
Maria Luiza Assunção Pimenta é diretora da Somai Nordeste
Agregar valor ao ovo, que é um alimento de classificação nobre por suas propriedades nutricionais, é o principal desafio da grande maioria dos produtores brasileiros. Segundo Maria Luiza Assunção Pimenta, diretora da Somai Nordeste, o ovo tem que deixar de ser uma commodity.
Maria Luiza Assunção Pimenta é diretora da Somai Nordeste
Entre as iniciativas que devem ser adotadas pelo produtor brasileiro para agregar valor ao ovo, Maria Luiza indica a diversificação do produto, investimento em embalagens, ampliação da venda de ovo industrializado para o food service, selos de qualidade e serviços. “A gente precisa ter um produto que é respeitado e desejado pelo consumidor, por ser bom, bonito e barato”, afirma.
O ovo é considerado um alimento nobre para o homem pela qualidade das proteínas e nutrientes que possui. Segundo a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Helenice Mazzuco, o conceito de qualidade de proteína está atrelado ao valor biológico (VB) de um alimento e representa, de um modo generalizado, seu conteúdo em aminoácidos essenciais, disponíveis em quantidade e necessários à adequada nutrição.
“Assim, por possuir os aminoácidos lisina, metionina, triptofano, valina, histidina, fenilalanina, leucina, isoleucina e treonina, considerados essenciais na nutrição humana, a proteína do ovo é considerada como padrão em comparação às outras fontes proteicas, correspondendo a 93,7% em VB, a mais alta entre as fontes de proteína disponíveis”, explica a pesquisadora em artigo publicado no site do Instituto Ovos Brasil.
Com qualidade reconhecida por órgãos internacionais como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o ovo também apresenta boas quantidades de cálcio, ferro, vitaminas A, D, B1 (tiamina) e B2 (riboflavina).
Diversificar
Diante de tantas propriedades, a pergunta que muitos se fazem é como diversificar um produto que já é tão completo? Maria Luiza cita exemplos como o ovo com ômega 3, o ovo light, com 25% a menos de gordura, o ovo natural e o vitaminado (E, D).
Ela lembra ainda que o modo de produção também pode ser um diferencial, citando alguns produtores internacionais que categorizam os ovos conforme o modo de criação das poedeiras: em gaiola, no piso, soltas e as alimentadas com produtos orgânicos, que originam o ovo biológico. “Tem produtos com maior margem de lucro e sem margem, que garantem uma fidelização do consumidor à marca e dão ao produtor melhor poder de negociação com as grandes redes”, explica.
Embalagens
As embalagens são outro diferencial muito destacado pela diretora da Somai como forma de agregar valor ao ovo. Ela afirma que há opções com design arrojado, apelo ambiental, individual, práticas e até tecnológicas, como as embalagens que cozinham o ovo individualmente. “A gente precisa acabar com o ovo a granel, eu acho que 100% dos ovos deveriam ser embalados e com a marca do produtor”, salienta.
Segundo Maria Luiza, no início de 2015, a margem de lucro dos ovos embalados e a granel da SOMAI estava equilibrada, sem muito ganho. “Investindo no embalado, mesmo tirando o custo de produção (a própria embalagem, mão de obra, maquinário), temos obtido uma margem maior nesse produto porque tem o nosso nome”, explica.
Ovo Industrializado
Ter o food service utilizando apenas ovos industrializados é outra meta a ser buscada pelo setor segundo a diretora da Somai. Segundo ela, no Brasil 66% do ovo industrializado vai para a grande indústria, 28% para a pequena indústria e apenas 5% para o food servisse, sendo o restante para o consumidor final.
Apenas 1,5% do ovo utilizado no food service, segundo Maria Luiza, é industrializado, enquanto os outros 98,5% são de ovos in natura. “Então, a gente tem muito para crescer”, salienta a diretora da Somai, lembrando que também para o ovo industrializado há alternativas diferentes de embalagens, aditivos e sabores.
Agregar Serviço
Além de diversificar o produto e valorizar com embalagem nobre, Maria Luiza acrescenta a importância de agregar serviço, entre os quais ela destaca a logística. “A gente tem que fazer uma boa entrega, com frequência no ponto de venda, mas também orientar o cliente sobre armazenagem, exposição, giro de estoque para que tenhamos clientes satisfeitos e redução na nossa perda”, salienta a diretora da Somai.
Qualidade
Por fim, Maria Luiza destaca que não adianta diversificar produto e agregar valor ao ovo, se não houver qualidade. “Precisamos de um produto limpo, com boa casca, qualidade interna e na parte sanitária”, destaca. “E a qualidade também precisa estar no processo, com responsabilidade ambiental e social”, completa.
A diretora da Somai destaca a possibilidade de adoção de programas de qualidade existentes, além dos obrigatórios. “Temos que melhorar nossos processos e, quem sabe, consigamos ter um selo de qualidade para o ovo”, conclui.
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