma dos esforços da granja de matriz e do incubatório para entregar ao cliente uma ave que possa expressar seu potencial zootécnico ao máximo.

Em relação ao aspecto físico do pintinho, ou seja, aquilo que pode ser visualmente avaliado, o papel do incubatório é fundamental. Se o incubatório receber um ovo que não atende aos padrões de qualidade, não há como esperar um pintinho de qualidade. Podemos dizer que 80% do resultado do incubatório depende da qualidade dos ovos incubáveis enviados.

Um ovo de qualidade é aquele que chega ao incubatório limpo, sem trincas, sem deformidades, coletado não muito tempo após a postura, que tenha recebido a desinfecção apropriada e esteja apto à incubação.

 

Ovos sujos, de cama ou ninho, podem ser aproveitados, desde que sofram manejo adequado, ou seja, coletar com frequência e inutilizar ovos muito sujos ou frios, desinfetar e armazenar separadamente, para que o incubatório possa dar mais atenção quando for programar a incubação. Já ovos trincados não devem ser aproveitados pois as trincas, ou microtrincas, permitem a contaminação deste ovo e, consequentemente, contaminação do pintinho, além de influenciar nas perdas de umidade durante a incubação.

Outro ponto importante a ser considerado é a uniformidade a qual está restritamente ligada à uniformidade do lote que os produz. Ovos desuniformes irão gerar pintinhos desuniformes (foto 1), além de diferença na qualidade destes pintinhos, uma vez que as exigências destes ovos durante a incubação também são definidas pelo seu tamanho.

Pensando além das anomalias físicas, algumas situações afetam o desempenho deste pintinho. Dentre as diversas doenças que podem causar impacto econômico destaca-se a Bronquite Infecciosa Aviária.

E esse impacto econômico não se dá apenas pelos gastos com medicamento e mortalidade, atingindo o prejuízo à progênie. As consequências de um desafio são maiores do que podemos observar, resultando em:

Piora da casca do ovo, seja casca fina ou deformados,

Consequente aumento de contaminação,

Bem como aumento de pintinhos de 2ª qualidade e

Piora no desempenho à campo, com mortalidade aos 7 dias acima do padrão,

Refugagem,

Aerossaculite e

Condenações ao abate.

Um desafio de Bronquite infecciosa em lotes de matrizes normalmente pode não causar quadro clínico com sinais respiratórios. O vírus também possui tropismo pelo sistema reprodutor, prejudicando a produção quantitativa e qualitativa dos ovos e pintinhos.

Desafio para Bronquite: Impacto das microtrincas e ovos sujos na Mortalidade 1ª semana

Desafio para Bronquite: Impacto das microtrincas e ovos sujos na Mortalidade 5ª semana

Para minimizarmos estes impactos é preciso investir em um robusto programa de vacinação. E quando digo robusto, não quero dizer em número de vacinações, mas sim na qualidade delas, tanto de aplicação quanto de procedência. Hoje possuímos ferramentas para garantir a proteção da matriz e, consequentemente, melhorar a qualidade da progênie.

Conhecer a situação sanitária da matriz é o primeiro passo para estabelecer um plano. A partir disso, escolher vacinas seguras e equilibradas é primordial. No caso da Bronquite infecciosa, é imprescindível detectar a cepa de campo circulante nos lotes. Uma recente monitoria em 39 lotes de matrizes de uma empresa produtora de frangos do Paraná, a cepa BR-I foi detectada em 61,5% dos lotes. A elevada detecção é explicada pela falha do programa vacinal (que inclui unicamente a cepa vacinal viva Massachusetts aplicada a cada 8 semanas) para proteger contra a cepa de campo dominante BR-I.

Portanto, quando dizemos que a qualidade do pintinho vai muito além do que Incubatório são pontos como esses citados que devem ser considerados. A sanidade do pintinho depende, primeiramente, da sanidade da matriz desde o primeiro dia no galpão de recria.

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