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Alphitobius diaperinus: um dos principais disseminadores de Escherichia coli Multirresistente na produção de frangos de corte

Para ler mais conteúdo de avinews Brasil 4 TRI 2025

Fabrizio Matté

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Luiz Eduardo Takano

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Patrick Iury Roieski

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Alphitobius diaperinus: um dos principais disseminadores de Escherichia coli Multirresistente na produção de frangos de corte

O setor agrícola no Brasil desempenha um papel significativo na economia do país, sendo um dos setores que mais recebe investimentos e gera riquezas. Em 2024, o setor da avicultura manteve o Brasil na posição de segundo maior produtor e principal exportador mundial de carne de frango, com uma produção que ultrapassou 14,8 milhões de toneladas, volume que responde por cerca de 35% das exportações globais (ABPA, 2024). Essa cadeia produtiva, que vai do campo às indústrias, sustenta diretamente mais de 1,7 milhão de empregos e, indiretamente, outros 4,7 milhões de trabalhadores ligados ao setor.

Para tal produção, o uso de antimicrobianos em algumas situações é necessário; no entanto, essa prática exerce uma pressão seletiva sobre as bactérias presentes naquele ambiente e nas aves, aumentando a ocorrência de resistência antimicrobiana (Zhang et al., 2017). A resistência aos antimicrobianos em bactérias ocorre naturalmente, mas o aumento do uso de antimicrobianos resulta na eliminação de cepas suscetíveis, promovendo a seleção e proliferação de cepas resistentes (Alvez et al., 2017).

Alphitobius diaperinus: um dos principais disseminadores de Escherichia coli Multirresistente na produção de frangos de corte

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Uma das classes de antimicrobianos amplamente utilizadas é a dos betalactâmicos (amoxicilina, ampicilina, ceftiofur) (Penido, 2019), prescritos tanto na medicina humana quanto na produção animal. Consequentemente, há um aumento da resistência a estes antimicrobianos, apresentando mecanismos de resistência como betalactamases de espectro estendido (ESBLs) codificadas por genes como blaTEM, blaSHV e blaCTX-M (Bajaj et al., 2016).

A presença de Escherichia coli (E. coli) na avicultura representa um desafio sanitário e econômico, especialmente por cepas patogênicas (APEC) portadoras de fatores de virulência como toxinas (hlyA) e sistemas de captação de ferro (iutA), que facilitam a colonização intestinal, lesões sistêmicas e mortalidade em lotes. Além disso, a disseminação de genes de resistência a antimicrobianos, como blaCTX-M (grupos CTX-M-1; CTX-M-2; CTX-M-8; CTX-M-9 e CTX-M-25), agrava o cenário, reduzindo a eficácia de tratamentos e incentivando o uso excessivo de fármacos (Johnson et al., 2008; Rodriguez-Siek et al., 2005; Ferreira et al., 2009).

Em um estudo feito pelo Laboratório de Microbiologia Básica e Aplicada (Nip3) da Universidade Estadual de Londrina em conjunto com a empresa Vetanco Brasil, foram analisadas 31 granjas distintas localizadas na região sul do Brasil. Uma coleção de 751 cepas de E. coli foram isoladas de amostras de swab cloacal de galinhas, Alphitobius diaperinus (cascudinho) e cama de frango. Para todas as cepas isoladas, foram conduzidos testes de susceptibilidade aos antimicrobianos (antibiograma). Além disso, para as cepas produtoras de enzimas ESBL (Figura 1), foi realizado PCR para genes de resistência e virulência (Figura 2).

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Figura 1. Teste de Duplo sinergismo para ESBL positivo, com formação de “halo fantasma” em todos os antimicrobianos

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Figura 2. PCR Pentaplex para genes de virulência

O estudo revelou que 91% dos isolados foram classificados como multirresistentes (MDR); 83% dos isolados de cama de frango, 79% de swab cloacal e 78% vindos de cascudinhos (Figura 3), com destaque para altas taxas de resistência ao ácido nalidíxico 83,5%, 81,5% à ampicilina, 77,5% à enrofloxacina e 75,5% à ciprofloxacina. Além disso, 30,7% das cepas (231 isolados) produziam enzimas ESBL, com o grupo CTX-M-1 sendo o mais frequente (37%), seguido por CTX-M-9 (26%), CTX-M-2 (18%) e CTX-M-8 (15%). O grupo CTX-M-25 não foi detectado.

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Figura 3. Porcentagem de bactérias multirresistentes por amostra

A análise estatística identificou associações significativas entre fatores ambientais e resistência. Cepas originárias da cama de frango tiveram 1,91 vezes mais chances de serem MDR (OR 1,91; p ≤ 0,05) e 1,93 vezes mais risco de resistência à ciprofloxacina (OR 1,93; p ≤ 0,05). O uso de enrofloxacina e ciprofloxacina na produção elevou as chances de resistência a esses antimicrobianos em 3,58 e 6,36 vezes, respectivamente (p ≤ 0,05). Cepas resistentes à fosfomicina apresentaram 1,66 vezes mais probabilidade de produzir enzimas ESBL (OR 1,66; p ≤ 0,05), reforçando a conexão entre práticas incorretas de manejo e disseminação de resistência.

A predominância do grupo CTX-M-1 contrasta com estudos anteriores que apontavam o CTX-M-2 como mais comum no Brasil, sugerindo uma mudança dinâmica na epidemiologia dos genes blaCTX-M (Gazal et al., 2021; Menck-Costa et al., 2022).

Em relação aos isolados de cascudinhos, estes mostraram-se como reservatórios de resistência antimicrobiana nos aviários, com 78% das cepas classificadas como MDR. A resistência a ampicilina (99,2%), tetraciclina (97,8%) e sulfametoxazol/trimetoprima (94,5%) foram as mais frequentes, refletindo a pressão seletiva pelo uso dessas classes. Quinolonas também se destacaram, com 85,1% das cepas resistentes à ciprofloxacina.

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A análise estatística revelou certos padrões como a resistência a ampicilina, tetraciclina e sulfametoxazol/trimetoprima ocorrendo de forma quase simultânea, sugerindo a disseminação de plasmídeos conjugativos. A análise revelou que em 45% das granjas foram relatadas infestações prévias do cascudinho. Nessas propriedades, a prevalência de blaCTX-M foi 65% maior (p < 0,05) em comparação com granjas sem histórico de infestação do cascudinho.

Os cascudinhos agem como reservatórios móveis de bactérias, genes de resistência e virulência. Para controlar esse desafio, é essencial combinar estratégias práticas como o controle populacional dos cascudinhos por meio de métodos químicos, com inseticidas eficazes, reduzindo sua proliferação.

Paralelamente, o manejo correto da cama de frango mostrou-se eficaz para diminuir a carga microbiana, desde que implementadas de forma sistemática. Essas medidas, em conjunto, não apenas limitam a disseminação de patógenos, mas também interrompem o ciclo de vida do inseto, dificultando sua capacidade de atuar como reservatório de bactérias multirresistentes.

Alphitobius diaperinus: um dos principais disseminadores de Escherichia coli Multirresistente na produção de frangos de corte

Este estudo teve o foco a Escherichia coli devido seu papel significativo na resistência antimicrobiana e seu impacto na produção avícola. Embora a resistência em outras bactérias seja, sem dúvida, significativa, a E. coli fornece um forte ponto de partida para entendermos padrões de resistência e como eles se espalham na produção.

A resistência a múltiplos antimicrobianos em E. coli associada a fatores de virulência representa um desafio significativo em todos os estágios da produção, particularmente em granjas de frangos de corte. O monitoramento e a vigilância contínuos das granjas devem ser implementados como uma ferramenta fundamental para uma produção mais eficiente e segura.

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