“Os empregos deles não valem? O imposto e os recursos que essas empresas trazem para o Brasil não valem? Por que o tratamento teria de ser diferenciado?”
ABPA quer linha de crédito para o setor de aves e suínos
Uma linha de crédito específica para o setor de aves e suínos, com o objetivo de minimizar os problemas enfrentados […]
Uma linha de crédito específica para o setor de aves e suínos, com o objetivo de minimizar os problemas enfrentados nos últimos meses pela cadeia de proteína animal. Esse é um dos pontos da pauta da reunião realizada nesta quinta-feira (28/6) entre dirigentes da ABPA (Associação Brasileira da Proteína Animal) e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Dyogo Oliveira.
A informação é trazida pelo jornal Correio Braziliense (CB), a quem Ricardo Santin, vice-presidente da ABPA, informou a ideia da entidade é que a linha de crédito seja oferecida a toda a cadeia de aves e suínos, tanto para cooperativas quanto para as grandes empresas.
Segundo o jornal, Santin sabe que a inclusão de gigantes, como BRF e JBS, pode receber críticas por terem condições de negociar outras fontes de crédito em boas condições, mas o diretor da entidade reage:
Segundo o CB, apesar do momento de fragilidade do setor, Pedro Parente, novo presidente da BRF, não vai participar do encontro, já que acabou de assumir o cargo e não faz parte da diretoria da ABPA. Ao lado da JBS, a empresa tem sido uma das mais penalizadas desde que o setor começou a enfrentar dificuldades.
Desde o último dia 12 de junho a BRF Foods vem sendo portadora de notícias referentes à redução de suas atividades em Mineiros (GO), Campo Verde (MT) e suspensão de abates em Concórdia (SC).
Em Mineiros, as atividades da linha de produção de perus deverão ser encerradas na segunda quinzena do mês de julho, enquanto em Campo Verde serão encerradas as atividades de produção de frangos ovos e ração. Em Concórdia, por sua vez, 1,7 mil funcionários entrarão em férias coletivas em 2 de julho e o abate de frangos deve ser retomado em 16 de julho.
Essas são as mais recentes más notícias trazidas pela BRF, que em dez trimestres consecutivos (do terceiro trimestre de 2015 ao quarto trimestre de 2017) sofreu perdas de R$ 40 bilhões, segundo estudo do doutor e professor de finanças corporativas na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Oscar Malvessi.
Este ano de 2018 também está marcado pela ampliação das dificuldades com o mercado internacional. Em novembro passado, o governo russo embargou a carne suína brasileira – o país é o principal comprador internacional desse tipo de proteína, com 40% do volume. A justificativa foi a presença de resíduos de ractopamina, um estimulador do crescimento dos animais.
Outra decisão internacional de grande impacto veio da União Europeia, que em abril decidiu descredenciar 20 frigoríficos brasileiros. Como justificativa do bloco, foram apontadas “deficiências detectadas no sistema oficial de controle brasileiro”.
“Trata-se de um mercado muito relevante. Só em 2017 foram exportados US$ 774 milhões em aves para a UE. Aquele é o terceiro maior comprador brasileiro, com o detalhe que o país exporta cortes nobres, mais caros’, explica Victor Ayres, assessor técnico de aves e suínos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) – CB.
Os números refletiram o fechamento parcial do mercado europeu. Segundo o MDIC, de janeiro a maio, houve uma queda de 8,7% na receita obtida com a exportação de aves (comparação com os primeiros cinco meses de 2017) e de 6,5%, no volume.
Diplomacia
Para Ayres, decisões como a da União Europeia são “barreiras diplomáticas travestidas de sanitárias”.
“A UE sabe que haverá pressão por parte dos produtores brasileiros para que o Brasil ceda nas negociações para que seja firmado o acordo com o Mercosul, por isso decidiu descredenciar os frigoríficos locais”, avalia o técnico, que qualifica o atual momento como “caótico”. Alves, da MB Agro, concorda: “Para o setor de aves, o ano está sendo um inferno astral.” – CB.
No início do mês, foi a vez de a China criar dificuldades ao anunciar que vai impor um preço mínimo para aves brasileiras. Terceiro principal destino dessa proteína animal, o país reclama da concorrência desleal da produção do Brasil. O governo tenta negociar para suspender a medida, mas já deu carta branca para que os técnicos da ABPA levantem informações para levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Sempre tivemos apoio do governo, mas agora ele precisa ser mais forte. Esperamos que, depois da tentativa de negociação dos ministérios das Relações Exteriores, Desenvolvimento e Agricultura, a iniciativa parta do presidente Michel Temer”, afirma Santin.
Para Lang, o Brasil vem sofrendo com retaliações internacionais por ser um grande fornecedor de proteína animal. “Nos países que compram nossa carne, os governos sofrem pressão dos produtores locais que enfrentam a concorrência da carne brasileira. O outro motivo é que nós mesmos demos as armas para usarem contra nós quando o país conduziu e divulgou mal a Operação Carne Fraca”, avalia.
Para o presidente da C.Vale, “houve uma escandalização desnecessária motivada, em grande parte, por desconhecimento e exagero. Pegaram casos pontuais, tiraram conclusões erradas e colocaram cadeias produtivas em risco com generalizações. A gente entende quando enfrenta obstáculos criados lá fora, mas não quando são criados pelo nosso próprio país”, reclama.
Participação no PIB brasileiro
Cai fatia do agronegócio
Ano Participação (em %)
2007 22,72
2008 22,84
2009 21,52
2010 21,64
2011 21,03
2012 19,41
2013 19,17
2014 19,06
2015 20,54
2016 22,83
2017 21,59
Fonte: Cepea/CNA e IBGE – Contas Nacionais
PIB do agronegócio encolhe
Ano Valor (em R$ milhões)
2007 1.280.129
2008 1.352.226
2009 1.272.767
2010 1.376.310
2011 1.390.327
2012 1.308.052
2013 1.330.592
2014 1.329.568
2015 1.381.992
2016 1.482.914
2017 1.416.199
Fonte: Fonte: Cepea/CNA e IBGE – Contas Nacionais
Informações retiradas do Jornal Correio Braziliense