23 jun 2017

Acréscimo de ovos à dieta pode impulsionar o crescimento dos bebês

A agência Reuters divulgou importante publicação para a valorização dos ovos na dieta de crianças. Baseada em um estudo realizado pela American Academy of Pediatrics, no Equador, a matéria aponta que o alimento foi essencial para o crescimento de bebês em situações de risco.

No dia 22 de junho a agência Reuters divulgou importante publicação para a valorização dos ovos na dieta de crianças. Baseada em um estudo realizado pela American Academy of Pediatrics, no Equador, a matéria aponta que o alimento foi essencial para o crescimento de bebês em situações de risco e traz inúmeros dados que atestam a qualidade nutricional do ovo, reunindo diversas fontes.

NOVA YORK (Reuters Health) – A introdução de ovos na alimentação melhorou substancialmente o crescimento dos bebês entre seis e nove meses de idade no Equador, e pode fazer o mesmo em outras regiões com escassez de recursos, afirmam pesquisadores.

“Globalmente, existem 162 milhões de crianças com atraso no desenvolvimento, o que as coloca em risco de ter um desenvolvimento cerebral insuficiente, de contrair doenças infecciosas e de morte”, disse à Reuters Health a Dra. Lora Iannotti, da Washington University, em St. Louis, Missouri.

“Em nossa opinião”, disse ela por e-mail, “a principal descoberta neste estudo foi o aumento importante do crescimento linear de 0,63 da pontuação Z do comprimento comparado à idade (curva de crescimento da OMS) e uma redução de 47% na prevalência de atraso ou parada do crescimento – mais de um terço acima do que tem sido observado em todo o mundo com as estratégias de alimentação complementar“.

“As intervenções nutricionais convencionais, como o consumo de suplementos ou alimentos enriquecidos, não surtiram um efeito dessa magnitude”, acrescentou a Dra. Lora. “Os ovos fornecem muitos nutrientes, como a colina e outros fatores de crescimento, em matrizes de alta biodisponibilidade”.

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A Dra. Lora e colaboradores randomizaram bebês de seis a nove meses para comerem um ovo por dia durante seis meses (83 bebês) ou não receberem nenhuma intervenção (controle, 80 bebês). Ambos grupos receberam mensagens de marketing social incentivando sua participação. Todas as famílias foram visitadas semanalmente para a distribuição dos ovos, e para o monitoramento do consumo de ovos (apenas para o grupo recebendo os ovos) e dos sinais e sintomas de morbidade.

Conforme informado online em 7 de junho no periódico Pediatrics, a intervenção com os ovos aumentou o valor da pontuação Z do comprimento comparado à idade em 0,63 e a pontuação Z do peso para idade em 0,61. A prevalência de atraso ou parada do crescimento foi reduzida em 47% dos casos, e a de baixo peso em 74% dos casos.

As crianças no grupo da intervenção comeram mais ovos do que os controles. Ao longo do tempo, os dois grupos aumentaram o consumo de alimentos ou bebidas açucaradas e refrigerantes. No entanto, no grupo recebendo os ovos, a prevalência do consumo referido de alimentos como chocolate, doces, bolos e biscoitos, foi 29% menor do que no grupo controle (P = 0,032) ao final do estudo.

O consumo de refrigerantes não foi significativamente menor no grupo recebendo ovos (10% contra 14%, P = 0,137).

Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos em termos de consumo de outros alimentos, e não houve registro de alergia a ovo.

A campanha de marketing social foi uma das chaves para o sucesso da intervenção, disse a Dra. Lora. “Mensagens e símbolos culturalmente apropriados foram cuidadosamente elaborados e direcionados para a comunidade indígena mista. Apesar de ter havido uma erupção vulcânica no meio do ensaio clínico, tivemos apenas 7% de perda de acompanhamento”.

“Outro fator fundamental de sucesso foi a introdução precoce de ovos no período da alimentação complementar, dos seis aos nove meses”, acrescentou. “O Ministério da Saúde Pública do Equador recomendara anteriormente a introdução alimentar de ovos após um ano de idade”.

“Com os resultados do nosso estudo, e as evidências crescentes na literatura mitigando as questões relacionadas com as alergias e com o colesterol”, observou a Dra. Lora, “a orientação foi modificada para incentivar a introdução dos ovos aos sete meses de idade”.

“Nesta população andina, e em outras ao redor do mundo, os ovos são apreciados e reconhecidos como um alimento de baixo custo e de alta qualidade. As descobertas sugerem que os ovos podem contribuir consideravelmente para os objetivos da ONU de reduzir o atraso ou a parada do crescimento e de enfrentar a fome oculta”, concluiu a médica.

A Dra. Lona Sandon, professora-assistente de nutrição clínica no UT Southwestern Medical Center, em Dallas, observou que o estudo “foi feito em uma população com baixa segurança alimentar, com dificuldade para obter comida suficiente (calorias e proteínas) para uma saúde e crescimento ideais”.

“É notável que algo tão simples como o acréscimo de um ovo por dia à dieta possa levar ao aumento do crescimento”, disse a Dra. Lona à Reuters Health.

“Os ovos são uma ótima fonte de proteínas e uma das fontes proteicas de menor custo, o que os torna um alimento de acesso fácil para as pessoas que vivem em situação de baixa segurança alimentar”, disse ela por e-mail. “Os ovos são um alimento básico incluído nos pacotes dos programas alimentares para mulheres, bebês e crianças nos EUA”.

“A preocupação com a alergia ao ovo pode não se justificar nesta população”, disse a Dra. Lona. “A prevalência de alergias alimentares parece ser menor nas populações de baixa renda por razões não completamente entendidas. Além disso, as pesquisas atuais com outros alimentos que causam alergias sugerem que a introdução alimentar precoce pode ajudar a sensibilizar as crianças, prevenindo futuras reações alérgicas “.

“A conclusão”, disse a Dra. Lona, “é que os ovos podem ser introduzidos precocemente de forma segura, e são uma maneira barata de fornecer nutrientes de qualidade que podem ajudar a reduzir o atraso ou a parada do crescimento, melhorando assim o crescimento e o desenvolvimento da criança”.

Na época do estudo, dois coautores trabalhavam para o financiador do estudo, The Mathile Institute.

Pediatrics 2017.

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