
15 jan 2018
Análise do setor avícola do Uruguai em 2017
Esta é uma publicação baseada na informação da OPYPA do Uruguai, na qual se apresenta o cenário pelo qual atravessa o setor avícola e quais seus principais desafios.
Conteúdo disponível em:
Español (Espanhol)
O Escritório de Programação e Política Agropecuária (OPYPA – sigla em espanhol), ligado ao Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP – sigla em espanhol) do Uruguai, publicou o anuário 2017, onde apresenta a análise Cadeia avícola: situação e perspectivas do país. No estudo, são comparados os números obtidos pelo setor avícola durante 2017 com o ano anterior. São analisados o comportamento da produção nacional, mercado doméstico, consumo, preços, insumos, exportações, importações, desafios e estimativas.
Pelo estudo, ao se comparar os números de 2017 com o ano anterior, o abate de frangos de corte é menor. As exportações e importações também foram menores que as de 2016. Para o consumo interno de carne de aves, a publicação adverte que se manteria estável.
Produção nacional e mercado interno A quantidade de embarques para plantas de processamento de frangos de corte vem em queda desde o ano de 2015, conforme mostra o Gráfico 1. Segundo dados da Área de Estatísticas Agropecuárias (DIEA), os abates de 2016 foram levemente superiores às 99.000 toneladas, apresentando uma diminuição de 7% em relação a 2015. Por sua vez, os embarques a plantas de processamento registrados no Sistema de Monitoramento Avícola (SMA) para o período janeiro-outubro 2017 corresponderam a 26,4 milhões de frangos de corte, 5% inferior a 2016, razão pela qual estima-se, ao final do ano, um total inferior ao ano anterior.

Gráfico 1: produção de frangos de corte enviados para abate
Aproximadamente 96% da produção de carne de aves do Uruguai é destinada ao mercado doméstico. O consumo de carne de aves no mercado interno, segundo informação do Instituto Nacional de Carnes (INAC), caiu levemente no ano de 2016, comparado a 2015 (20,0 vs. 20,4 kg por habitante ao ano). Este indicador se mantém estável desde 2012, representando aproximadamente 20% do consumo doméstico total de carne.
Preços no mercado interno O preço médio do frango inteiro, segundo a Direção Geral da Granja (DIGEGRA), no período janeiro- novembro 2017 foi de $37 por kg, levemente superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O ano de 2017 foi marcado por uma tendência crescente do preço; no primeiro semestre o preço médio foi de $33,7 por kg e, nos 5 meses seguintes, o preço médio foi de $41,1 (22% superior), chegando à marca de $44,5 nos meses de setembro a novembro (Gráfico 2).
Além disso, o preço médio anual do frango abatido (na planta ao distribuidor) de 2017 foi 1,5% maior que em 2016. A tendência em 2017 foi crescente, principalmente na segunda metade do ano, quando o preço do período julho-novembro superou em 35% o preço médio do primeiro semestre.

Gráfico 2: Preço Mensal do frango processado
Em relação aos preços ao consumidor, tanto o preço médio dos cortes de frango, informados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), como os coletados pelo Sistema de Informação de Preços ao Consumidor (SIPC) apresentaram uma tendência de crescimento durante a segunda metade de 2017. O Gráfico 3 mostra os preços médios publicados pelo INE para o frango inteiro, a coxa e peito de frango, além do preço médio mensal para o frango inteiro decorrente do SIPC2.
O preço médio do frango inteiro, informado pelo INE para o período janeiro-outubro 2017, foi 5% superior ao do mesmo período do ano 2016 ($90 vs. $85). O segundo semestre apresenta um crescimento maior do preço em relação à primeira metade do ano, chegando a $103 no mês de outubro.
A evolução do preço decorrente do SIPC se diferencia, de forma substancial, da trajetória do preço médio do INE nos meses compreendidos entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017. Segundo os dados do SIPC, o preço correspondente à empresa Tres Arroyos foi 38% superior à média das outras duas empresas. A referida empresa teve uma ascensão de 29% em setembro de 2016, comparado ao mês anterior e manteve um preço médio de $116 o kg durante o período de setembro 2016 – fevereiro 2017.

Gráfico 3: Preço médio do frango inteiro e principais cortes
Exportações do Uruguai As exportações de carne de ave do Uruguai continuaram em 2017 a tendência decrescente verificada nos dois anos anteriores, após a saída do mercado venezuelano como destino de exportação. No período janeiro-novembro de 2017 exportou-se algo mais que 3.000 toneladas de carne de ave, 27% menos que no mesmo período de 2016, gerando uma receita de US$3,5 milhões aproximadamente. O frango representou, em 2017, 79% do valor exportado de carne de ave – 2.280 toneladas por um valor de US$2,8 milhões (Gráfico 4).

Gráfico 4: Evolução da carne de ave por produto
Os destinos das exportações de carne de ave em 2017 foram, em grande parte, os mesmos dos anos de 2015 e 2016, com diferentes participações de cada um. Em 2017 surge o Iraque, com uma participação de 20% no total das exportações e com um preço médio superior ao restante dos destinos, que seguem em gau de importância: Qatar, Iemen do Norte e Emirados Árabes mantém sua relevância como compradores de carne de aves do Uruguai (Quadro 1).

Quadro 1: Exportação de carne de aves por país de destino e produto
Como em 2015 e 2016, no ano de 2017 as exportações de carne de ave foram realizadas pela empresa Granja Tres Arroyos Uruguay S.A.
Em 2017 (janeiro-novembro) o preço médio obtido pelas exportações de carne de aves do Uruguai foi de 1.168 US$/tonelada3 – 3% superior ao de 2016. No caso da carne de frango, o preço segue sua tendência de baixa, sendo 4% inferior ao preço médio de 2016 (1.233 vs 1.279US$/tonelada respectivamente). O Gráfico 5 mostra a evolução dos preços médios de exportação obtidos pelo Uruguai em relação à carne de aves; observa-se uma tendência descendente dos preços, que a partir de 2016 se mantiveram em uma faixa entre os 1.000US$/tonelada e 1.290US$/tonelada. No mês de outubro de 2017 não se exportou carne de frango, o que fez com que o preço que figura no Gráfico seja produto da exportação de um único produto (és de frango congelado grau c).

Gráfico 5: Preço médio das exportações de carne de aves do Uruguai
Importações do Uruguai O Uruguai importa um volume muito pequeno de carne de aves em relação ao consumo doméstico. No Quadro 2, se apresentam os dados das importações de carne de frango, que em 2017 (até novembro) totalizaram um volume de 188 toneladas. As importações são originadas do Chile (49%), Estados Unidos (27%) e Brasil (24%).

Quadro 2: Importações de carne de frango
Por outro lado, é relevante a quantidade que o Uruguai importa de produtos elaborados a partir da carne de frango. No período janeiro-novembro 2017 importou-se 2.475 toneladas de produtos processados de carne de frango, por um valor de US$6 milhões.

Quadro 3: Importação de produtos processados de carne de aves

Gráfico 6: Origem das importações de produtos processados de carne de frango
Relação insumo-produto No Gráfico 7 se apresentam as relações insumo-produto para o frango de corte, elaboradas pela DIEA, que representam a quantidade de kg de frango de corte necessárias para adquirir insumos, ou pagar serviços – ração e mão-de-obra especializada.
Conforme se observa no Gráfico, a relação entre a mão-de-obra especializada e o frango de corte foi crescente desde 2009, com uma leve baixa em 2015, para logo voltar a crescer 35% em 2016, comparado ao ano anterior (crescimento similar ao verificado em 2011).

Gráfico 7: Relações insumo-produto para o frango de corte
No caso da ração, a evolução da relação durante o período 2009-2016 mostrou certa estabilidade. Em 2015 este indicador diminuiu 5% em relação a 2014 e, em 2016, aumentou 11% em comparação a 2015.
Atividades da Mesa Avícola Em relação ao tratado na mesa avícola durante o ano de 2017, destaca-se os avanços no Plano Sanitário Avícola. O Plano tem como objetivos principais: melhorar a situação sanitária do país, fortalecer os processos que garantem a segurança do produto, a abertura e consolidação dos mercados externos.
No Uruguai, busca-se consolidar os programas de prevenção e controle das doenças que signifiquem problemas de comercialização de aves, produtos e subprodutos de origem aviária. Alguns dos pontos tratados são: o programa de controle de salmonelose nas aves, a vigilância epidemiológica da influenza aviária e Doença de Newcastle e o programa de resíduos biológicos, entre outros.
Outro tema de relevância tratado na mesa avícola foi o projeto Biovalor, que tem como objetivo a transformação de resíduos gerados a partir de atividades agroindustriais e de pequenos centros povoados, em energia e/ou subprodutos. Promove-se novas tecnologias de valorização de resíduos de baixas emissões nas agroindústrias uruguaias, para conseguir desenvolver um modelo sustentável que contribua à redução de gases de efeito estufa.
Síntese e perspectivas Em nível internacional, para 2018 a USDA estima um crescimento leve da produção e consumo mundial. O comércio internacional estará marcado por um crescimento de 3% das exportações, lideradas por Brasil e Estados Unidos. Em 2017, a China continuou diminuindo sua produção e espera-se que em 2018 aumente suas importações em 7% comparado ao ano anterior. Os preços internacionais da carne de aves, segundo a FAO, mostraram em 2017 uma tendência de crescimento.
No plano doméstico uruguaio, o abate de 2017 continuou com a tendência de baixa observada desde 2015. Os preços domésticos do frango inteiro, processado e para consumo mostraram em 2017 uma tendência crescente, que se acentuou no segundo semestre do ano. As exportações de carne de aves do Uruguai continuam diminuindo; de janeiro a novembro de 2017 exportou-se 27% menos que no mesmo período de 2016. Os destinos principais continuam sendo Qatar, Iemen do Norte e Emirados Árabes, aos quais se soma o Iraque em 2017. O preço médio obtido em 2017 pelo Uruguai com as exportações de carne de frango foi de 1.233 US$/tonelada.
Uma vez conhecidos os últimos números de 2017, estima-se pelo comportamento transcorrido durante os 11 meses do ano, que o volume de abate será inferior ao dos anos anteriores. Com o consumo doméstico estável e a colocação internacional da carne de aves uruguaia em descenso, as perspectivas para 2018 são similares às do ano passado.
Na publicação governamental se destaca que o Uruguai possui desafios importantes para a inserção internacional da carne de aves, tais como a alta exigência dos mercados de destino e a relevância dos aspectos sanitários. A implementação de ações em nível da produção e a indústria, que favoreçam o acesso a novos e melhores mercados, é um ponto chave para aumentar o volume e o valor das exportações uruguaias. Aspectos tais como o fortalecimento e regularização do setor, a implementação do Plano Sanitário Avícola com o bom funcionamento dos alertas sanitários, entre outros, são importantes para contribuir para uma melhora geral da cadeia avícola do Uruguai.